Com margens cada vez mais pressionadas, produtores rurais da América do Norte e também do Brasil reduziram os investimentos em tecnologia ao longo de 2025, movimento que acabou afetando o desempenho da fabricante de máquinas agrícolas AGCO, controladora de marcas como Massey Ferguson, Valtra e Fendt.

E a demanda deve continuar enfraquecida neste ano, segundo a companhia, que divulgou seus resultados do quarto trimestre e do acumulado de 2025 e também as perspectivas para 2026 nesta quinta-feira, 5 de fevereiro.

Entre outubro e dezembro do ano passado, as vendas até cresceram, totalizando US$ 2,9 bilhões, alta de 1,1% em relação aos US$ 2,8 bilhões registrados no mesmo período de 2024.

Mas o resultado não foi suficiente para aliviar os números acumulados do ano inteiro. Em 2025, as vendas líquidas caíram 13,5%, atingindo a marca de US$ 10,1 bilhões, com quedas generalizadas em praticamente todas as regiões onde atua a companhia.

A perda mais forte foi na América do Norte, com US$ 1,6 bilhão em vendas, 27,5% a menos que no ano anterior. Na sequência vem Ásia, Pacífico e África, com recuo de 9,9% nas vendas, totalizando US$ 564,2 milhões, enquanto a América do Sul encerrou o ano com US$ 1,1 bilhão em vendas, queda de 7,7% na comparação anual.

Na direção oposta, a região que abrange Europa e Oriente médio registrou um leve crescimento residual. As vendas passaram de US$ 6,712 bilhões para US$ 6,736 bilhões, alta de 0,4%.

A AGCO também apresentou resultados específicos de vendas de tratores e de colheitadeiras, com números fracos.

A comercialização de tratores recuou 10% na América do Norte, 7% na Europa Ocidental e 2% no Brasil. Já as vendas de colheitadeiras recuaram 27% na América do Norte, 22% no Brasil e 5% na Europa Ocidental.

No caso brasileiro, a AGCO diz que o resultado reflete a desaceleração do mercado nacional e que a demanda por tratores maiores foi parcialmente compensada pelo aumento da procura por tratores menores e médios.

"A demanda por novos equipamentos se moderou ainda mais em todos os principais mercados, em consonância com a atual conjuntura econômica agrícola e as condições do comércio global", analisou Eric Hansotia, CEO e chairman da AGCO, que esteve em visita ao Brasil no final de janeiro.

Ainda assim, Hansotia salientou que a AGCO continuou ganhar espaço. mesmo em um ano desafiador.

"Ampliamos nossa participação de mercado global, incluindo os maiores ganhos de participação já registrados na agricultura de grande escala da América do Norte. Ao mesmo tempo, adotamos um planejamento de produção disciplinado, o que nos permitiu encerrar 2025 com níveis de estoques da companhia e da rede de concessionários significativamente menores em comparação ao ano anterior."

Ainda assim, para 2026, a AGCO projeta que a demanda siga enfraquecida. A companhia estima encerrar o ano com vendas entre US$ 10,4 bilhões e US$ 10,7 bilhões, o que representaria um crescimento de 4% a 7% em relação a 2025.

"Continuamos a esperar uma crescente adoção de tecnologias de agricultura de precisão e inteligente ao longo do tempo, embora o cenário atual esteja contribuindo para uma demanda mais fraca em muitos setores", disse Eric Hansotia.

Na América do Norte, a AGCO avalia que a atual conjuntura econômica agrícola, a evolução da demanda por exportação de grãos e os elevados custos de insumos devem continuar pressionando a demanda do setor ao longo de 2026, especialmente para equipamentos de maior porte.

No Brasil, a companhia acredita que, apesar de o País continuar mantendo uma produção robusta, a procura por equipamentos de maior porte não tem acompanhado o ritmo mais acelerado da produção no campo.

Com isso, a AGCO espera que "que os elevados custos de financiamento, o crédito restrito e a dinâmica política mais ampla continuem a limitar a procura em 2026".

Já na Europa Ocidental, a companhia espera que receitas maiores, especialmente vindas dos produtores de leite e de pecuária, assim como a frota mais envelhecida, sustentem a demanda por máquinas novas, de forma a elevar ligeiramente os números de 2025.

Ainda assim, a companhia diz que vai continuar dedicada à sua estratégia de "priorizar o produtor".

"Nosso pipeline de inovação segue robusto, com um portfólio completo de lançamentos de novos produtos projetados para ajudar os agricultores a se tornarem mais produtivos e rentáveis", disse Eric Hansotia.

"Essas ações ajudarão a equilibrar os efeitos dos baixos níveis de rentabilidade no campo e da persistente incerteza relacionada ao comércio, ao mesmo tempo em que posicionam a companhia para entregar um desempenho melhor em 2026. Estamos bem preparados para acelerar o crescimento quando a demanda se fortalecer e consolidar nosso papel como parceiro de confiança em soluções de agricultura inteligente e líderes do setor."

A AGCO prevê ainda que o lucro por ação fique entre US$ 5,50 e US$ 6, já incorporando efeitos tarifários. No ano passado, o lucro por ação foi de US$ 9,75 e o lucro ajustado, de R$ 5,78. A companhia projeta também que suas margens operacionais fiquem entre 7,5% e 8%.

Resumo

  • Com margens mais apertadas, produtores da América do Norte e do Brasil reduziram investimentos em tecnologia em 2025, afetando o desempenho da AGCO
  • Apesar de leve alta de 1,1% nas vendas do quarto trimestre, para US$ 2,9 bilhões, o ano de 2025 terminou com queda de 13,5% no faturamento, que somou US$ 10,1 bilhões
  • Para 2026, a companhia projeta vendas entre US$ 10,4 bilhões e US$ 10,7 bilhões, crescimento de 4% a 7%, mas avalia que custos elevados, crédito restrito e incertezas econômicas devem continuar limitando o ritmo do mercado