Na Camil, o preço do arroz continua sendo uma pedra no sapato. Na divulgação do balanço do terceiro trimestre do ano fiscal 2025 (período que acompanha a safra de arroz no Brasil), a empresa cita que o preço do seu principal produto recuou cerca de 50% no mercado, atingindo R$ 58,80 por saca.

O resultado é uma receita líquida de R$ 2,9 bilhões, 5,1% menor em um ano, mas com um lucro estável diante de margens mais fortes em outros segmentos. O resultado líquido ficou em R$ 44,1 milhões, uma variação negativa de apenas 0,6% na comparação anual.

Para além do preço do arroz, a receita líquida da Camil recuou com a queda nas vendas da categoria "alto giro" -  portfólio que contempla, além do cereal, feijão e açúcar. O preço do feijão ficou estável em um ano, mas o do adoçante recuou 25%.

Diante disso, o preço médio da categoria foi de R$ 3,45 por quilo, número 18,9% em um ano. O volume das vendas desses produtos também recuou - baixa de 8,2% em um ano para 310,8 mil toneladas vendidas.

"Na comparação anual e sequencial, a retração de volumes concentrou-se em açúcar, em um trimestre marcado
por menor nível de exportações", disse a Camil em seu balanço. Apesar disso, destacou uma melhoria na rentabilidade da categoria no período.

A estabilidade do lucro se deu em outras linhas do balanço. Na categoria "alto valor", que inclui pescados, café, biscoitos e massas - portfólio de maior valor agregado - o preço médio do segmento foi 30,7% maior em um ano, com média de R$ 16,52 por quilo. A categoria vendeu 55 mil toneladas, uma alta de 22% em um ano.

Outra diferença em relação ao terceiro trimestre de 2024 apareceu do lado dos custos. Os custos das vendas e serviços somaram R$ 2,3 bilhões, uma redução de 11,4% em um ano, passando a representar 77,3% da receita líquida.

Segundo a companhia, a queda do custo foi puxada sobretudo pelo Brasil, com recuo de 13,8% no custo dos produtos vendidos por aqui, refletindo preços mais baixos de matérias-primas na categoria de alto giro, tanto em grãos quanto em açúcar.

A Camil ainda cita que o efeito foi até parcialmente compensado pelo aumento de custos no segmento de alto valor, pressionado pela alta do preço do café. No mercado internacional - que somou 249 mil toneladas de vendas (alta de 59%) e R$ 3,51 no preço médio de venda (baixa de 39%) - o custo caiu 5,2%, com redução de preços compensando o maior volume.

O avanço do mercado internacional reflete, de acordo com a Camil, além do aumento das exportações no Uruguai, a consolidação da operação no Paraguai, após a conclusão da aquisição da Villa Oliva Rice em setembro de 2025. Esse efeito foi parcialmente compensado por menor rentabilidade no Peru, em um ambiente local mais desafiador.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) da empresa atingiu R$ 238,8 milhões, alta de 39,4% em um ano, com margem de 8,1%, avanço de 2,6 pontos percentuais também no mesmo intervalo. A operação consolidada trouxe volumes 14%  maiores na comparação anual, alcançando 616 mil toneladas.

“Apresentamos crescimento de volumes em todas as frentes de negócios: pescados, massas, cafés e biscoitos”, disse a Camil no balanço, atribuindo o desempenho à estratégia de expansão em categorias de maior valor agregado e à disciplina operacional no mix.

No fim do trimestre, a dívida líquida estava em R$ 3,84 bilhões, uma queda de 5,9% em um ano. A alavancagem se manteve estável, em 4,2 vezes, mesmo com a incorporação dos ativos paraguaios.

Os números vieram acima das expectativas do BTG Pactual. Em relatório prévio ao balanço, o banco projetou receita líquida de R$ 2,7 bilhões e um Ebitda de R$ 226 milhões, ambos abaixo do apresentado.

Os analistas estão otimistas com a empresa, e além de recomendar a compra da ação na bolsa, projetam uma valorização de quase 70% na ação até o fim de 2026.

Resumo

  • Arroz com preço 50% menor derruba a receita líquida em 5,1%, para R$ 2,9 bilhões, mas lucro da Camil ficou praticamente estável em R$ 44,1 milhões
  • Segmento de alto giro perde volume e preço, enquanto alto valor cresce 22% em volume e vê preço médio saltar 130%
  • Ebitda sobe 39,4%, para R$ 238,8 milhões, com margem de 8,1%; dívida líquida cai 5,9% e números superam projeções do BTG, que vê upside de quase 70% n a ação