A gigante alemã Basf elevou sua projeção de resultados para 2026, após registrar um desempenho acima das expectativas no terceiro trimestre.
A recuperação, entretanto, não alcançou a divisão de soluções agrícolas, cuja receita recuou cerca de 20% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto o Ebitda ajustado ficou negativo.
A companhia também reafirmou nesta quarta-feira, 28 de outubro, que pretende deixar sua unidade agrícola pronta para uma abertura de capital até meados de 2027, mantendo o cronograma anunciado anteriormente.
O desempenho mais fraco da divisão contrasta com a recuperação das demais operações do grupo, beneficiadas pelo aumento dos preços dos produtos químicos e pela maior demanda decorrente das interrupções no fornecimento de insumos do Oriente Médio.
A Basf registrou receita de € 16,4 bilhões entre julho e setembro, crescimento de 14% na comparação anual e resultado quase 5% superior às estimativas dos analistas consultados pela própria empresa.
O Ebitda ajustado, que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, excluindo itens extraordinários, alcançou € 1,64 bilhão, avanço de 15% em relação ao terceiro trimestre de 2025. O lucro líquido, por sua vez, recuou 9,8%, para € 155 milhões.
Com isso, a companhia passou a projetar Ebitda ajustado entre € 7,4 bilhões e € 7,8 bilhões para o ano completo em 2026. A estimativa anterior, divulgada em julho, variava de € 6,9 bilhões a € 7,7 bilhões.
A melhora reflete principalmente os reajustes de preços implementados para compensar os custos mais elevados de energia, além de uma recuperação dos volumes comercializados em determinados mercados.
Na região da Grande China, por exemplo, a companhia registrou crescimento expressivo dos volumes, impulsionado também pela ampliação das operações de seu complexo industrial em Zhanjiang.
As restrições ao fornecimento de produtos químicos do Oriente Médio ampliaram as oportunidades de reajuste de preços da Basf, embora a elevação dos custos de energia continue pressionando a indústria.
Agro sofre na América do Sul
Na divisão Agricultural Solutions, a receita caiu para aproximadamente € 1,4 bilhão no terceiro trimestre, retração de quase 20% na comparação anual.
Já o Ebitda ajustado ficou negativo em € 48 milhões, revertendo o resultado positivo de € 80 milhões registrado no mesmo período de 2025.
Os volumes comercializados recuaram 17,3%, enquanto os preços diminuíram 4,8%, refletindo a pressão competitiva, especialmente na América do Sul.
“O principal fator foi a queda expressiva dos volumes, decorrente, em parte, das condições desafiadoras do mercado sul-americano. A antecipação de vendas para o segundo trimestre, antes da migração do sistema ERP na América do Sul, também contribuiu para a retração”, disse Markus Kamieth, CEO da Basf.
No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, a divisão agrícola registrou receita de € 6,72 bilhões, queda de 6%, enquanto o Ebitda ajustado somou € 1,5 bilhão, retração de 11,7%. A margem Ebitda ajustada passou de 23,8% para 22,3% no período.
A companhia espera uma recuperação sazonal dos negócios agrícolas no quarto trimestre, período tradicionalmente mais forte para a divisão em comparação com os meses de julho a setembro.
Apesar das dificuldades, a Basf mantém os preparativos para separar a divisão de Soluções para a Agricultura e realizar uma futura listagem de suas ações na Bolsa de Frankfurt.
“Os preparativos para o IPO planejado da Agricultural Solutions estão dentro do cronograma, o que nos dá confiança de que o negócio estará pronto para a abertura de capital até meados de 2027. A transição das operações globais para entidades jurídicas separadas, com um sistema ERP específico para o setor, já está amplamente concluída”, afirmou Kamieth.
Oferta pela Evonik
Paralelamente à reorganização de sua divisão agrícola, a Basf avalia uma possível aquisição da também alemã Evonik, fabricante de produtos químicos especializados, aditivos para nutrição animal e ingredientes utilizados em diferentes segmentos industriais.
Segundo fontes próximas às negociações ouvidas pela Reuters, a Basf elevou sua proposta de aquisição de aproximadamente € 22,15 para € 24 por ação, o que atribuiria à Evonik um valor de € 11,18 bilhões.
A oferta anterior, estimada em € 10,3 bilhões, teria sido rejeitada pela administração da Evonik em setembro por ser considerada insuficiente.
Durante a apresentação dos resultados trimestrais, o CEO afirmou que a companhia não pretende pagar um preço excessivo para concluir a transação.
Segundo o executivo, uma eventual combinação dos negócios representa uma oportunidade de fortalecer o portfólio industrial da Basf, mas somente será realizada se gerar valor adicional aos acionistas.
Kamieth afirmou que uma combinação com a Evonik seria um passo lógico dentro da estratégia da companhia e destacou que a consolidação da indústria química europeia está em andamento.
A aquisição ampliaria a presença da Basf em produtos químicos especializados e poderia fortalecer sua posição competitiva internacional, em um cenário de pressão sobre margens, custos energéticos elevados e reestruturação da indústria europeia.
A companhia também reafirmou o compromisso de distribuir pelo menos € 12 bilhões aos acionistas entre 2025 e 2028 e ressaltou que eventuais aquisições devem respeitar sua disciplina financeira.
Resumo
- Basf amplia previsão de Ebitda ajustado anual para até € 7,8 bilhões, impulsionada por reajustes de preços dos negócios químicos
- Divisão de Soluções para a Agricultura registra Ebitda negativo de € 48 milhões no terceiro trimestre
- CEO afirma que não pagará preço excessivo pela Evonik e condiciona eventual aquisição à geração de valor para os acionistas