A ampliação do programa Floresta Faz Bem marca um novo passo na conexão entre a floresta e os centros urbanos. A iniciativa passa a levar produtos da sociobiodiversidade amazônica para 14 lojas do Grupo Carrefour Brasil, ampliando o acesso do público urbano a itens provenientes de comunidades tradicionais que produzem com a floresta em pé.
Mais do que ocupar espaço nas gôndolas, esses produtos representam cadeias produtivas que valorizam saberes locais, geram renda para comunidades desses territórios e contribuem para a conservação dos ecossistemas amazônicos. Cada escolha feita no supermercado carrega uma história de origem, de manejo responsável e de desenvolvimento local aliado à conservação dos ecossistemas.
É essa lógica que está por trás da expansão do programa Floresta Faz Bem, lançado em 2024 pelo Grupo Carrefour Brasil para levar ao consumidor produtos amazônicos produzidos por comunidades da região.
Ao aproximar consumidores urbanos dessas iniciativas, o programa reforça que é possível integrar economia, inclusão produtiva e conservação da floresta — transformando o ato de consumo em uma escolha que gera impacto positivo para as pessoas e para o território
Agora, a iniciativa passou a ocupar gôndolas exclusivas de produtos da sociobiodiversidade amazônica em 13 lojas do Carrefour, entre São Paulo e o Distrito Federal, chegando também a uma unidade do Sam’s Club na capital paulista.
O projeto busca dar visibilidade a produtos feitos por comunidades tradicionais, dentre elas povos indígenas, extrativistas, ribeirinhas e quilombolas, usando a capilaridade de uma rede nacional para encurtar a distância entre quem produz e quem consome.
Atualmente, o Floresta Faz Bem reúne 8 fornecedores e alcança mais de 500 famílias de pequenos produtores, incluindo indígenas, extrativistas e agricultores familiares. O sortimento soma 16 tipos de produtos, distribuídos em 36 opções, entre variações de marca, tamanho, sabor e formato de apresentação.
“Quando o cliente compra esse tipo de produto, está contribuindo para o desenvolvimento e o crescimentos dos produtores de comunidades amazônicas, gerando renda e, ao mesmo tempo, apoiando a conservação da a floresta”, afirma Júlia Carlini, gerente de Sustentabilidade do Grupo Carrefour Brasil.
Na prática, levar a sociobiodiversidade para a prateleira exige ajustes que nem sempre aparecem para o cliente. O Floresta Faz Bem começou em três unidades – duas em São Paulo e uma em Brasília –, funcionando como um laboratório para testar o modelo.
O mapeamento de fornecedores aptos a atender uma rede nacional não começou do zero. Para identificar e estruturar essas cadeias, o Grupo contou com o apoio de organizações com reconhecida atuação na Amazônia e na sociobiodiversidade, com histórico de atuação junto às comunidades locais, como a Rede Origens, o Idesam e a Conexsus. Essas instituições contribuíram para identificar e avaliar produtores com potencial ao mercado do grande varejo.
Além de fortalecer as economias locais e processos produtivos sustentáveis, os grandes objetivos do Programa são também conectar pequenos produtores ao mercado formal e integrá-los ao portfólio de parceiros de negócios da companhia. E para isso várias frentes precisaram ser trabalhadas.
“A área comercial, por exemplo, passou por um processo de adaptação para negociar com fornecedores menores e realidades bem diferentes das grandes indústrias”, diz Carlini.
Além de fortalecer economias locais e processos produtivos sustentáveis, um dos principais objetivos do programa é conectar pequenos produtores amazônicos ao mercado formal e integrá-los ao portfólio de parceiros de negócios da companhia. Para isso, diversas frentes precisaram ser adaptadas.
Ao longo de um ano, o Grupo monitorou os resultados do piloto e ouviu os consumidores por meio de pesquisas realizadas dentro das lojas. Os aprendizados serviram de base para ajustes no portfólio e para revisão de processos internos.
Entre as medidas adotadas, o Grupo revisou regras comerciais, reduziu margens para tornar os produtos mais competitivos na prateleira, zerou algumas taxas logísticas e ofereceu suporte diferenciado nos processos de cadastro e logística, respeitando a realidade das comunidades.
O sortimento também foi revisado a partir dos aprendizados durante o piloto com as primeiras 3 lojas lançadas em 2024. Hoje, as gôndolas do Floresta Faz Bem reúnem itens como castanha-do-pará, tucupi, molhos, pimentas, chocolates, farinha de tapioca e geleias.
As pesquisas em loja ainda mostraram a importância de ampliar a visibilidade dos produtos e posicioná-los em áreas de maior circulação nas lojas. No piloto do programa, as gôndolas ficavam no corredor de produtos saudáveis, espaço que concentra um público já orientado a categorias específicas, como orgânicos, sem glúten e sem lactose.
Na expansão, o Floresta Faz Bem migrou para gôndolas no corredor central, buscando alcançar um público mais amplo..
Outra lição do piloto foi que visibilidade não basta: é preciso apoiar o consumidor na descoberta de produtos menos conhecidos. A resposta veio no ponto de venda, com degustações financiadas pela rede. Os pequenos produtores não têm condição de custear isso”, diz Carlini. “Compramos kits de degustação para as lojas oferecerem ao consumidor, facilitando a experimentação e a tomada de decisão”.
O Floresta Faz Bem integra a agenda ESG do Grupo Carrefour Brasil, estruturada em três frentes principais: combate à fome e às desigualdades, diversidade e inclusão e proteção do planeta e da biodiversidade.
No pilar ambiental, Carlini destaca o Fundo de Florestas, que prevê R$ 50 milhões até 2027 para projetos voltados para rastreabilidade e de fomento à bioeconomia. A agenda inclui metas de vendas de produtos com certificações de atributos sustentáveis, como produtos orgânicos.
O Grupo também conecta o tema ao combate ao desperdício e à segurança alimentar. Em 2024, foram doadas mais de 6,5 mil toneladas de alimentos – como frutas, legumes e verduras próximos da validade ou com menor atratividade comercial – para ONGs parceiras, o equivalente a 26 milhões de refeições complementares.
Na frente climática, 2024 trouxe um avanço acima do esperado. O Grupo havia se comprometido a cortar as emissões de Escopo 1 e 2 em 38% em relação ao ano-base de 2019. O resultado superou a projeção, com uma redução de 47%, aproximando-se da meta estabelecida para 2030.
Com o Floresta Faz Bem, o Grupo Carrefour Brasil transforma o consumo em conexão e em transição alimentar: aproximando quem produz, quem escolhe e quem cuida da floresta, e mostrando que as escolhas à mesa também constroem sistemas alimentares mais justos e sustentáveis