Primeiro fundo de terras agrícolas do País, o Terrax, da Riza Asset, tem se mostrado atento às oportunidades do mercado, mesmo em um momento em que há menos compradores com capital disponível para investimentos de alto valor.

Nesta terça-feira, 13 de outubro, a gestora paulista informou, em comunicado à CVM, que celebrou, em 9 de outubro, a venda da Fazenda São Francisco I, em Canarana (MT), por R$ 200 milhões. O montante pode chegar a aproximadamente R$ 230 milhões, com a correção das parcelas a vencer, conforme estimativa da Riza.

A transação abrange pouco mais de 5,3 mil hectares de área total, dos quais quase 4 mil hectares de área útil, com aptidão predominantemente agrícola.

A estrutura de pagamento combina valores à vista (R$ 42 milhões), uma parte em permuta por outra área no interior paulista (uma fazenda no município de Getulina, avaliada em R$ 40 milhões) e a divisão do saldo (R$ 118 milhões) em quatro parcelas anuais, corrigidas a 10% ao ano.

“Não foi um negócio da China, mas ganhamos dinheiro com ele”, afirma Paulo Mesquita, sócio da Riza, em conversa com o AgFeed. “Mas a estratégia agora é conseguir liquidez, porque há coisa melhor para investir”.

Entre a aquisição e a venda integral da propriedade passaram-se pouco mais de dois anos. Originalmente, o Terrax adquiriu 12,9 mil hectares, em agosto de 2024, poe R$ 297 milhões, sendo R$ 92 milhões pagos à vista e um saldo de R$ 205 milhões em parcelas semestrais até 2028, corrigidas a 85% do CDI.

Ao longo desse período, o fundo desmembrou a propriedade e adotou estratégias distintas para a área. Cerca de 7,6 mil hectares, a São Francisco II, como foi chamada a fração, é predominantemente voltada à pecuária e foi vendidos aos grupos Úbere Agropecuária e Agro Gerações, segundo fato relevante publicado em abril passado, seguindo o modelo de buy to lease.

O valor foi de R$ 115 milhões, com yield de 12% ao ano, por meio de arrendamento rural e concessão de opções de compra.

Já a São Francisco I, com maior vocação agrícola, foi negociada em um modelo de venda pura junto a um investidor paulista, a um valor equivalente a 503 sacas de soja, um pouco acima do que é visto hoje na mesma região, mas abaixo do patamar de 600 sacas que, na visão do fundo, valia há alguns meses.

Ainda assim, a oportunidade de venda e o modelo da transação agradaram a Riza. Além do valor recebido à vista, a Riza entende que a área entregue em permuta – com 594,93 hectares de área total e 542,94 hectares de área útil, dos quais 488,25 hectares arrendados para o cultivo de cana-de-açúcar, a um yield de 3% ao ano – tem mais liquidez do que a propriedade no MT, podendo ser vendida com mais rapidez, como convém à estratégia da gestora.

O resumo da rentabilidade da operação como um todo, considerando a venda das duas frações da São Francisco, foi estimado com o impacto econômico positivo de R$ 5,78 por cota do Terrax, diluído ao longo de todo o prazo previsto para os pagamentos por parte dos compradores. Isso equivaleria, segundo Mesquita, a um impacto de cerca de R$ 1 por ano.

O Terrax é um dos maiores veículos de terras agrícolas listados no país, com R$ 1,8 bilhão em patrimônio. A estratégia central da casa, como explicou Paulo Mesquita, ao AgFeed durante o Congresso Andav 2026, é o sales and leaseback, em que a gestora compra a terra do produtor e a arrenda de volta, com opção de recompra em oito a dez anos.

A realização de ativos, como a venda anunciada agora, é o outro lado dessa engrenagem, quando o momento e o preço justificam. É a mesma lógica que a Riza leva a outros mercados — como no fundo de US$ 20 milhões (cerca de R$ 100 milhões), estruturado para desenvolver 22 mil hectares no Beni, na Bolívia, em parceria com a Yata Investment Management, com vendas das propriedades previstas a partir do quinto ou sexto ano de um ciclo de oito anos.

A Riza administra aproximadamente R$ 26 bilhões, dos quais cerca de R$ 5,5 bilhões dedicados ao agronegócio, em 17 fundos. Recentemente, terminou de alocar o Terrax Vintage, fundo de R$ 400 milhões captado no fim de 2025, e prepara novas captações, incluindo um próximo veículo em parceria com o Banco XP.

Resumo

  • Fundo Terrax, da Riza Asset, vende fazenda de 5,3 mil hectares em Canarana (MT) por R$ 200 milhões, em negócio que pode chegar a R$ 230 milhões
  • Operação busca ampliar a liquidez do fundo e liberar recursos para novos investimentos no mercado de terras agrícolas
  • Venda encerra ciclo de pouco mais de dois anos, após a aquisição e o desmembramento da propriedade em duas áreas com estratégias distintas