Disposto a concorrer à reeleição para o Senado por Mato Grosso, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, permanecerá no cargo até o encerramento do prazo legal para descompatibilização, em 4 de abril. Ele completará três anos e três meses à frente da pasta no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O indicado para a sua sucessão já está definido, embora ainda não anunciado oficialmente. Trata-se do atual ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, ex-deputado filiado ao mesmo partido de Fávaro, o PSD, e que atualmente despacha no mesmo edifício do Mapa, seis andares abaixo do gabinete que ocupará a partir de 5 de abril.
A expectativa é que a sucessão seja suave como uma viagem de subida no elevador do Mapa. André de Paula tem evitado declarações públicas sobre o tema, à espera do anúncio oficial. E também não é esperado que faça mudanças relevantes na equipe, pelo menos nos primeiros meses no novo cargo.
O convite verbal foi feito por Lula durante um encontro no Carnaval. O nome de Paula foi proposto pela bancada federal do PSD na Câmara, articulada pelo líder Antonio Brito, mas também levou em consideração uma avaliação da equipe do presidente, que busca aumentar a participação de representantes da região Nordeste no governo que busca a reeleição.
A decisão foi tomada no campo político. Pesou, na escolha, um aceno positivo para os parlamentares, que buscam aumentar a participação em seus redutos eleitorais por meio da indicação de emendas alocadas no Mapa.
André de Paula já foi vice-presidente da Câmara dos Deputados e mantém o diálogo com os pares, sem sinalizar qualquer ruptura nas tratativas com os empresários do agronegócio.
Se, por um lado, a movimentação do Planalto acalmou os ânimos junto aos parlamentares, sem oposição direta da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), por outro, causou tremores internos, já que o assessor especial Carlos Ernesto Augustin Augustin buscava a consolidação de seu nome para comandar o Mapa.
Historicamente ligado a Fávaro, Augustin é o responsável por projetos estratégicos do mnistério, como o Caminho Verde Brasil, que busca recursos estrangeiros para a recuperação de pastagens degradadas.
Ele surgiu como possível sucessor em uma articulação pela manutenção da atual gestão, tendo em vista que o secretário-executivo da pasta, Irajá Lacerda, também deixará o cargo no início do próximo mês para disputar uma cadeira de deputado federal nas eleições de outubro.
Sob Fávaro, a aproximação de Lula com o agro não foi óbvia. Pelo contrário. Publicamente o setor tece duras críticas à gestão petista, mas adere em peso às ações do governo que visam à expansão de mercados.
Além de consolidar marcos como o reconhecimento do Brasil, pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como livre de febre aftosa sem vacinação, apresentar resposta rápida ao enfrentamento de crises como o registro de gripe aviária em granja comercial e a taxação imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros, o Ministério da Agricultura se destacou com a abertura de quase 550 mercados para a agropecuária. Neste sentido, o caminho de Lula junto aos grandes nomes do agro brasileiro foi estreitado.
A situação fez com que nomes como o do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, e do seu sucessor na Secretaria de Comércio e Relações internacionais do Mapa, Luís Rua, circulassem entre as rodas de debate para a sucessão ministerial, em busca de apoios junto ao setor. Não passaram de especulações.
Na disputa por espaços, entrou em jogo Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, disposto a manter o quinhão do partido na Esplanada dos Ministérios. Atualmente o PSD conta com três pastas: além do Mapa, tem os comandos do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e do Ministério de Minas e Energia (MME), com Alexandre Silveira.
Na tentativa de agradar “gregos e troianos” o Planalto acenou positivamente à indicação da bancada do partido na Câmara dos Deputados.
Formado em Direito, André de Paula se estabeleceu na carreira política. Está licenciado do seu sexto mandato como deputado federal por Pernambuco, estado onde ocupou o posto de Secretário de Produção Rural e Reforma Agrária.
O MPA foi recriado por Lula no início do atual mandato, em janeiro de 2023. Antes, as atribuições da pasta estavam sob o guarda-chuva do Ministério da Agricultura. A indicação de André de Paula para a sucessão também reabre o debate acerca de uma reforma ministerial, com a retomada das funções vinculadas ao Mapa.
Depois de não ter sucesso na disputa ao Senado, em 2022, e com o convite verbal feito por Lula, o ministro da Pesca anunciou que não concorreria ao pleito deste ano e permaneceria no governo.
Augustin, por sua vez, afirmou que deixará o ministério no início de abril para disputar as eleições.
Resumo
- Carlos Fávaro deixará o Ministério da Agricultura até abril para disputar o Senado por Mato Grosso, e deve ser substituído por André de Paula
- Indicação do atual ministro da Pesca foi bancada pelo PSD de Gilberto Kassab e atendeu desejo do governo de reforçar apoios no Congresso
- Dentro do Mapa, sucessor natural seria o assessor especial Carlos Augustin, que também deve deixar ministério para se candidatar