55 anos de história, a maior empresa do estado do Paraná e dona de um faturamento que deve encerrar novamente próximo aos R$ 30 bilhões no fechamento de 2025. Esse é um breve resumo da cooperativa agroindustrial Coamo, um dos maiores players do agro brasileiro.

A magnitude fora da curva, no entanto, não a faz atravessar incólume os ciclos adversos atuais do setor, principalmente o de preços baixos nos grãos. Mas lhe da musculatura para, apesar disso, seguir com uma agenda forte de investimentos.

O mais recente foi anunciado nesta terça-feira, 27 de janeiro, e envolve a compra de quatro armazéns no Norte do Paraná (nas cidades de Sabáudia, Assaí, Bela Vista do Paraíso e Cambé) que pertenciam ao fundo de investimentos Patria e estavam arrendados para a Belagrícola. O negócio foi fechado em R$ 136 milhões.

Ao AgFeed, o presidente da Coamo, Airton Galinari, detalhou que o Pátria colocou os ativos à venda e, depois que a Belgarícola abriu mão da preferência de compra, uma série de empresas participou do certame, que finalizou com a proposta da Coamo sendo a mais atraente.

Os ativos estavam encarteirados no fundo PLAG11, e segundo um comunicado do próprio Patria, as instalações foram adquiridas em 2020 por R$ 90 milhões, o que faz o preço vendido ser 51% superior ao investimento e ainda 24% maior do que o laudo dos imóveis do ano passado.

"A Coamo sempre cresceu se expandindo por incorporações, em sua grande maioria das vezes, de empresas e cooperativas. Esse é o modelo que adotamos também há cerca de 20 anos no Mato Grosso do Sul", disse Galinari.

O movimento ainda faz com que a Coamo, que tem sede em Campo Mourão, mais ao noroeste do estado, passe a ocupar instalações em uma região - entre Londrina e Maringá - em que tinha menos influência. Nesse local, tradings globais e a cooperativa Cocamar são mais fortes.

O negócio é estratégico e o desejo de ter maior presença nessa área consolidada do Paraná pode explicar o apetite da cooperativa pelos ativos.

"No passado, quase fomos para a região quando a Camas (Cooperativa Agrícola Mista de Alvorada do Sul) entrou em dificuldades. Na ocasião, outras cooperativas absorveram os ativos. Foi aí que decidimos ir para o Mato Grosso do Sul, em 2004, e hoje já ocupamos quase o estado todo", contou o presidente da Coamo.

"Agora, com instalações que seriam vendidas de qualquer maneira, entendemos que seria uma oportunidade para levar nosso modelo para essa região".

Apesar do modelo de crescimento via incorporações, a Coamo tem reforçado sua agenda de investimentos e verticalização nos últimos anos. Uma planta de biodiesel em Paranaguá de R$ 300 milhões, uma unidade de etanol de milho em Campo Mourão de R$ 1,7 bilhão, no Paraná, e um porto em Itapoá, em Santa Catarina, de R$ 3 bilhões são só alguns dos investimentos mais recentes anunciados pela cooperativa.

A unidade de etanol de milho deve passar a produzir neste ano, enquanto que a do biodiesel no início do ano que vem.

"Temos planos para outras indústrias. Em Dourados (MS), aumentamos a capacidade no ano passado, e em Campo Mourão, investimos na unidade de beneficiamento de algodão. Há intenção de crescer a operação industrial em Paranaguá e mais um pipeline de investimentos a serem feitos ao longo dos próximos anos", afirmou Airton Galinari.

"O pipeline engloba investir, ao longo de cinco anos, em ativos de capacidade, armazenagem, novas unidades e também na melhora do atendimento aos cooperados", prosseguiu.

A foto do momento na safra 2025/2026

O ciclo de investimento se insere em meio a uma safra de sabor agridoce. Mesmo com um atraso de 10 dias no plantio em diversas regiões, causado por um clima mais frio em novembro e uma chuva acima da média em dezembro, outras unidades da empresa já operam a todo vapor.

No oeste do Paraná a colheita já está forte, com unidades fabris da Coamo já processando "metade da safra", disse o presidente. Na região mais centro-oeste do estado, a operação pegou tração nos últimos dias, e no MS, a colheita está começando agora.

"Grande parte das áreas ainda dependem de mais uma ou duas chuvas. Contamos muito com as chuvas de amanhã até domingo, pois é o momento da formação dos grãos", disse Galinari nesta terça, 27 de janeiro.

Apesar disso, projeta uma produtividade boa, com nenhuma região com graves problemas - uma exceção frente aos anos anteriores. "É um cenário bem mais normal e, se essa chuva vier, será uma grande safra".

A Coamo deve encerrar 2025 com um resultado próximo ao de 2024, segundo Galinari, mesmo com mais volumes no recebimento de grãos e comercialização e mais vendas de insumos. Os preços baixos de grãos devem equilibrar a balança.

Em 2024, a Coamo registrou em 2024 receita de R$ 28,82 bilhões. A sobra líquida atingiu o montante de R$ 2,02 bilhões.  Foram recebidos 8,024 milhões de toneladas de produtos agrícolas, o equivalente a 133,731 milhões de sacas.

Mesmo com uma estabilidade, Galinari cita um "resultado muito bom" e relembra que a empresa devolveu R$ 200 milhões em sobras aos cooperados no início de dezembro. Mesmo antes da divulgação dos resultados, prevista para o mês que vem, projetou devolver, em fevereiro, "mais que o dobro que o distribuído em dezembro".

"O ano está bom e, apesar das dificuldades, extraímos bons resultados e começamos 2026 expandindo com uma expectativa de safra de verão melhor", disse o presidente.

"Ao mesmo tempo, começamos com uma expectativa de preços ainda mais baixos que no ano passado, que já eram deprimidos. Hoje o preço do balcão é o mais baixo dos últimos 12 meses, com R$ 112 em Campo Mourão pra saca de soja. É um número que preocupa pois está com viés de baixa pela grande oferta", finalizou.

Resumo

  • A Coamo fechou a compra de quatro armazéns no Norte do Paraná por R$ 136 milhões, ativos do Pátria que estavam no fundo PLAG11 e arrendados à Belagrícola
  • Negócio reforça a presença em uma região dominada por tradings globais e pela Cocamar, sem alterar a estratégia histórica de crescimento via aquisições
  • Mesmo com safra considerada “normal” e expectativa de bom volume, o presidente alerta para preços da soja nos níveis mais baixos em 12 meses, o que deve manter o resultado de 2025 estável.