Foram cerca de cinco meses entre um comunicado e outro. E, nesse curto período, a mudança de tom foi radical na FMC Corporation, uma das maiores companhias americanas de insumos agrícolas, com forte presença no Brasil.

No início de fevereiro passado, o CEO da empresa, Pierre Brondeau, publicou um documento com indicadores ruins e apontava, no texto, que a FMC avaliava “opções estratégicas, incluindo, mas não limitando, a venda da companhia”.

Na noite desta terça-feira, 30 de junho, um novo comunicado da companhia informou que estava concluindo esse processo. O ponto final veio com a chegada de um novo sócio, o conglomerado belga Tessenderlo Group, que vai investir US$ 400 milhões em troca de 20% das ações ordinárias da FMC.

Assim, o grupo europeu, cujos negócios vão desde insumos agrícolas até a gestão de biorresíduos, máquinas, engenharia mecânica, eletrônica e energia, passa a constar como acionista minoritário da empresa americana.

A transação confirma a avaliação de mercado de US$ 2 bilhões da FMC, que desde o ano passado vinha vendo suas ações perderem mais de 70% de seu valor, por conta de sucessivas quedas de receita e de um endividamento crescente.

Em outubro de 2025, a empresa anunciou uma ampla troca de comando, com a saída do brasileiro Ronaldo Pereira do posto de presidente global da companhia. Brondeau assumiu a cadeira e colocou em ação um plano de busca de parcerias, baseadas sobretudo no fortalecimento do balanço patrimonial, com objetivo dereduzir US$ 1 bilhão em dívidas através da venda de ativos e acordos de licenciamento.

No comunicado desta terça-feira, o CEO apontou que os recursos captados agora junto ao novo sócio serão usados dentro do mesmo plano de amortizar dívidas. Com eles, a empresa deve atingir a meta bilionária de redução do endividamento e afasta de vez a hipótese de venda cogitada meses atrás.

“Com este investimento, a FMC estará bem posicionada para executar seu plano operacional e estratégico como uma empresa independente, o que inclui o avanço de seu portfólio de P&D e a aceleração da comercialização de suas inovações”, diz o documento.

Antes do investimento do Tessenderlo, a FMC já havia anunciado outras medidas com impacto positivo em suas contas, como a captação de US$ 1,2 bilhão em uma oferta de títulos, a venda de sua operação comercial na Índia por US$ 252 milhões e, mais recentemente, um acordo estratégico de fornecimento e licenciamento com a Corteva, que lhe rendeu um pagamento inicial antecipado de US$ 200 milhões.

Além disso, fechou um acordo de sale & leaseback (venda e posterior locação) de seu edifício sede em Newark, Delaware, pelo valor de US$ 114 milhões.

"Acreditamos que as ações estratégicas e operacionais tomadas pela FMC nos últimos meses, combinadas com nossa posição de alavancagem e liquidez significativamente melhorada, trarão valor aos nossos acionistas, colocando a FMC em um caminho de crescimento, enquanto atendemos com excelência nossos clientes e mercados", afirmou Brondeau no documento.

Para o Tesssenderlo, a transação foi vista como uma oportunidade estratégica para avanaçar com uma estratégia que busca “expandir a plataforma agropecuária por meio de investimentos estratégicos em empresas âncora, nos quais assumimos uma participação minoritária em empresas de alta qualidade”, segundo definiu o CEO, Luck Track.

“A FMC oferece uma oportunidade atraente de investir em um negócio com significativo potencial de longo prazo, impulsionado por uma nova geração de moléculas patenteadas que estão renovando seu portfólio e fortalecendo sua posição competitiva".

O grupo belga tem negócios em de 100 países e, no ano passado, registrou receita consolidade de 2,8 bilhões de euros. No Brasil, adquiriu recentemente a totalidade da PB Leiner, empresa voltada à produção de colágeno e gelatina de couro bovino.

Resumo

  • FMC recebeu aporte de US$ 400 milhões do grupo belga Tessenderlo, que passa a deter 20% da companhia e fortalece seu balanço
  • Com a operação, a empresa encerra a avaliação de alternativas estratégicas, incluindo uma possível venda, anunciada no início do ano
  • Recursos serão destinados à redução da dívida, preservando a independência da FMC e acelerando investimentos em inovação e P&D