Três anos depois de anunciar a compra do controle da Biotrop, o grupo belga Biofirst anunciou nesta segunda-feira, 5 de outubro, a aquisição da participação minoritária remanescente na companhia, tornando-se a única proprietária da empresa brasileira de biológicos.
Com a compra dos 15% que faltavam, o grupo europeu encerra um ciclo que começou em setembro de 2023, quando assinou o acordo para adquirir 85% da companhia por um valuation de R$ 2,8 bilhões. Com isso, cumpre agora, exatamente dentro do prazo estipulado, a previsão do contrato original de assumir o controle integral da empresa.
Segundo apurou o AgFeed, a participação restante era detida pelo fundador e ex-CEO da Biotrop, Antonio Carlos Zem, que permanece no Conselho de Administração do grupo belga. Há três anos, a Biobest, denominação á época do grupo belga, havia adquirido a participação do controlador, fundo de private equity Aqua Capital, e de outros minoritários.
Em comunicado, o Biofirst afirma que a aquisição acelera uma agenda estratégica de simplificação da estrutura, aprofundamento da integração da Biotrop em todo o grupo e destravamento de sinergias que abrangem todo o espectro do controle biológico de pragas e doenças.
"Tornar-se uma divisão totalmente integrada do Grupo Biofirst abre um patamar inteiramente novo de oportunidades para a Biotrop", afirmou Jonas Hipólito, presidente da Biotrop. "Com o respaldo da expertise e do alcance global do grupo, estamos prontos para crescer para além do Brasil e levar nossas soluções biológicas a produtores de novos mercados."
A "noiva de R$ 2,8 bilhões"
A negociação que culminou no controle integral começou a se desenhar em meados de 2023, quando o AgFeed revelou a expectativa do mercado para saber quem ia "casar" com a Biotrop — na época, uma "noiva" avaliada em R$ 2 bilhões.
O nome só veio à tona em setembro daquele ano, quando o Aqua anunciou a assinatura de um acordo vinculativo para a venda à belga Biobest, uma das líderes mundiais em biocontrole de pragas e doenças e polinização natural, em conjunto com o GIC, fundo soberano de Singapura, que também era acionista.
O acordo previa a aquisição por R$ 2,8 bilhões e já estabelecia que os 15% restantes seriam comprados após um período de transição de três anos. O negócio foi concluído em dezembro de 2023, após a Biobest levantar R$ 1,9 bilhão (365 milhões de euros) em aumento de capital para financiar a transação, e foi considerado um dos maiores M&As do agronegócio brasileiro naquele ano.
Na época, Zem, que já havia manifestado a intenção de deixar o comando da empresa, foi convencido pelos belgas a permanecer como CEO. "Pediram que eu ficasse mais uns anos. Não era exatamente o meu plano, mas vou ficar", afirmou ao AgFeed após a assinatura dos contratos.
A permanência durou até janeiro de 2025, quando o fundador anunciou a sucessão e passou o comando a Jonas Hipólito, então diretor de Estratégia e Inovação, assumindo um posto no board global do Biofirst, onde segue até hoje.
A transação também transformou a própria compradora. No final de 2024, o conglomerado belga passou por uma reorganização e deixou de se chamar Biobest para adotar a marca Biofirst.
Nessa reestruturação, a Biotrop ganhou status global e passou a ficar responsável pelo desenvolvimento e pela comercialização dos bioinsumos voltados para grandes culturas em todo o grupo, enquanto a divisão Biobest segue dedicada a macrobiológicos e polinização.
A lógica do grupo é se diferenciar justamente pela amplitude. Enquanto a maioria dos players se especializa em uma única categoria, o Biofirst reúne sob o mesmo teto todo o espectro do controle biológico, com soluções microbiológicas por meio da Biotrop e macrobiológicos e polinização por meio da Biobest. É essa posição que sustenta a ambição declarada de construir o maior "pure player" de biológicos do mundo e alcançar o top 10 da indústria agrícola global até 2034.
"Adquirir o controle total da Biotrop é um passo decisivo em nossa estratégia", disse Jean-Marc Vandoorne, CEO do Grupo Biofirst. "Isso simplifica nossa estrutura, acelera a integração e nos permite destravar sinergias em todo o grupo com mais rapidez."
A Biotrop no centro da estratégia
Sob o comando de Hipólito, a Biotrop virou o motor de crescimento internacional do grupo. A companhia brasileira faturou R$ 900 milhões em 2025, um crescimento de quase 13% sobre os R$ 780 milhões de 2023.
As missões que recebeu dos belgas são três: manter o crescimento no Brasil, fazer da Biotrop uma marca protagonista nos Estados Unidos e na Europa nos grandes cultivos e continuar investindo forte em inovação.
Nos EUA, a empresa já mantém equipe baseada na Flórida atuando nas frentes de vendas, marketing e regulatória, com planos de avançar na Europa na sequência — mercados onde já faz incursões regulatórias desde 2022, em países como Portugal, Espanha, Itália, França e a própria Bélgica.
Para Hipólito, o fechamento da aquisição das ações remanescentes encerra "uma daquelas raras jornadas de M&A em que todos ganham: os vendedores, o comprador e as pessoas que construíram e continuam construindo a Biotrop".
"Somos gratos aos nossos acionistas anteriores pelo papel que desempenharam em nosso crescimento. Agora, com a Biofirst, seguimos ainda mais fortes, com valores sólidos e uma visão clara para construir o melhor e o maior player biológico do mundo", afirmou.
Resumo
- BioFirst compra os 15% restantes da Biotrop e passa a deter 100% da empresa brasileira de bioinsumos
- Aquisição encerra acordo firmado em 2023, quando o grupo belga comprou 85% da companhia por R$ 2,8 bilhões
- Biotrop reforça papel central na expansão global do BioFirst, com foco em grandes culturas, inovação e novos mercados