O último relatório do Fórum Econômico Mundial (WEF), divulgado no mês de junho passado, confirma um paradoxo que define a transição energética global atualmente: 2025 fechou com investimentos recordes, mas a transição em si está se tornando mais fragmentada, com a volatilidade econômica e conflitos internacionais dificultando uma articulação internacional mais ampla.

O capital, isoladamente, já não é mais o fator limitante. Coordenação e alinhamento de políticas públicas, coalizões empresariais e a execução tecnológica baseada na ciência passam a ser elementos que também determinam o ritmo do progresso real.

Segundo o documento, embora os recursos tenham aumentado, a implementação permanece desigual, com impactos distintos entre países e blocos econômicos, tendo em vista as fragilidades em cadeia de suprimentos, a adoção de tecnologias e os custos de transição.

O ritmo desse avanço depende de fatores políticos, regulatórios e de investimentos que nem sempre seguem a mesma velocidade e que, somados a conflitos geopolíticos e flutuações macroeconômicas, dificultam a expansão de projetos de energia limpa, armazenamento e infraestrutura.

É exatamente nesse cenário que a ciência — e, em especial, as biossoluções — passa a representar uma oportunidade estratégica para acelerar a transição.

Para setores que vão da agricultura e energia à manufatura industrial, tecnologias baseadas na biologia oferecem caminhos concretos para alavancar essa transformação por meio de soluções escaláveis, eficientes e com maior resiliência aos desafios globais, aspectos essenciais para uma transição que exige previsibilidade, proximidade com os clientes e inovação contínua.

Dentro desse panorama, a América Latina, e o Brasil, em particular, se destacam. O estudo indica que o país permanece como referência regional, com investimentos e políticas públicas concretas, além de esforços contínuos para ampliar a geração renovável e fortalecer ainda mais a matriz energética limpa, apesar de desafios logísticos e regulatórios.

Mas a relevância regional não se limita ao Brasil. O documento ainda destaca avanços em outras economias sul-americanas na integração de fontes como solar, eólica e bioenergia.

Esse movimento coletivo posiciona a América Latina como um importante hub dentro deste debate global, justamente em um momento em que a diversificação energética se mostra como um fator ainda mais estratégico de soberania nacional.

As conclusões do WEF reforçam um ponto central: o Brasil e a América Latina possuem uma janela de oportunidade significativa para avançar na liderança global da transição energética.

Para isso, a continuidade da implementação de um ecossistema regional que promova diálogo constante entre governos e o setor privado é fundamental para a promoção de políticas de Estado de longo prazo, tornando a nossa região ainda mais verde, resiliente, e preparada para o futuro.

Ethel Fanny Laursen é presidente regional para América Latina e vice-presidente Sênior de Negócios de Saúde Planetária na Novonesis.