Mesmo com queda acentuada nos volumes vendidos, a Fertilizantes Heringer conseguiu melhorar a maioria dos seus indicadores financeiros no segundo trimestre de 2026. Mas o câmbio desfavorável pesou e a companhia elevou o prejuízo em relação a 2025.
No total, a fabricante de fertilizantes vendeu 103 mil toneladas entre abril e junho deste ano. O volume representa uma queda de 62% ante as 274 mil toneladas entregues no mesmo período de 2025.
Em todo o primeiro semestre, as vendas feitas pela Fertilizantes Heringer caíram pela metade, para 305 mil toneladas.
Em relação às participações das principais culturas no volume entregue no trimestre, houve um aumento na proporção de soja e principalmente de café dentro das vendas da Heringer.
Em um ano, a fatia dos produtores de café nas vendas da companhia subiu de 16% para 24%. No caso da soja, a fatia subiu de 23% para 26%. O milho recuou de 24% para 22%, enquanto a cana teve a queda mais expressiva, de 13% para 8%.
Para compensar esse menor volume, a Fertilizantes Heringer conseguiu cortar custos em ritmo maior do que perder receitas. Mas o alto patamar dos juros fez o prejuízo aumentar em um ano.
A receita líquida recuou 55% em um ano, para R$ 316,5 milhões. O custo operacional caiu em ritmo maior na mesma comparação, com 58%. Assim, a companhia conseguiu ter um resultado bruto positivo de R$ 16,7 milhões.
O Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) continou negativo entre abril e junho deste ano, mas melhorou em relação a 2025. No ano passado, o resultado havia sido negativo em R$ 76 milhões. Em 2026, a perda foi pouco superior a R$ 3 milhões.
No entanto, a companhia teve um resultado financeiro bastante negativo, em decorrência da valorização do real ante o dólar nos últimos 12 meses. A despesa financeira ficou em quase R$ 40 milhões, ante um resultado positivo de R$ 97 milhões em 2025.
Assim, o prejuízo passou de pouco menos de R$ 29 milhões no segundo trimestre de 2025 para R$ 37 milhões esse ano.
Para os próximos meses, a Heringer observa que os preços dos fertilizantes continua em alta. A exceção é a ureia, que caiu 31% no decorrer do segundo trimestre e voltou para cotações próximas da média histórica.
Mas o cloreto de potássio e o MAP, composto principalmente por fósforo e nitrogênio, subiram 6% e 10% no período, respectivamente. Segundo a Heringer, os preços continuam reagindo ao conflito entre Estados Unidos e Irã, com as incertezas sobre o Estreito de Ormuz.
Resumo
- Volume vendido pela Fertilizantes Heringer caiu de 274 mil para pouco mais de 100 mil toneladas entre abril e junho
- Despesas financeiras mais elevadas agravaram o resultado e ampliaram o prejuízo na comparação anual
- Desempenho evidencia um trimestre desafiador, marcado pela queda operacional e maior pressão sobre a rentabilidade