A AGCO, fabricante das marcas Massey Ferguson, Fendt e Valtra, registrou receita líquida global de US$ 2,26 bilhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 8,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
O resultado, divulgado nesta quinta-feira, 29 de outubro, reflete o enfraquecimento da demanda por máquinas agrícolas, especialmente na Europa e na América Latina, com o Brasil entre os mercados mais afetados.
O lucro líquido da companhia caiu de US$ 302,7 milhões para US$ 50 milhões na comparação anual. Já o lucro ajustado por ação passou de US$ 1,35 para US$ 1,05.
Segundo Eric Hansotia, CEO da AGCO, o setor enfrenta seu ambiente de demanda global mais fraco em mais de uma década, pressionado pelos custos de produção, preços das commodities e incertezas comerciais.
"A redução da renda agrícola e as incertezas nos mercados agropecuários globais continuaram pressionando a confiança dos produtores, com uma deterioração adicional das condições na Europa, no Oriente Médio e na América Latina”, disse via comunicação oficial da empresa.
Na América Latina, a receita da companhia recuou 15,4%, para US$ 292,3 milhões. Desconsiderando o efeito cambial positivo, a retração chegou a 19,1%.
A queda das vendas e dos volumes de produção também comprometeu a rentabilidade regional, com queda de US$ 13 milhões no resultado operacional em relação ao terceiro trimestre de 2025.
O Brasil ocupa posição central nesse cenário. Segundo estimativas da própria AGCO, as vendas de tratores no mercado brasileiro caíram 17% em unidades nos primeiros nove meses de 2026, enquanto as de colheitadeiras recuaram 38%.
A companhia atribui a retração principalmente à menor procura por equipamentos de grande porte, diante dos juros elevados, das restrições de crédito e da pressão sobre a rentabilidade agrícola.
As incertezas econômicas e políticas também contribuíram para adiar decisões de investimento dos produtores, segundo a fabricante. Ainda assim, o executivo vê recuperação no horizonte.
No acumulado de janeiro a setembro, a receita da AGCO na América Latina somou US$ 775,3 milhões, queda de 16,8%, ou 22,7% em moeda constante.
Nas demais regiões, a Europa e o Oriente Médio registraram retração de 19,1% nas vendas trimestrais, enquanto a América do Norte apresentou crescimento de 34,8%.
Para o conjunto de 2026, a AGCO projeta receita entre US$ 9,8 bilhões e US$ 10 bilhões, com margem operacional ajustada próxima de 7% e lucro ajustado de aproximadamente US$ 5,50 por ação.
"Os fundamentos de longo prazo que sustentam a agricultura global permanecem intactos, impulsionados pelo aumento da demanda por alimentos e pela necessidade de maior produtividade nas propriedades rurais”, pontuou.
Abimaq confirma retração
Os dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), divulgados nesta quarta-feira, 28 de outubro, reforçam o cenário de retração apresentado pela AGCO.
Segundo a entidade, a receita líquida da indústria brasileira de máquinas e implementos agrícolas caiu 21,6% em termos reais entre janeiro e setembro de 2026, para R$ 41,47 bilhões.
As vendas destinadas ao mercado interno tiveram desempenho ainda pior, com retração de 24,8%, para R$ 34,71 bilhões no período.
Somente em setembro, a receita total do segmento atingiu R$ 5,18 bilhões, queda de 15,7% na comparação anual, apesar do crescimento de 8,2% em relação a agosto.
O enfraquecimento também aparece nos volumes comercializados. De acordo com a Abimaq, as vendas de tratores das fábricas recuaram 26% nos nove primeiros meses do ano, enquanto as entregas aos usuários finais diminuíram 17,7%.
Em setembro, as vendas de tratores das fábricas somaram 3.140 unidades, ante 6.084 no mesmo mês de 2025, uma redução de 48,4%.
Apesar da retração doméstica, as exportações brasileiras de máquinas e implementos agrícolas cresceram 12,1% no acumulado do ano, alcançando US$ 1,31 bilhão.
O contraste entre as vendas externas e o mercado interno evidencia a dificuldade enfrentada pelos fabricantes para sustentar o faturamento no Brasil, em um ambiente de crédito caro e investimentos agrícolas adiados.
Resumo
- Segundo a Abimaq, receita da indústria brasileira de máquinas agrícolas recuou 21,6% até setembro
- América Latina tem retração de 19,1% em moeda constante e pressiona desempenho da fabricante
- Após impulsionar a AGCO no início da década, mercado brasileiro enfrenta novo ciclo de baixa