Menos de duas semanas após publicar um novo balanço no vermelho, a Fertilizantes Heringer deu um novo sinal de dificuldade no negócio.

Em fato relevante arquivado na CVM na manhã desta quinta-feira, 27 de agosto, a empresa informou que iniciou um procedimento de mediação com credores e pediu à Justiça de São Paulo a suspensão, por 60 dias, da exigibilidade dos créditos envolvidos nessa negociação, que ainda soma medidas de cobrança, execução e constrição patrimonial.

"A medida possui natureza temporária e busca proporcionar um ambiente administrativo e financeiro mais organizado e estável para a condução da mediação, não implicando em qualquer interrupção das atividades da ou alteração no curso normal de seus negócios, não obstante o desafiador cenário macroeconômico e setorial", disse a empresa no documento.

Em nota enviada ao AgFeed, a Heringer informou que "segue operando normalmente, atendendo clientes e parceiros e mantendo o compromisso com a segurança e desenvolvimento dos colaboradores".

O valor dos créditos que serão incluídos na mediação, bem como os credores envolvidos, não foram divulgados. A aprovação do stay period ainda depende da decisão da Justiça.

No passado, entre 2019 e 2022, a empresa pertencente à Eurochem já esteve em recuperação judicial. O processo foi encerrado em março daquele ano e envolveu a renegociação de mais de R$ 2 bilhões em dívidas. No último balanço divulgado pela companhia, referente ao segundo trimestre de 2026, o passivo total somava R$ 813 milhões. A companhia não divulga sua dívida líquida.

E o restante dos números também mostra uma dificuldade. No total, a fabricante de fertilizantes vendeu 103 mil toneladas entre abril e junho deste ano. O volume representa uma queda de 62% ante as 274 mil toneladas entregues no mesmo período de 2025.

Em todo o primeiro semestre, as vendas feitas pela Fertilizantes Heringer caíram pela metade, para 305 mil toneladas. A receita líquida recuou 55% em um ano, para R$ 316,5 milhões. O custo operacional caiu em ritmo maior na mesma comparação, com 58%. Assim, a companhia conseguiu ter um resultado bruto positivo de R$ 16,7 milhões.

No entanto, a companhia teve um resultado financeiro bastante negativo, em decorrência da valorização do real ante o dólar nos últimos 12 meses. A despesa financeira ficou em quase R$ 40 milhões, ante um resultado positivo de R$ 97 milhões em 2025.

Assim, o prejuízo passou de pouco menos de R$ 29 milhões no segundo trimestre de 2025 para R$ 37 milhões esse ano.

Não obstante, a empresa vive um verdadeiro revezamento no seu comando. Em abril deste ano, a empresa anunciou a quarta alteração no cargo de CEO em menos de um ano.

Menos de dois meses depois de assumir o cargo de presidente, Gustavo Oubinha Barreiro renunciou ao posto, que foi assumido pelo executivo Danill Bazdyrev, que também passou a ocupar o posto de vice-presidente do Conselho de Administração da empresa.

As trocas começaram em julho do ano passado, quando Gustavo Horbach, que ocupava o posto desde 2023, foi substituído por Rodrigo Horta. O novo comandante ficou no cargo por apenas 51 dias e foi trocado pro Sérgio Longhi Castanheiro em agosto.

Castanheiro, por sua vez, ficou mais tempo no cargo: seis meses. Em fevereiro deste ano, renunciou ao posto e deu vez a Oubinha, que era CFO e diretor de RI da companhia. Na mesma ocasião, Vladislav Guz passou a ocupar o cargo de diretor financeiro e de RI da empresa.

Sob controle da Eurochem desde 2021, a Heringer possui 14 unidades no Brasil, somando fábricas em operação e fechadas. Nos últimos anos, hibernou as plantas de Rio Verde (GO), Ourinhos (SP), Iguatama (MG), Dourados (MS), Rosário do Catete (SE) e Porto Alegre (RS). Ao mesmo tempo, reativou a unidade de Paranaguá (PR) no ano passado após um investimento de R$ 40 milhões.

Resumo

  • Heringer busca stay period de 60 dias para negociar com credores, mas valor dos créditos não foi divulgado
  • Vendas despencaram de 274 mil para 103 mil toneladas no segundo trimestre, enquanto prejuízo chegou a R$ 37 milhões
  • Controlada pela EuroChem, companhia já passou por recuperação judicial e trocou quatro vezes de CEO em menos de um ano