A mineira Laticínios Aviação nasceu e fez seu nome em torno da icônica latinha de manteiga laranja, querida por consumidores de diferentes gerações.
Ao longo das décadas, a marca passou a ocupar outros espaços nas gôndolas, com produtos como requeijão, doce de leite e café.
Mais recentemente, também ampliou sua presença por meio de colaborações inusitadas com outras marcas, em um movimento que chama atenção justamente porque a Aviação não costuma fazer grandes investimentos em marketing.
A Pipó Gourmet, por exemplo, criou uma pipoca sabor manteiga Aviação. Já a Zinho, fabricante de pães de alho, lançou um pão recheado com a manteiga da marca.
Por trás da estratégia está uma tentativa de diversificar a marca sem abrir mão do principal ativo construído ao longo de sua história: a força e o prestígio da sua marca.
Ao levar esse sabor para outras categorias e produtos, a Aviação amplia os pontos de contato com o consumidor, apresenta a marca a quem ainda não a conhece e, ao mesmo tempo, reforça e consolida no imaginário, e no paladar, de diferentes públicos a associação da Aviação à manteiga.
"Nós temos um produto que, além de ter qualidade centenária, também carrega apelo emocional pela marca muito grande. Isso acaba agregando valor em outros produtos", avalia Fernando Alvarenga, acionista da Aviação, em entrevista ao AgFeed.
Com a diversificação do portfólio, que amplia a presença da marca nas gôndolas sem tirar da manteiga o posto de carro-chefe, a Aviação, que fatura mais de R$ 600 milhões por ano, espera crescer 10% em 2026, após avançar 8% nos últimos anos.
“A gente está bem satisfeito. Apesar das dificuldades, estamos conseguindo superá-las bem”, analisa Alvarenga, bisneto e tataraneto dos fundadores da empresa, além de filho do CEO, Geraldo Alvarenga. “Eu sou a quarta e a quinta geração ao mesmo tempo.”
A Aviação ainda é desde sempre foi uma empresa familiar. A empresa foi criada pelas famílias Gonçalves e Sales em 1920, que adquiriram um armazém em São Paulo (SP) e, paralelamente, um laticínio em Passos (MG), município do Sul de Minas.
No momento em que a empresa começou, fazia menos de 20 anos que Santos Dumont tinha voado com o seu avião, o 14-Bis, pelos céus de Paris, em 1906, e que os irmãos Wright haviam pairado no horizonte da Carolina do Norte, nos Estados Unidos com o Wright Flyer, em 1903.
Como a aviação era uma novidade, nada melhor do que dar nome à nova empresa, justamente para chamar a atenção do público.
Inicialmente o primeiro avião que figurava nos rótulos era um biplano monomotor. Mais tarde, em 1936, foi a vez do trimotor Junker 52, que havia acabado de realizar um voo entre São Paulo e Rio de Janeiro, tomar espaço, figurando nas latinhas até hoje, com pequenas alterações feitas na última década.
A Aviação fez sua fama a partir da manteiga, inicialmente vendida apenas em lata e, depois, em tabletes. Mas, com o tempo, vieram outros itens, como o requeijão cremoso, o doce de leite, o queijo mussarela fatiado, e, na década passada, o café.
A manteiga ainda responde por cerca de 60% do faturamento, mas produtos como doce de leite, café, requeijão e queijos vêm ampliando sua participação, conta Fernando Alvarenga.
Isso acontece não necessariamente com a introdução de novos produtos, mas com mudanças de comportamento dos consumidores. Nesse contexto, o doce de leite da marca, por exemplo, ganhou novo vigor recentemente com a onda fitness.
“Hoje é um produto que cresce muito hoje dentro do nosso portfólio, porque o pessoal aderiu ao doce de leite no pós-treino, no pré-treino. Hoje, não é mais só para panificação, tem a turma que compra doce de leite para treinar”, avalia Alvarenga.
A Aviação também continua buscando a consolidação de seu café no mercado, que começou a ser vendido há seis anos e hoje é oferecido ao consumidor desde as embalagens mais populares no mercado, de 500g, até cápsulas de máquinas de café expresso.
Até em função da farta concorrência de diferentes marcas de café que disputam a atenção do consumidor, o desafio para consolidar a Aviação nesse mercado é grande, reconhece Alvarenga, mas o resultado tem sido positivo até aqui.
“Introduzir e posicionar no mercado é sempre uma dificuldade, porque tem muita concorrência, muita marca que trabalha com café. O café é um pouco ingrato nisso, porque você não tem muito pedágio para produzir um café com uma embalagem própria e oferecer e atrapalhar o mercado muitas das vezes”, avalia Alvarenga.
A vantagem, para a Aviação, é que a família proprietária também comanda o Armazém Peneira Alta, um dos principais armazenadores de café de qualidade do Sul de Minas.
Só na última safra o Peneira Alta recebeu aproximadamente 2 milhões de sacas de 600 produtores do Sul de Minas e tem como clientes gigantes do mundo do café como Illy, Stockler, Louis-Dreyfus Company e oFI, além da maior cooperativa de café do mundo, a Cooxupé, e outras cooperativas como Coopercitrus e Cocapec.
“A Aviação é cliente do armazém que compra bons cafés dos produtores do armazém, torra e vende com a marca Aviação”, explica Alvarenga.
O Peneira Alta está localizado em São Sebastião do Paraíso (MG), mesmo município onde também está instalada a fábrica da Aviação, que possui 20 mil metros quadrados.
Neste ano, a empresa está investindo R$ 10 milhões na planta, segundo Alvarenga, para melhorias de seus processos industriais, processo produtivo em geral e aumento de capacidade.
No ano passado, a capacidade de envase era de 16 mil potes e 6 mil tabletes de manteiga por hora, segundo informações do jornal Folha de S.Paulo. Neste ano, contudo, Alvarenga prefere não arriscar números atuais.
A Aviação foi eleita, neste ano, a melhor marca de manteiga e doce de leite na avaliação dos consumidores paulistanos, segundo pesquisa do Datafolha. É a quinta vez consecutiva que a manteiga mineira ganhou o troféu e também a quinta vez que o doce de leite da Aviação levou a melhor.
“As pessoas adoram a Aviação e a nossa ideia é que cada vez mais pessoas tenham essa relação de carinho com a marca”, avalia Alvarenga.
Resumo
- Aviação investe R$ 10 milhões na fábrica em São Sebastião do Paraíso (MG) para modernizar processos e ampliar a capacidade
- Manteiga ainda responde por 60% do faturamento, enquanto café, doce de leite, requeijão e queijos ganham espaço
- Expectativa é de que faturamento, que passa de R$ 600 milhões por ano, cresça 10% neste ano