Na CNH Industrial, dona das marcas Case IH e New Holland, a luz no fim do túnel só deve começar a aparecer em 2027.
Isso porque, após ter registrado queda de 9% em sua receita no ano passado, que recuou a US$ 18,1 bilhões, e retração de 59,9% no lucro líquido, que encerrou o período em US$ 505 milhões, a companhia espera que as vendas de seus equipamentos continuem em ritmo lento ao longo deste ano, podendo girar entre estabilidade ou queda de 5%.
A CNHi reforça essa perspectiva mais fraca ao projetar que a demanda global por máquinas deve recuar 5% ao longo deste ano. Na avaliação da companhia, os produtores seguem enfrentando um ambiente desafiador, marcado por preços deprimidos das commodities, custos elevados de insumos e incertezas no cenário comercial.
Esses vetores devem enfraquecer "ainda mais" a demanda da indústria dos EUA por equipamentos agrícolas, avalia a CNHi, impactando diretamente os resultados da companhia, que tem como maior mercado os Estados Unidos.
"Ao entrarmos em 2026, reafirmamos nosso compromisso com o planejamento prudente da produção, a inovação estratégica e a entrega de ferro e integração tecnológica de excelência", afirmou o CEO da CNH, Gerrit Marx, em comunicado.
"Neste ano de recessão para o setor, enquanto os mercados ainda se movem lentamente, a CNH avança rapidamente em sua transformação e no engajamento de colaboradores excepcionais para cumprir nossos ambiciosos compromissos".
A perspectiva é que a margem Ebit ajustado do segmento agrícola se mantenha entre 4,5% e 5,5% neste ano e que o lucro por ação da companhia gire entre US$ 0,35 e US$ 0,45, podendo ser menor, portanto, que o lucro diluído por ação registrado em 2025, de US$ 0,41 por ação.
Diante do quadro negativo, a CNH espera que a demanda por máquinas agrícolas volte a crescer apenas no ano que vem.
No Brasil, a perspectiva é semelhante, segundo Denny Perez, diretor comercial da Case IH no país.
Na semana passada, em entrevista ao AgFeed durante o Show Rural Coopavel, evento que abre o calendário de feiras agropecuárias pelo país, Perez disse esperar que 2026 seja um ano de estabilidade para a marca no País, com uma retomada maior em 2027, ancorada por uma melhora de mercado, com a expectativa de queda nos juros, e, principalmente, pelo avanço tecnológico, com uma lógica diferente de custo, baseada em eficiência e retorno.
“Um pulverizador novo talvez vai custar um pouco mais caro do que o que o produtor tem, só que ele vai performar e economizar muito mais proporcionalmente. Nisso, o produtor faz um payback de dois anos e, dependendo do quanto ele economizar de insumos, o payback cai para um ano”, avaliou.
Os números de 2025
No ano passado, as vendas da divisão agrícola, a mais importante da companhia, passaram de US$ 14 bilhões no fim de 2024 para US$ 12,3 bilhões ao término de 2025, queda de 12% em um ano. O Ebit ajustado da divisão contraiu 47%, passando de US$ 1,4 bilhão para US$ 772 milhões. A margem Ebit retraiu de 10,5% para 6,2%.
No quarto trimestre de 2025, o lucro líquido da companhia foi de US$ 89 milhões, 49% a menos do que no mesmo período do ano anterior. No período, as vendas da área agrícola até avançaram 5%, chegando a US$ 3,6 bilhões, sob impulso especialmente de vendas mais altas na região Ásia-Pacífico, mas o resultado foi insuficiente para estancar as perdas acumuladas no ano.
Resumo
- A CNH Industrial, dona de Case IH e New Holland, projeta uma retomada mais consistente do mercado apenas em 2027
- Para 2026, a expectativa é de estabilidade ou queda de até 5% nas vendas, em meio à previsão de recuo de 5% na demanda global por máquinas
- Em 2025, a companhia registrou queda de 9% na receita, para US$ 18,1 bilhões, e tombo de 59,9% no lucro líquido, para US$ 505 milhões; na divisão agrícola, as vendas caíram 12%, para US$ 12,3 bilhões