O mar do mercado de defensivos não está para peixe, isto não é novidade para ninguém. Mesmo diante do marasmo, algumas empresas encontram motivos pra comemorar.

É o caso da multinacional Basf, que divulgou seus números do primeiro trimestre do ano nesta quinta-feira, 30 de abril. A companhia de origem alemã vendeu 16,02 bilhões de euros, cerca de 488 milhões de euros abaixo (ou queda de cerca de 3%) em um ano.

No balanço, a empresa cita que efeitos cambiais, principalmente relacionados ao dólar americano e ao renminbi chinês, influenciaram negativamente as vendas em todos os segmentos.

"A pressão da concorrência levou à queda dos preços nos segmentos de Produtos Químicos, Materiais, Soluções Industriais, Nutrição e Cuidados Pessoais e Soluções Agrícolas. No segmento de Tecnologias de Superfície, os preços ficaram significativamente acima do nível do mesmo trimestre do ano anterior, principalmente devido à alta dos preços dos metais preciosos", diz a Basf.

Na prática, a Basf até vendeu mais em volume, mas teve preços menores compensando a alta. A empresa cita uma queda de 1,2% nos preços, na média, e um avanço de 4,3% nos volumes consolidados.

Mesmo assim, o lucro líquido da empresa avançou 14,8% e chegou a 927 milhões de euros.

O principal fator para esse avanço foi a redução dos chamados itens extraordinários. No primeiro trimestre de 2025, esses impactos negativos tiraram 432 milhões de euros do resultado. Agora, caíram para 173 milhões negativos: uma melhora de quase 260 milhões de euros direto no resultado.

Além disso, a empresa contou com ganhos fora da operação. O resultado de participações melhorou e houve entrada relevante de dividendos, além de efeitos positivos com venda de ativos, ajudando a elevar o lucro antes de impostos para 1,09 bilhão de euros, alta de 8,4%.

O resultado operacional antes de depreciação, amortização e itens especiais (Ebitda antes de itens especiais) diminuiu em 140 milhões de euros de um ano para cá, chegando a 2,35 bilhões de euros.

Os itens especiais no EBITDA representaram um prejuízo de € 170 milhões no primeiro trimestre de 2026. Os encargos especiais foram incorridos principalmente em decorrência dos programas de redução de custos em andamento, especialmente o programa focado na unidade de Ludwigshafen.

A Basf cita que os segmentos de Químicos, Soluções para a Agricultura e Nutrição & Cuidado apresentaram queda nos resultados, enquanto o indicador melhorou nos segmentos de Tecnologias de Superfície e Materiais. Já os resultados do segmento de Soluções Industriais mantiveram-se no nível do ano anterior.

Os itens especiais representaram um prejuízo de 170 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026. Os encargos, segundo a Basf, são decorrentes de programas de redução de custos.

Olhando por segmento, esse Ebitda antes de itens especiais ficou em 1,1 bilhão de euros nas soluções para agricultura, uma queda frente aos 1,2 bilhão vistos no primeiro trimestre de 2025.

Por região, a Basf cita que viu a receita aumentando com maiores volumes na Europa e caindo na América do Norte com efeitos cambiais negativos referentes ao dólar.

Na região que compreende América do Sul, África e Oriente Médio, houve uma "queda significativa nas vendas", de acordo com a empresa, principalmente devido à redução do volume na África.

"Na América do Sul, os preços mais baixos foram compensados ​​pelo maior volume de vendas de produtos para tratamento de sementes e proteção de cultivos. Os efeitos cambiais tiveram um impacto adverso", continuou a Basf em seu balanço.

As vendas também diminuíram substancialmente na região da Ásia/Pacífico, principalmente devido aos efeitos cambiais negativos. Até houve um ligeiro aumento no volume na Coreia do Sul e Índia, que compensaram parcialmente a queda.

Olhando para o ano completo, a empresa projeta encerrar 2026 com um Ebitda (antes de itens especiais) entre 6,2 bilhões de euros e 7 bilhões de euros, um fluxo de caixa livre entre 1,5 bilhão e 2,3 bilhões de euros.

Devido ao conflito no Oriente Médio e a incerteza sobre seu desenrolar, a Basf alterou suas projeções para o cenário econômico global, mas não mudou suas perspectivas de negócio.

"As projeções feitas em fevereiro sobre o crescimento do PIB global, da produção industrial e da produção química podem se mostrar otimistas demais. O preço do petróleo pode ser superior ao previsto, devido à produção e às exportações prejudicadas pelo conflito no Oriente Médio. O dólar americano pode se valorizar em relação ao euro", diz a multinacional.

Resumo

  • Receita da Basf cai 3% no trimestre para 16 bi de euros mesmo com mais volumes. Preços menores e câmbio pressionaram resultado
  • Lucro sobiu 14,8%, a 927 milhões de euros, com impacto menor de itens extraordinários
  • Ebitda ficou em 1,1 bilhão de euros nas soluções para agricultura, ligeira queda em um ano