Luz no fim do túnel? O resultado final de 2025 na Fertilizantes Heringer segue no vermelho, mas olhando em retrospecto, a diretoria da empresa deve estar comemorando o balanço divulgado na noite desta sexta-feira, 27 de março.

No acumulado do ano, a companhia pertencente à Eurochem registrou um prejuízo líquido de R$ 172 milhões, reduzindo em 85% seu prejuízo líquido de 2024, de R$ 1,1 bilhão.

A Heringer começou o ano de 2025 com um lucro líquido de R$ 59,7 milhões, mas amargou prejuízos subsequentes nos trimestres seguintes: R$ 28 milhões negativos no segundo trimestre, R$ 13 milhões negativos no terceiro e agora R$ 189 milhões de prejuízo líquido no quarto trimestre.

A receita líquida do ano passado completo atingiu R$ 4,09 bilhões, uma redução de 11% em relação aos R$ 4,6 bilhões do ano anterior. Segundo a Heringer, o desempenho está ligado a uma retração de volumes de cerca de 24% no ano.

No mix de culturas atendidas, o café representou 31% das vendas, seguido do milho (23%), soja (21%) e cana-de-açúcar (9%). O milho foi quem mais ganhou espaço no mix de um ano para o outro.

A estratégia de vendas da empresa foi centrada em crescer o portfólio de produtos premium, que passaram de 288 mil toneladas em 2024 para 324 mil toneladas em 2025. A venda de fertilizantes "tradicionais" caiu de 1,8 milhão de toneladas para 1,2 milhão no mesmo intervalo.

O ano de 2025 foi marcado por mudança estrutural no mix de vendas, com aumento da participação dos produtos premium e redução relativa da linha convencional. Esse movimento evidencia a evolução estratégica do portfólio e reforça a expectativa de captura de ganhos de margens futuras

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) do ano foi negativo em R$ 176,1 milhões, menor 8,4% menor do que o visto em 2024. "O número ainda é negativo refletindo uma piora operacional decorrente da redução de receita e compressão de margens", disse a empresa no balanço.

A melhora se explica por uma variação cambial positiva ao longo do ano que somou R$ 410,7 milhões, devido a um dólar mais depreciado frente ao real (de R$ 6,19 ao final de 2024 para R$ 5,50 ao final de 2025). No ano anterior, houve uma pressão negativa do câmbio em R$ 634 milhões.

A empresa projetou no balanço que o consumo brasileiro de fertilizantes neste ano permaneça em linha com 2025, em torno de 46 milhões de toneladas.

No ano passado, a empresa reajustou as suas operações. Em abril, anunciou que iria hibernar por tempo indeterminado três plantas, localizadas em Rio Verde (GO), Ourinhos (SP) e Iguatama (MG), diante da "baixa performance financeira histórica e viabilidade econômica das plantas no contexto atual de mercado".

Em contrapartida, a empresa informou na ocasião que retomaria a operação da fábrica de Paranaguá (PR), junto ao terminal portuário, com produção inicialmente voltada a elementos simples - sob a perspectiva de receber parte dos R$ 200 milhões que a Eurochem pretende investir no Brasil ao longo deste ano.

A Heringer já havia paralisado em 2024 as operações de outras duas unidades, nas cidades de Dourados (MS) e Rosário do Catete (SE). Há ainda uma outra fábrica fechada há mais tempo, a de Porto Alegre (RS), hibernada desde 2020. Ao todo, a empresa possui 14 unidades no país, entre fábricas em operação e fechadas.

Para além dos prejuízos e reajustes nas fábricas, 2025 foi marcado por duas trocas no comando da empresa. Foi em julho que a empresa anunciou que Gustavo Horbach, que estava no posto desde 2023, deixaria o posto (junto do cargo de CEO da Eurochem no Brasil), e seria substituído, na Heringer, por Rodrigo Horta.

Horta ficou na cadeira por 51 dias e foi trocado por Sérgio Longhi Castanheiro. O comandante anunciado em agosto durou seis meses no posto, e em fevereiro de 2026, outro anúncio: a troca de Castanheiro - que renunciou ao cargo  por Gustavo Oubinha, que era CFO e diretor de RI.

Ao longo dessas mudanças, a Eurochem promoveu uma série de russos a postos importantes da empresa. Em agosto, trouxe Nikolay Vasilichikov, executivo de recursos humanos global da Eurochem e Andrey Serebrennikov, advogado e ex-executivo de multinacionais como Grupo Lukoil, Grupo Metalloinvest e Amway, para o conselho.

Em fevereiro deste ano, na última troca de CEO, nomeou Vladislav Guz, executivo que já passou pela Rosneft, maior petroleira russa, para os cargos antes ocupados por Oubinha. A Eurochem é uma multinacional de origem russa, apesar de hoje ter um controle e sede na Suíça.

Resumo

  • Prejuízo líquido cai 85%, para R$ 172 milhões em 2025, apesar de Ebitda ainda negativo em R$ 176,1 milhões e queda de 11% na receita (R$ 4,09 bilhões)
  • Volume vendido recua 24%, com mudança no mix: fertilizantes premium sobem para 324 mil toneladas, enquanto linha tradicional cai para 1,2 milhão
  • AO longo do ano, Heringer hibernou e retomou fábricas e teve sucessivas trocas de CEO, em meio à reorganização conduzida pela Eurochem