Uma forte demanda de países chave (EUA e China) somada a uma margem vantajosa na exportação. Essa é a equação que pode trazer um 2026 favorável à Minerva, segundo um relatório do Banco Safra.

A instituição financeira escreveu, levando em consideração dados referentes à segunda semana de maio publicados pelo Secex (Secretaria de Comércio Exterior), que dentre as proteínas, o cenário mais construtivo está justamente na carne bovina.

Some-se isso ao perfil exportador da companhia dos Vilela de Queiroz e o resultado pode ser positivo para os próximos balanços da Minerva.

Os dados da pasta mostraram que as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada somaram 141,3 mil toneladas de embarques até a segunda semana do mês.

A receita obtida foi de US$ 913,25 milhões no período, com uma média diária faturada em US$ 91,3 milhões, com um volume médio de 14,1 mil toneladas por dia útil. O faturamento médio diário é 69,1% maior em relação ao mesmo período do ano passado, quando foi de US$ 54 milhões. O preço médio pago pela carne bovina brasileira exportada foi de US$ 6,46 mil por tonelada até o momento.

Em volumes, mesmo com uma queda de 35% no indicador médio diário, indicando uma normalização depois de um início do mês de muito movimento, o acumulado do mês segue positivo: com alta de 12% em relação a abril e de 36% na comparação anual.

Olhando sob a ótica monetária, os preços médios de exportação das proteínas animais também melhoraram. Houve alta de 5% na comparação semanal, além de avanço de 1% no acumulado de maio e de 5% em relação ao mesmo período do ano passado.

"Como os preços externos tiveram desempenho melhor do que o boi no mercado doméstico, a rentabilidade da exportação mostrou melhora no período", diz o analista do banco, Ricardo Boiati, que assina a análise.

O principal está na margem. De acordo com o Safra, os spreads (diferença entre a arroba do boi paga ao pecustista e a receita obtida com a venda dessa carne no mercado internacional) de exportação avançaram 6% na comparação mensal.

"O movimento é favorecido pela leve queda de 1% no preço do boi e pela alta dos preços médios de exportação", ressaltou o banco. A última cotação do indicador do boi gordo do Cepea/Esalq mostra a arroba por R$ 354,30, ou US$ 68,96.

Para o Safra, esse cenário reforça a leitura de demanda global aquecida, com destaque para os mercados dos Estados Unidos e da China. "Por isso, a tendência segue mais construtiva para a carne bovina, com impacto positivo sobretudo para a Minerva", diz o relatório.

A comparação com outras proteínas mostra o porquê da Minerva, com exposição total aos bovinos, deve se beneficiar mais dessa demanda do que concorrentes que também são grandes exportadores - JBS e MBRF.

Enquanto os spreads da carne bovina subiram 6% em maio, houve recuo de 1% nas aves e baixa de 3% nos suínos.

"A carne bovina mostra o melhor sinal de curto prazo, apoiada por preços de exportação mais fortes e custo doméstico mais comportado. Já aves e suínos ainda enfrentam pressão vinda dos insumos, embora em graus diferentes", diz o Safra.

A própria Minerva espera um mercado externo aquecido até o final do ano.

Em uma conversa com jornalistas feita há duas semanas, depois da divulgação do balanço do primeiro trimestre da empresa, o CEO da companhia, Fernando Queiroz, citou que os patamares de exportação devem continuar fortes para a China mesmo com as salvaguardas do gigante asiático, que, segundo projeções do mercado, deve fazer com que a cota brasileira seja cumprida até metade do ano.

"O nosso acesso ao mercado chinês é pulverizado via nossas operações na Argentina, Brasil, Colômbia e Uruguai. Mas também destaco as oportunidades no Sudeste Asiático, onde países como Indonésia, Vietnā, Malásia, Tailândia e Filipinas seguem ampliando o seu nível de consumo de carne bovina".

Segundo Queiroz, a companhia não aumentará o abate em outros países para fazer com que a China permaneça no top 1 de compradores. O que muda é a origem.

"O que muda é que, no ano passado, o Brasil fez a maior parte das exportações e agora vai reduzir esse percentual, mas Argentina, Uruguai e Colômbia vão aumentar e os outros países atendidos vão absorver o volume brasileiro que iria para a China", disse o CEO.

A Minerva ainda mencionou no balanço que o México alcançou 4% da receita de exportação, tanto pela demanda interna quanto pela oportunidade de atender o mercado americano com mais facilidade.

Somente no primeiro trimestre, a empresa somou R$ 7,93 bilhões em vendas no mercado externo e R$ 6,54 bi no interno, avanços de 19% e 23% em um ano, respectivamente. Da receita de exportação, 24% vieram das vendas para a China e 18%, das vendas para os EUA, principais destinos.

Na avaliação do Safra, além da continuidade da demanda chinesa e norte-americana, o mercado está atento a outros dois vetores: o comportamento dos custos de grãos, que, segundo o banco, "será decisivo para a rentabilidade de aves e suínos", e a trajetória dos preços de exportação, que pode reforçar ou limitar os spreads.

"Por enquanto, a fotografia de maio indica um setor ainda saudável, com acomodação natural dos embarques após uma abertura de mês muito forte e com sinais de melhora mais nítidos na carne bovina", diz o Safra no relatório.

Resumo

  • Exportações de carne bovina somaram US$ 913 milhões até metade de maio, com preços e margens em alta para frigoríficos
  • Banco Safra avalia que Minerva deve capturar melhor momento da proteína bovina por forte perfil exportador
  • Companhia aposta em China, EUA e Sudeste Asiático para sustentar demanda aquecida ao longo de 2026