Ele tem nome de “gringo” e até lembra pessoalmente o estilo dos executivos americanos, mas o diretor de serviços agrícolas e oleaginosas da ADM para a América do Sul é na verdade um gaúcho, que começou a trabalhar muito cedo na indústria de carnes e acabou construindo uma trajetória de sucesso.
Embora a ADM tenha 124 anos de história, globalmente, como uma das maiores tradings e processadoras de alimentos do mundo, no Brasil a empresa chegou somente em 1997.
Foi nesta época que Grossmann ingressou na empresa, sendo o “funcionário 118 do Brasil”, como faz questão de contar. Hoje a companhia possui 7 mil colaboradores por aqui e mais de 40 mil em todo o mundo.
“Vivi o processo de internacionalização, compramos empresas no Paraguai, fábricas de processamento de soja, A gente é pré-adolescente na América do Sul”, disse Grossmann, na entrevista ao AgLíderes, videocast do AgFeed.
Foram 22 anos fora do Brasil, com boa parte do tempo nos Estados Unidos, onde chegou a ocupar o posto de diretor de negócios de grãos e oleaginosas da América do Norte, nos últimos 4 anos.
Desde março deste ano, John Grossmann recebeu a missão de voltar ao Brasil e liderar os negócios na América do Sul, com a meta de tornar a região ainda mais relevante.
“É reconhecer o protagonismo do Brasil dentro da estratégia global da companhia. A liderança agrícola já existe, ela precisa virar uma liderança em bioenergia, em valor agregado”, ressaltou.
Essa meta de “agregar mais valor” foi repetida algumas vezes durante a conversa. Atualmente, dois terços dos negócios da ADM na região ainda correspondem à exportação de grãos, especialmente soja e milho.
Um terço da receita vem da agroindústria. No Brasil o destaque é o processamento da soja, que vira farelo, óleo, biodiesel e outros derivados, como a glicerina, além da produção de alimentos e ingredientes.
Na visão de Grossmann, há oportunidades para seguir avançando neste pilar da industrialização, com destaque para os biocombustíveis.
“Hoje o Brasil é um país que importa 30% do diesel que consome, então quando você pensa sobre esse ponto de vista, faz muito sentido a gente continuar a olhar o biodiesel com muito carinho, com muita atenção”, afirmou.
O diretor da ADM prevê que esse ano a empresa alcance novo volume recorde de processamento de soja. Em 2025, foram 5,4 milhões de toneladas, também o maior da história.
Para seguir crescendo, nas frentes de maior valor agregado, Grossmann diz que dois caminhos são considerados – o crescimento orgânico, com expansão das capacidades de esmagamento e a possibilidade de um M&A, com a eventual aquisição de indústria.
No biodiesel, o executivo vê oportunidades, mas critica a demora na implantação do B16 e a falta de previsibilidade. Quando houver o aumento na mistura obrigatória, ele admite que na ADM “certamente faria sentido investir”.
Grossmann lembra que a ADM foi a primeira trading do chamado “ABCD” (o topo do ranking com as concorrentes Bunge, Cargill e Dreyfus) a investir em biodiesel no Brasil, o que ocorreu em 2008. “É uma história de sucesso”.
E será que o próximo passo da ADM no Brasil também inclui o etanol de milho?
“É um core business da ADM nos Estados Unidos. Nós somos hoje um dos maiores processadores de milho em etanol. Certamente é um negócio que a gente está prestando muita atenção e é algo que a gente tem falado, tem discutido”, respondeu Grossmann, evitando dar mais detalhes.
Neste episódio da série AgLíderes, o diretor da ADM na América do Sul também fala sobre a perspectiva para as exportações de soja e sobre o esforço da China para reduzir a dependência do produto brasileiro.
No mercado de insumos, Grossmann revelou que a empresa segue avançando em função da forte presença das operações de barter.
Quais as perspectivas de crescimento para a ADM no Brasil nestes diferentes setores? Os detalhes você confere na entrevista completa, disponível nas plataformas YouTube e Spotify.