Rio Verde (GO) - Depois de um 2025 puxado por uma safra recorde em Goiás, a Rumo chega a 2026 com um cenário menos favorável no campo, mas com a expectativa de continuar crescendo no volume transportado em seu terminal de Rio Verde.

A diferença, desta vez, é o motor desse avanço, que agora é ancorado em um ganho de share sobre o transporte rodoviário em um momento de fretes pressionados.

“Mesmo com uma safra um pouco menor, a gente trabalha com a expectativa de crescer. Ainda tem muito espaço para ganhar participação de mercado”, disse Diogo Velloso, diretor comercial da companhia, durante a Tecnoshow Comigo.

Segundo ele, o terminal de Rio Verde, principal operação da companhia no estado, deve movimentar cerca de 7,5 milhões de toneladas em 2026, somando grãos e farelo (entre 6,3 milhões e 6,4 milhões de soja e milho e o restante de farelo).

No ano passado, foram 6,5 milhões somando os dois tipos de produto agrícola, o que traria uma alta de 15% neste ano. Em 2021, quando a unidade entrou em operação, o volume era de cerca de 3 milhões de toneladas.

A safra, apesar de menor, ainda será robusta no estado. Depois de uma colheita recorde de soja próxima de 22 milhões de toneladas em 2025, Goiás deve colher entre 19 milhões e 20 milhões neste ano. No milho, a expectativa é de uma leve queda de 600 mil toneladas ante cerca de 13 milhões da temporada passada.

"A Rumo está trilhando um caminho de ganhar participação em um mercado que ainda tem potencial de crescimento, isso para as estruturas tanto de São Simão quanto Rio Verde", acrescentou o diretor. A capacidade instalada no terminal é próxima das 10 milhões de toneladas.

Desde que venceu a concessão da Ferrovia Norte-Sul, em 2020, a Rumo tem investido na implantação de novos terminais. Para além de Rio Verde, a empresa conta com unidades em São Simão (GO), Alvorada (TO) e, mais recentemente, em Gurupi (TO), onde iniciou operação de farelo em parceria com a Fazendão Agronegócio.

Velloso relembrou que, nos próximos meses, a malha vai integrar outra operação no Tocantins, essa na cidade de Porangatu. Por lá, a linha férrea ajudará a escoar a produção de uma fábrica de farelo do grupo Olfar. Até o fim do ano, a malha ainda deve ganhar mais uma operação em Goiás.

"Conversamos com a Comigo e eles se mostraram otimistas para que a planta deles de farelo em de Palmeira de Goiás comece a operar já este ano. Lá será um terminal ferroviário com operação bem robusta, e a fábrica terá uma capacidade de 6 mil toneladas por dia. Estamos falando de uma exportação anual de 1,1 milhão de toneladas mais ou menos", contou o diretor.

Na abertura da Tecnoshow Comigo 2026, presidente do conselho da cooperativa, Antonio Chavaglia, pressionou o governador do estado, Daniel Vilela, por uma ajuda para resolver uma questão energética na unidade. Segundo ele, a planta ainda não recebeu a energia elétrica necessária por parte da Equatorial Energia.

"Estamos com um crescimento constante, ganhando participação onde já atuamos e ampliando a mancha de atuação para novas regiões, como no Tocantins mas também em Goiás", resumiu Diogo Velloso.

A foto de um momento cauteloso

Além de mandar grãos e farelo para a exportação, a Rumo também traz do Porto de Santos cargas lotadas de insumos, em especial fertilizantes. A unidade de Rio Verde transportou, segundo o diretor comercial, cerca de 500 mil toneladas no ano passado, e a expectativa - pelo menos inicial - era de crescer esse volume neste ano.

"Estamos acompanhando esse momento macro e vendo se esse produtor que vai plantar a soja lá em janeiro de 2027, com as margens mais apertadas, vai de fato vai adubar tanto. Ainda monitoramos se haverá algum risco de alguma redução de uso de fertilizantes. Apesar disso, ainda temos uma avenida de crescimento", disse o executivo.

Além do risco de desabastecimento de fertilizantes, o conflito no Oriente Médio também mexe com o preço do diesel, e consequentemente, o preço do frete rodoviário. Por mais que naturalmente as linhas férreas ganhem espaço, a Rumo não fica ilesa ao movimento.

"O reajuste de diesel obviamente impacta no nosso custo. Boa parte dos nosso custo variável é diesel. O ponto é que a ferrovia é a mais eficiente do que as outras alternativas logísticas. Então você pega o consumo em tonelada por litro entre ferrovia até o porto versus uma que vai caminhão, é nítido que o aumento no preço é mais sensível para o outro lado", explicou.

Segundo ele, mesmo com repasses contratuais de preço, a ferrovia mantém uma vantagem relativa, especialmente em rotas mais longas até os portos.

Resumo

  • Rumo prevê transportar 7,5 milhões de toneladas de produtos agrícolas no terminal de Rio Verde em 2026, uma alta de 15% em um ano
  • Enquanto amplia operação no Mato Grosso, empresa inaugura terminais na Malha Central, tanto no Tocantins quanto em Goiás
  • Rumo vê vantagem competitiva em relação ao frete rodoviário e diz que impacto da alta do diesel é menor nas ferrovias