A Bunge praticamente dobrou seu lucro líquido no terceiro trimestre de 2026, beneficiada pelo desempenho das operações de processamento de oleaginosas, incluindo o Brasil, e pelo avanço da integração com a Viterra, adquirida no ano passado.

O lucro líquido atribuível aos acionistas alcançou US$ 318 milhões entre julho e setembro, crescimento de 91,6% em relação ao mesmo período de 2025. A receita líquida avançou 7,4%, para US$ 23,8 bilhões.

Os resultados, divulgados nesta quinta-feira, 29 de outubro, mostram o melhor desempenho para um terceiro trimestre desde 2023, após amargar quedas expressivas nos mesmos períodos de 2024 e 2025.

“Nossa equipe apresentou um terceiro trimestre forte, demonstrando uma execução disciplinada e a solidez do negócio resiliente e diversificado que construímos”, afirmou Greg Heckman, CEO da Bunge, via comunicado ao mercado.

Segundo o executivo, mesmo diante das incertezas geopolíticas, das mudanças nos fluxos comerciais e das políticas governamentais, a plataforma global da empresa permitiu aproveitar oportunidades e administrar riscos.

O principal destaque operacional foi o segmento de processamento e refino de soja, cujo Ebit cresceu 62,3%, alcançando US$ 547 milhões. Em termos ajustados, o avanço foi de 18,2%.

A América do Norte respondeu pela maior parte da melhora, impulsionada pelo processamento de soja. Na América do Sul, Brasil e Argentina também apresentaram resultados superiores nessa atividade.

Os resultados só não foram melhores nos dois países porque as operações de fertilizantes e refino registraram desempenho inferior.

A Bunge não informa quanto o Brasil contribuiu individualmente para o resultado operacional do segmento. Segundo apresentação feita a investidores em março deste ano, no entanto, o País concentra cerca de 18% da capacidade global de esmagamento de soja da multinacional.

As sinergias da Viterra

O desempenho coincide com o avanço da integração entre Bunge e Viterra, que ampliou a presença do grupo nos principais mercados agrícolas e fortaleceu sua rede de originação, processamento, logística e comercialização.

A companhia elevou de US$ 250 milhões para US$ 350 milhões sua meta de sinergias anuais recorrentes com a aquisição, considerando economias operacionais e oportunidades comerciais.

No comunicado de resultados, Heckman destacou o avanço dessas iniciativas e dos investimentos destinados à expansão das operações.

“Ao mesmo tempo, continuamos avançando em nossas principais prioridades de geração de valor, incluindo as sinergias relacionadas à Viterra e os esforços para colocar em operação importantes investimentos de crescimento”, afirmou.

A integração também envolve a reorganização do portfólio de ativos no Brasil.

No terceiro trimestre, a Bunge reconheceu perdas de US$ 82 milhões relacionadas à venda para a Cofco de duas usinas sucroenergéticas brasileiras, incorporadas com a aquisição da Viterra.

Desse montante, US$ 66 milhões correspondem à desvalorização dos ativos e US$ 16 milhões a perdas com operações de proteção financeira.

O impacto foi contabilizado no segmento de comercialização de grãos e moagem, que registrou Ebit negativo de US$ 74 milhões, revertendo o resultado positivo obtido um ano antes.

Mesmo desconsiderando os efeitos extraordinários, a rentabilidade desse negócio recuou, pressionada por resultados inferiores em frete marítimo, açúcar e moagem de trigo.

Processamento

Na outra ponta, o processamento e refino de outras oleaginosas, como canola e girassol, também contribuiu para o crescimento da Bunge, com melhora dos resultados principalmente na América do Norte.

No consolidado, o Ebit ajustado da companhia avançou 11,8%, para US$ 846 milhões.

Para o conjunto de 2026, a Bunge manteve sua projeção de lucro ajustado por ação entre US$ 9,25 e US$ 9,75, mesmo diante das oscilações nas margens de diferentes negócios.

“Olhando adiante, continuamos confiantes nas oportunidades à nossa frente e na capacidade de nossa equipe de enfrentar com sucesso os desafios que surgirem”, afirmou Heckman.

Resumo

  • Bunge eleva lucro em 91,6% no trimestre, apesar de perdas com venda de usinas brasileiras
  • Companhia melhora margens no processamento de soja mesmo com redução dos volumes globais
  • Aquisição da Viterra amplia rede comercial e industrial da Bunge nos principais mercados agrícolas