A Sumitomo Chemical quer dobrar de tamanho no Brasil até 2030. E uma das apostas para chegar lá é ampliar uma frente que já faz parte da operação há décadas, mas que há pouco tempo passou a ser reunida sob uma nova denominação: os BioRacionais.

A operação brasileira faturou R$ 4,1 bilhões no ano civil de 2025 e deve crescer entre 7% e 8% neste ano. Os BioRacionais respondem atualmente por 18% do volume de vendas e cerca de 25% do resultado. Segundo a empresa, essa participação deve permanecer próxima desse patamar nos próximos anos, enquanto a companhia pretende crescer com novos produtos e ampliar a presença da categoria no mercado brasileiro.

A estratégia ganhou um novo capítulo nesta semana, com o lançamento do TopGrain, tecnologia baseada em ácido abscísico - formulação exclusiva da empresa - voltada para soja e milho. O produto atua no enchimento de grãos, fase em que a disponibilidade de água e a capacidade da planta de administrar seu metabolismo podem fazer diferença no peso final produzido por hectare.

O TopGrain não entra no lugar de um fungicidas, herbicidas ou inseticidas. A lógica é complementar: enquanto os químicos protegem a planta de ameaças externas, os BioRacionais procuram ajudar a própria planta a utilizar melhor seus recursos.

“Enquanto o químico vem protegendo essa cultura do ataque de fungos, de ervas daninhas, de insetos, os biorracionais vêm para ajudar a planta a expressar todo o potencial produtivo. E eles são completamente compatíveis. Aliás, eles são complementares”, afirma Alexandre Pires, diretor-geral da Sumitomo Chemical no Brasil.

A divisão entre as duas frentes ajuda a explicar o espaço que a empresa enxerga para os BioRacionais. Globalmente, a Sumitomo Chemical faturou cerca de US$ 15 bilhões em 2025 e destina 7,5% da receita a pesquisa e desenvolvimento. Na área de proteção de cultivos, a companhia avalia cerca de 150 moléculas por semana, ou aproximadamente 7,8 mil por ano, até chegar ao lançamento de, em média, um novo ingrediente ativo a cada dois anos.

É uma estrutura que também alimenta a estratégia de BioRacionais. A Sumitomo mantém em Libertyville, nos Estados Unidos, um Centro Global de Excelência em Inovação em BioRacionais, criado a partir da integração de negócios que já atuavam com reguladores de crescimento e soluções biológicas e de origem natural.

A companhia está nesse mercado há mais de 60 anos. Em 2000, ampliou sua presença global com a aquisição do negócio de produtos agrícolas e de saúde pública da Abbott, que levou para seu portfólio tecnologias como o ProGibb, lançado originalmente em 1962, e o DiPel, bioinseticida lançado em 1971.

Mas em 2025 a nova categoria foi "promovida" dentro da estrutura. A então Valent BioSciences, que reunia os negócios adquiridos. passou a adotar a denominação Sumitomo BioRational Company, reforçando uma estratégia global de organização desse portfólio. No Brasil, a mudança de nomenclatura entrou em vigor neste ano.

A categoria é mais ampla do que a ideia de “biológicos” que ganhou espaço no agronegócio brasileiro nos últimos anos. A Sumitomo trabalha com quatro grandes grupos: saúde do solo, produtos para melhoria do desempenho das culturas, reguladores de crescimento e, agora, soluções voltadas ao enchimento de grãos.

“O Brasil dobrou a área de cultivo nos últimos vinte anos e não acreditamos que nos próximos vinte dobrará de novo. O agricultor vai explorar cada vez mais aquela área, para ter o melhor rendimento, estabilidade produtiva. E acho que podemos ajudá-lo muito com os BioRacionais”, afirma Henrico Bizão, gerente de BioRacionais da Sumitomo Chemical no Brasil.

Os números da categoria ainda mostram espaço para avanço. Os executivos estimam que os BioRacionais estejam presentes em cerca de 10% da área tratada com produtos de proteção de cultivos no País. Hoje, Estados Unidos e Europa têm mercados mais desenvolvidos, embora apresentem crescimento mais lento na categoria.

No Brasil, por outro lado, a categoria cresceu 14% em 2024 e 17% em 2025 e o País já responde por 76% das vendas de BioRacionais da Sumitomo Chemical na América Latina.

A empresa também vê uma característica particularmente interessante no negócio: a taxa de recompra dos BioRacionais é superior à média do portfólio. Isso significa que, além de conquistar espaço em novas áreas, a companhia trabalha com produtos que podem ser incorporados novamente ao manejo nas safras seguintes.

O TopGrain é a principal novidade dessa estratégia neste momento. Produzido nos Estados Unidos e lançado simultaneamente com foco em mercados como Brasil, Estados Unidos e Índia, o produto utiliza ácido abscísico, uma substância que a própria planta produz naturalmente.

“Hoje, as principais produções que a gente tem são ácidos produzidos biologicamente pela própria planta. É um ácido giberélico, ácido abscísico. Por que é BioRacional? Porque eles já são biológicos, então a gente só sintetiza isso de uma maneira estruturada para poder potencializar”, explica Luciano Jaloto, diretor de Marketing da Sumitomo Chemical no Brasil.

A ideia é fornecer o composto no momento em que a planta precisa dele. No caso do ácido abscísico, o produto atua na regulação dos estômatos, estruturas responsáveis pelas trocas gasosas e pela perda de água da planta.

“O que o TopGrain faz? Ele ajuda desde esse momento a ter uma gestão melhor de abertura e fechamento dos estômatos para a planta perder menos água quando está no calor. Ou quando está num momento propício, ele abre esses estômatos para que a planta possa absorver mais CO2. Então, assim, ele trabalha nessa regulagem da fisiologia, do processo fisiológico natural”, explica Jaloto.

Em termos práticos, a expectativa da empresa é acrescentar até três sacas de soja por hectare e sete sacas de milho por hectare. O custo da aplicação deve ficar abaixo do valor de uma saca, segundo os executivos.

“São ácidos que a própria planta já produz, então já é natural dela. No momento que ela precisa, você pode suportar a planta com esses ácidos que ela já produz naturalmente para estimular mais a produtividade dela”, completa Alexandre Pires, que compara o efeito a uma vitamina no corpo humano.

O portfólio brasileiro dos BioRacionais já vai além de soja e milho. A empresa trabalha com soluções para cana-de-açúcar, algodão, maçã, uva e prepara um novo produto para pastagens.

Resumo

  • Sumitomo Chemical mira dobrar operação no Brasil até 2030, com BioRacionais já responsáveis por 25% do resultado local
  • Nova tecnologia TopGrain para soja e milho pode elevar produtividade em até 3 sacas e 7 sacas por hectare, respectivamente
  • Brasil já responde por 76% das vendas de BioRacionais da Sumitomo na América Latina, após avanço de 17% da categoria em 2025