Uma combinação mineira e baiana com destino ao Mato Grosso. A Gran7, empresa com sede em Luís Eduardo Magalhães (BA) e que atua com produtos de fertilidade, nutrição e fisiologia vegetal acabou de captar R$ 100 milhões com a Ceres, com sede em Uberaba (MG), na missão de ampliar sua atuação no Centro-Oeste do País, em especial em terras mato-grossenses, estado líder na produção de grãos.

Há quase dois anos, o CEO da empresa, Tomás Luza, sinalizou que o Mato Grosso vinha ganhando cada vez mais participação nos resultados da Gran7. Na safra 2024/2025, o estado já estava em segundo lugar em resultado da empresa, só ficando atrás da Bahia.

Na temporada imediatamente anterior, as vendas em solo mato-grossense eram a quinta maior fatia deste bolo, atrás de outros estados do Matopiba. "É um país agrícola e imagino que daqui alguns anos se torne o primeiro lugar", afirmou o CEO, em entrevista ao AgFeed em novembro de 2024.

Fundada em 2009 e presente em mais de 20 estados, a Gran7 possui cerca de 12% de market share na Bahia em produtos de fisiologia e nutrição, segundo a própria empresa, sendo líder em todo Matopiba.

A transação foi assessorada pela VGRI, casa de investimentos paulista que já atua há alguns anos junto à Gran7 auxiliando na estruturação de arranjos no mercado financeiro. A assessoria jurídica foi feita pela Freitas, Leite e Avvad Advogados.

Segundo Gustavo Vaz, sócio da VGRI, o FIDC dará o funding de capital de giro necessário para essa expansão. "Permite acompanhar esse crescimento com previsibilidade, casando o ciclo do recurso com o ciclo da safra", disse. A Ceres Asset é a única investidora das cotas seniores, enquanto a Gran7 retém integralmente as cotas subordinadas.

A projeção da Gran7 é faturar R$ 500 milhões na safra 2026/2027, mostrando um avanço contínuo ao longo dos anos. Na temporada 2024/2025, data da última entrevista com a empresa, o faturamento rondou os R$ 300 milhões.

"Dada a dinâmica recente do setor, a prioridade da empresa não é abrir clientes novos em volume e sim atuar com produtos com tecnologia de ponta e aumentar o nível de serviço na base atual", continuou Vaz.

O modelo de negócio da empresa envolve a distribuição de produtos exclusivos e diferenciados de terceiros, que podem ser ou não embaladas com uma marca própria.

A Gran7 não possui indústria própria e aposta em repetir o que multinacionais fazem ao comprar glifosato de outras formuladoras e rotularem com marca própria - mas com produtos de fisiologia e nutrição vegetal.

A companhia atua com 100% das vendas feitas diretamente ao produtor rural e conta com uma inadimplência abaixo de 5%. Segundo Vaz, da VGRI, o índice, abaixo do mercado, é uma "consequência direta do modelo de negócio".

O atual CEO, Tomas Luza, faz parte da segunda geração da família a comandar a Gran7. Seu pai, Lauro, juntou a família de mala e cuia e foi para a Bahia em 1988.

No Sul, atuava em uma revenda e decidiu ser dono da própria loja na Bahia. Em 2008, o patriarca resolveu trocar um pouco o viés do negócio e firmou sociedade com uma indústria gaúcha de insumos.

Depois de alguns anos e problemas com sócios, a família Luza, decidida a continuar com foco na Bahia, adotou um modelo de negócio focado na prestação de serviços.

Esses anos atuando junto à fábrica deu o know-how de fornecedores e preços, e nos primeiros anos de vida, a empresa atuou com linhas "commoditizadas", com produtos mais simples, como aminoácidos.

Em 2015, a empresa optou por não construir indústria e atuar num modelo B2B, já com Tomas mais à frente dos negócios. O grande dilema era: a Gran7 não queria ter indústria própria e ser competitiva no mercado. E como ser competitivo se a empresa que vendia os produtos mais simples competia nas vendas junto ao produtor? Buscando compostos mais exclusivos e diferenciados.

Resumo

  • Gran7 capta R$ 100 milhões com a Ceres para financiar expansão no Centro-Oeste, com foco especial no Mato Grosso.
  • Empresa projeta faturar R$ 500 milhões na safra 26/27
  • Com modelo sem indústria própria, companhia aposta em produtos diferenciados e vendas diretas para ampliar a presença regional.