No mundo dos investimentos, um dos segredos mais repetidos para impulsionar ganhos ou, pelo menos, minimizar prejuízos é a diversificação de ativos em uma carteira. Algo que pode ser aplicado também na economia real, quando possível.
Essa é uma das apostas da Agrocete, indústria paranaense de bioinsumos agrícolas. Andrea de Figueiredo Giroldo, diretora de Marketing e Desenvolvimento da companhia, ressalta que os três escritórios internacionais são parte fundamental da estratégia de crescimento para os próximos anos.
“Temos um escritório nos Estados Unidos, um no México e outro no Paraguai. Assim, conseguimos ter acesso a todos os mercados mais importantes para os insumos biológicos no continente”, revelou Giroldo em conversa com o AgFeed durante o 3º Workshop de Inteligência de Mercado da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (Anpii Bio), realizado em Campinas (SP).
Ela explica que os biológicos da Agrocete são todos produzidos no Brasil, com os escritórios funcionando como uma central de vendas para os mercados mais próximos.
Essa diversificação é fundamental principalmente em momentos difíceis do mercado brasileiro, como foi em 2025 e está em projeção para o ano de 2026.
“Estamos com perspectivas muito boas na América Central e nos Estados Unidos para este ano. Com isso, esperamos um crescimento tímido, em torno de 10% em faturamento para 2026”, explica a executiva.
Em outubro do ano passado, a Agrocete iniciou a produção em uma nova unidade voltada para produtos com base em bactérias. Foram R$ 11 milhões em investimentos realizados nessa nova planta, que tem como objetivo produzir uma categoria de organismos oposta à que já está consolidada dentro da companhia.
“O planejamento é que essa unidade tenha três etapas até chegar na capacidade produtiva total. Estamos na primeira etapa”, conta Giroldo.
Na unidade de bactérias já em pleno funcionamento, a Agrocete produz cerca de 60 milhões de doses por ano. “Com possibilidade de aumento da produção, caso seja necessário”, afirma a diretora.
Orçamento fixo e cautela
Outro segmento importante na estrutura da Agrocete é o de Pesquisa e Desenvolvimento. Por isso, a empresa fixou uma proporção de 5% do seu faturamento total direcionado para esse fim.
“Cada planta tem seu próprio laboratório. Esse investimento vai desde a prospecção do microrganismo, feita em parceria com universidades, os testes de laboratório e depois de campo. Até o registro, esse processo leva até cinco anos”, explica a diretora da companhia.
Mesmo com esse orçamento garantido, o momento do mercado de biológicos obriga a Agrocete a ter uma postura mais conservadora também na área de Pesquisa e Desenvolvimento.
Giroldo afirma que a empresa tem levado para a frente somente os projetos que têm pelo menos 80% de chance de acerto.
“Muitas vezes, começamos os testes com 50 bactérias, e sobram 10. Nesse ambiente desafiador que estamos vivendo, resolvemos fazer as contas na ponta do lápis, com os pés no chão”.
Um dos fatores que levam a essa maior cautela, segundo Giroldo, é a guerra no Oriente Médio. “Essa disparada do petróleo eleva o custo de produção no campo, com impacto na demanda, e também para nós. Encarece embalagem, logística, afeta prazo de entrega. E nós também dependemos muito de insumos importados”, diz.
Um ponto que deve minimizar as perdas para a Agrocete é a negociação antecipada na hora de comprar insumos. “Nós temos que comprar muito antes para atender o produtor dentro do calendário agrícola. Então, já temos contratos com fornecedores, só esperamos que sejam cumpridos”.
Resumo
- Agrocete projeta crescimento de cerca de 10% em 2026, impulsionado por expansão internacional e diversificação de mercados
- Nova planta de bactérias, com investimento de R$ 11 milhões, amplia capacidade produtiva e portfólio
- Cenário desafiador leva a maior cautela em P&D, com foco em projetos mais seguros e controle de custos