Mais um documento e mais um indicativo que a situação operacional na Raízen é quase tão difícil quanto a financeira.
Uma prévia operacional divulgada pela empresa ao mercado na noite desta quarta-feira, 28 de janeiro, mostrou o retrato do terceiro trimestre do ano-safra 2025/2026 (período de outubro a dezembro do ano passado), com menor moagem.
Segundo a companhia, foram moídas 10,6 milhões de toneladas de cana, número 25% menor frente o mesmo trimestre da temporada anterior. No acumulado dos nove primeiros meses da safra atual, a moagem já chega a 70,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, outra baixa frente aos 77,5 milhões de toneladas da temporada anterior.
A Raízen ainda pontua que o número do ano passado, usado a efeito de comparação, considera 1,5 milhão de toneladas processadas na usina Leme, que foi vendida no ano passado. Excluindo a unidade da comparação, a moagem da temporada anterior foi de 75,9 milhões de toneladas nos nove primeiros meses da safra, ainda acima do patamar atual.
A produtividade veio mista. Enquanto o ATR (Açúcar Total Recuperável), indicador que mede a qualidade e o teor de açúcar, avançou 4% para 143 quilos por hectare, o TCH (Toneladas de Cana por Hectare) - que mede a produtividade agrícola, indicando o peso da cana colhida por área - recuou 3%, para 65 toneladas por hectare.
De acordo com a Raízen, a produtividade agrícola foi impactada por um clima menos favorável na safra anterior, que apresentou uma entressafra mais seca e a ocorrência de queimadas no segundo semestre, geadas que afetaram algumas regiões produtoras e pela venda de aproximadamente 2 milhões de toneladas de cana, relacionada ao processo de otimização e desinvestimentos de ativos.
O mix de produção do trimestre foi de 56% no etanol e 44% para o açúcar, acompanhando a tendência vista em outras gigantes do setor, como São Martinho e Jalles, que reajustaram a rota para uma safra mais "alcooleira".
No acumulado dos nove meses da safra, contudo, o mix está 53% para o açúcar e 47% para o etanol, invertendo o visto no trimestre.
A Raízen vendeu 778 mil metros cúbicos de etanol próprio no trimestre, 15% menor em um ano. No acumulado da safra, as vendas do biocombustível somam 2 bilhões de metros cúbicos, também abaixo do visto nos nove primeiros meses da temporada anterior, de 2,5 milhões de metros cúbicos.
Já no açúcar, as vendas somaram 1,3 milhão de toneladas no trimestre, avanço de 13% em um ano. De abril até dezembro do ano passado, a Raízen vendeu 3,8 milhões de toneladas do adoçante, uma queda frente às 4 milhões de toneladas do mesmo recorte na outra temporada.
A Raízen divulgará seus resultados do trimestre no próximo dia 12 de fevereiro, depois do fechamento do mercado.
Resumo
- A moagem caiu 25% no trimestre, para 10,6 milhões de toneladas de cana, diante de uma produtividade afetada por seca e geadas
- A produtividade agrícola mostrou sinais mistos: ATR subiu 4%, mas o TCH recuou 3%, afetado por clima adverso, queimadas, geadas e desinvestimentos.