Rio Verde (GO) - A abertura da edição 2026 da Tecnoshow Comigo foi diferente. Além do tempo mais ameno do que o normal para a época do ano, a tradicional abertura solene em auditório deu lugar a uma coletiva de imprensa mais enxuta, mas ainda assim recheada de autoridades - o governador recém-empossado do estado, Daniel Vilela, deputados, o prefeito de RV, Wellington Carrijo, e autoridades da cooperativa.

A última grande feira de máquinas agrícolas antes da principal do calendário, a Agrishow, se inicia em um momento delicado para os produtores rurais: um aumento no custo dos insumos (em especial os fertilizantes) e do diesel por conta do conflito no Oriente Médio, que encarece o transporte e frete agrícola.

Em outubro de 2025, quando o presidente do conselho da Comigo, Antônio Chavaglia, fez o lançamento do evento, ainda não havia guerra, e a mensagem de "otimismo cauteloso" se dava por preços baixos de commodities compensada por uma boa safra que se colocava a diante.

Nesta segunda-feira, 6 de abril, ao "inaugurar" de forma oficial a feira, Chavaglia não deixou o assunto de fora, mas não revisou a projeção de expectativa de negócios da feira, que pretende movimentar neste ano um montante financeiro em linha com o visto em 2025, por volta de R$ 10 bilhões. Ao longo de sua fala, chegou a dizer que "espera que saiam bons negócios".

"Embora estejamos num momento desafiador de recessão, a feira precisa trazer novidades tecnológicas e agradeço aos empresários e empresas de pesquisa que atuam para aliviar a pressão sob o agro brasileiro. A guerra prejudica ainda mais a sociedade pelo custo elevado dos insumos e dos combustíveis, o que dificulta ainda mais o produtor ter boas margens no agro", disse.

Os insumos são um ponto delicado. No ano passado, dos pouco mais de R$ 10 bilhões movimentados na feira, a Comigo informou, à época, que cerca de R$ 1 bilhão, ou 10% do total movimentado em negócios, vinha da venda de insumos por parte da cooperativa.

"Quem faz a compra de insumos agora percebe que não existe nenhuma entrega sendo feita com a rapidez que a safra exige. Está caro, assim como o transporte, e esse é um custo que será repassado para o produtor, e a conta, às vezes, fica no vermelho", acrescentou Antônio Chavaglia.

Entre críticas ao Governo Federal e à Petrobras (que desativou em 2016 sua fábrica de ureia e decidiu, no ano passado, iniciar uma retomada de atividades), o presidente do conselho da Comigo também acenou ao novo governador, Daniel Vilela, no cargo há uma semana.

Substituindo Ronaldo Caiado, que se colocou como pré-candidato à presidência, o jovem comandante do estado goiano também mencionou o conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel e disse que Goiás aderiu à MP que pretende subsidiar o diesel importado com um desconto de R$ 1,20 o litro.

Por parte de Chavaglia, contudo, não houve apenas acenos e desejos de boa sorte. O executivo pressionou Vilela por mais investimentos em infraestrutura rodoviária e também pediu ajuda para resolver uma questão energética.

Segundo ele, a unidade de esmagamento de soja de Palmeira de Goiás, cuja divulgação do investimento de cerca de R$ 1,5 foi antecipado com exclusividade pelo AgFeed em novembro do ano passado, deve iniciar uma primeira fase de operação ainda inicial no segundo semestre, mas até agora não recebeu a energia elétrica necessária.

O governador se comprometeu a ligar, na sequência da coletiva, para o presidente da Equatorial Energia e cobrar uma resposta.

Resumo

  • Tecnoshow Comigo 2026 se inicia com projeção de "empatar" negócios com 2025, em cerca de R$ 10 bilhões
  • Guerra no Oriente Médio encarece insumos e executivos da cooperativa se mostram preocupados com margem de produtores