Um adesivo colado no vidro da imponente máquina laranja exposta logo na entrada do estande da Jacto na Agrishow 2026 informa: “Vendida para Alcoeste Bioenergia”. É um registro histórico para a fabricante brasileira de máquinas agrícolas: a transação com a tradicional companhia sucroenergética com sede em Fernandópolis, no Oeste paulista, foi a primeira envolvendo a Hover 500, que marca sua entrada no mercado de colhedoras de cana-de-açúcar.
Principal lançamento da empresa na edição deste ano do evento, o equipamento é fruto de quase dez anos de desenvolvimento para levar a Jacto a um novo patamar.
“Esse é um momento muito especial para nós”, afirma Carlos Daniel Haushahn, CEO da multinacional fundada em 1948 pela família Nishimura em Pompeia, no Interior de São Paulo.
“Nós sempre tivemos uma participação muito boa na cana, sobretudo no mercado de pulverização. O que nós estamos fazendo agora é avançar estrategicamente para um segmento que a gente acredita bastante, sobretudo quando a gente entra no assunto dos combustíveis renováveis”.
O avanço foi estudado de forma cautelosa. Segundo Haushahn, a Jacto está confiante com o produto novo “porque a gente validou, trabalhou muitos anos para ofertar para o mercado quando ele estivesse pronto mesmo, e não fazer teste de mercado”.
A Hover 500 coloca a Jacto em condições de disputar palmo a palmo com gigantes globais do setor, graças às inovações embarcadas e à robustez da máquina, projetada para oferecer mais produtividade e eficiência, com preservação do canavial e economia de combustível.
A colhedora de duas linhas tem como diferenciais a plataforma flutuante, que permite a adaptação da máquina às irregularidades do solo. Com isso, o corte de base é realizado na altura ideal, sem arrancar a soqueira ou levar impurezas minerais para dentro da máquina, um sistema inovador garante a longevidade do canavial e a qualidade da matéria-prima.
Além disso, a bitola de 2,70 metros foi dimensionada para que a colhedora trafegue exatamente nas entrelinhas dos plantios convencionais de cana. Assim, coincidindo com os rastros feitos pelos tratores e transbordos, todos os equipamentos podem seguir o mesmo trilho.
Com isso, os produtores conseguem reduzir em até 60% a área compactada nos canaviais, quando se compara às colhedoras de uma linha, o que permite um melhor desenvolvimento das plantas nas safras seguintes.
No consumo de combustível, a Hover 500 promete uma economia de até 20% por tonelada de cana colhida, em virtude de avanços no sistema de transmissão mecânica e do fluxo de ar otimizado. E também por colher duas linhas simultaneamente, o que dobra a capacidade de colheita em relação aos modelos de linha única. Com isso, é possível otimizar a logística e reduzir o número de máquinas necessárias na frente de colheita.
Outro ponto inovador é o sistema de limpeza de ar. Diferente das colhedoras convencionais que usam exaustores por sucção, a Hover 500 utiliza um sistema de ventilação que sopra o ar de baixo para cima, retirando a palha e as impurezas vegetais de forma mais eficiente e com menor consumo de energia.
“Ao longo do desenvolvimento da máquina buscamos entender como poderíamos oferecer uma entrega realmente diferenciada para o produtor”, diz Haushahn.
“Hoje, quando avaliamos os principais indicadores de colheita - produtividade, perdas, impurezas vegetal e mineral e arranquio de soqueira, percebemos que a Hover 500 teve desempenho igual ou superior aos equipamentos disponíveis no mercado”.
A inauguração da nova fábrica da Jacto em Pompeia, em dezembro de 2023, também contribuiu para a viabilização da produção da colhedora. Mais ampla e dotada de sistemas automatizados com conexão 5G, a planta colocou a companhia no estado da arte em termos de manufatura, também capaz de rivalizar com as concorrentes internacionais.
“A fábrica nova já tem um espaço dedicado à fabricação da Hover 500. Inclusive foi um dos motivos que nos levou a construí-la, pois uma máquina desse porte não caberia na antiga”, diz o CEO.
Além de ajustes industriais, a entrada nesse novo segmento exigiu que a companhia estruturasse novas áreas de pós-venda, de forma a manter, para a colhedora, o mesmo nível de qualidade de serviços que já oferece nos mercados em que atua há vários anos, como o de pulverizadores.
A Jacto é reconhecida, por exemplo, pela alta disponibilidade de peças de reposição para seus equipamentos. Por isso, replicar essa oferta também para o mercado de peças para a colhedora é um dos objetivos da companhia.
“A robustez sempre foi uma característica dos produtos Jacto, que a gente está transferindo para a colhedora de cana. Mas a gente sabe que é um mercado que exige muito, sobretudo no pós-venda”, diz o CEO.
“Então, estamos criando toda uma lógica diferenciada para esse segmento, para entrarmos firmes no mercado”.