Depois do resultado bem-sucedido do segundo leilão do programa Eco Invest Brasil, voltado à recuperação de áreas degradadas, o governo federal volta a colocar o agro no centro da estratégia de transição verde.

Nesta segunda-feira, 25 de maio, o Ministério da Fazenda, em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, lançou uma nova rodada do programa com foco em inovação industrial e tecnológica, incluindo fertilizantes verdes e combustíveis sustentáveis.

A iniciativa prevê a liberação de R$ 2,5 bilhões do Tesouro Nacional em capital catalítico - recursos a um custo mais baixo, geralmente ofertados por governos e instituições de fomento acelerar projetos que exigem capital mais paciente - para impulsionar projetos que vão desde pesquisas em universidades até a expansão industrial de companhias. Considerando a alavancagem prevista, o valor total movimentado pelo programa poderia chegar a pelo menos R$ 45 bilhões e até mesmo ultrapassar este valor.

A nova etapa do Eco Invest prevê a criação de seis fundos de inovação, além de uma linha de crédito corporativo e instrumentos não reembolsáveis voltados à pesquisa aplicada e ao empreendedorismo de base tecnológica.

Os fundos serão direcionados a cadeias específicas: fertilizantes verdes, combustíveis sustentáveis avançados, automação e inteligência artificial aplicada à indústria, beneficiamento de minerais críticos, sistemas de baterias e veículos elétricos, além de química verde, biomateriais e circularidade de resíduos industriais e minerais.

Em cada um dos fundos, o Tesouro Nacional aportará R$ 1,5 bilhão para que as instituições financeiras, então, alavanquem em pelo menos duas vezes o valor inicial. "Teremos até R$ 27 bilhões só com os fundos de inovação", disse Ceron em entrevista coletiva nesta segunda-feira.

Além dos fundos, o programa também contará com uma linha de crédito corporativo, que terá R$ 1 bilhão em recursos do Tesouro para cada uma das seis teses e expectativa de alavancagem mínima de três vezes, o que pode elevar o montante total para ao menos R$ 18 bilhões.

A lógica do leilão seguirá o modelo já adotado pelo Eco Invest: instituições financeiras disputarão recursos com base na capacidade de mobilizar capital privado para cada cadeia estratégica.

Os bancos vencedores ficarão responsáveis por estruturar os fundos e linhas de crédito corporativo.

Os investidores que aportarem nos fundos poderão utilizar instrumentos de dívida conversível, modelo que combina retorno financeiro com possibilidade de participação no crescimento das empresas investidas.

As linhas de crédito corporativo seguirão o modelo padrão dos leilões anteriores, em que os bancos concedem financiamento direto às empresas.

Como contrapartida, essas companhias que receberem os financiamentos deverão investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação, incluindo parcerias com universidades e centros de tecnologia nacionais e internacionais. O modelo também permite aquisição de empresas de base tecnológica no exterior para internalização de conhecimento.

Entre os exemplos citados pelo governo como potenciais beneficiários do programa está o SAF, o combustível sustentável de aviação, considerado uma das principais apostas globais para redução de emissões de CO2 no setor aéreo.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou especialmente o potencial do programa para estimular a produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência externa do Brasil.

De acordo com o ministro, o país ainda importa cerca de 80% dos fertilizantes que consome, cenário que voltou a preocupar o governo diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio e possibilidade de desabastecimento.

"Com esses instrumentos, vamos desenvolver uma tecnologia nacional avançada, com montantes que elevam o patamar de investimento nesses setores. O Brasil passa a não apenas consumir, mas criar, exportar e liderar”, disse Durigan.

A nova rodada do Eco Invest vem embalada pelo desempenho do leilão anterior, voltado à recuperação de áreas degradadas. Na ocasião, dez instituições financeiras foram contempladas, somando R$ 16,5 bilhões em recursos mobilizados.

A expectativa do Tesouro era que os bancos agregassem mais R$ 13,7 bilhões em capital privado, totalizando R$ 30,2 bilhões para projetos de restauração produtiva em cerca de 1,4 milhão de hectares.

Os primeiros projetos financiados via Eco Invest começam agora a chegar à ponta.

Recentemente, a Coamo, maior cooperativa agroindustrial do Brasil, anunciou a emissão de R$ 500 milhões em notas comerciais para financiar a construção de sua usina de etanol de milho, prevista para ficar pronta em 2027. A operação foi estruturada dentro do programa.

Ao todo, a Fazenda estima que o Eco Invest mobilizou, em seus quatro primeiros leilões, R$ 140 bilhões em capital. Se o volume esperado se confirmar no quinto leilão, a cifra chegaria perto de R$ 200 bilhões.

Resumo

  • Novo leilão do Eco Invest Brasil terá foco em cadeias críticas para economia
  • Fertilizantes verdes e biocombustíveis estão entre setores contemplados
  • Movimentação de recursos pode ultrapassar R$ 50 bilhões