A reforma tributária não chegará somente com substituição de impostos. Ela exigirá toda uma nova governança de empresas que, até agora, administravam de forma superficial seus sistemas para emitir notas e pagar seus tributos.

Essa é a conclusão de Rafael Brito, CEO e fundador da Rumo Brasil, consultoria tributária que atua exclusivamente com empresas transportadoras.

“Com o mecanismo de apuração assistida, por exemplo, a Receita Federal vai cruzar os dados e vai gerar automaticamente os créditos tributários. Ou seja, todas as empresas precisarão ter um planejamento e uma governança que, na maioria dos casos, não existe hoje”, afirma Brito.

Por isso, a reforma tributária, cujas regras entram em vigor a partir de janeiro de 2027, deve triplicar o número de clientes da Rumo Brasil até o final do ano, segundo Brito.

A Rumo Brasil tem hoje cerca de 400 clientes, dos quais 80% atuam no agronegócio. Assim, a projeção do CEO da consultoria é que a carteira atinja os 1.200 clientes até dezembro deste ano.

Desde que começou a contabilizar os números, no início de 2025, a empresa afirma já gerado R$ 3,5 bilhões em performance fiscal. Esse valor corresponde a enquadramento em benefícios fiscais, créditos e recuperação de tributos.

“Nossa projeção é que essa performance fiscal alcance a marca de R$ 5 bilhões até novembro”, afirma Brito. Desse resultado, segundo informações da companhia, cerca de 70% está relacionado ao agro.

Atualmente, a Rumo Brasil atende principalmente médias e grandes transportadoras. “Meu menor cliente fatura cerca de R$ 50 milhões por ano e meu maior cliente deve chegar a R$ 5 bilhões em receita em 2026”, conta Brito.

Com a reforma tributária, a consultoria enxerga oportunidades para ampliar essa atuação, e atingir transportadoras de pequeno porte.

“Em muitos casos, essas transportadoras deixam de emitir notas fiscais. E agora, isso vai trazer prejuízos para essas empresas, elas vão precisar ter uma governança tributária profissional”.

Sonegação bilionária

Estudo feito pela Associação das Administradoras de Meios de Pagamento Eletrônico de Frete (Ampef), divulgado em março, mostra que a informalidade no frete rodoviário custa quase R$ 33 bilhões por ano em impostos não recolhidos.

O levantamento foi feito com base no consumo de diesel no transporte terrestre. “Esse estudo mostrou que 43% das transportadoras simplesmente não recolhiam impostos”, lembra Brito.

Outro dado relevante vem de um estudo feito pela própria Rumo Brasil, encomendado pela Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas (Anatc). Para 12 grandes empresas que atuam no agronegócio, que faturaram R$ 6,6 bilhões em 2025, o aumento da carga tributária após a reforma vai quintuplicar.

“Eu acredito que até mesmo o setor de consultoria tributária vai mudar bastante. Aquelas que atuam somente no passado, oferecendo em recuperação de créditos, não vão mais existir. O que vai contar, a partir de 2027, é o trabalho a ser feito daqui para frente. Principalmente o planejamento”, afirma Brito.

Resumo

  • Reforma tributária deve impulsionar a demanda por planejamento e governança tributária entre transportadoras
  • Rumo Brasil projeta elevar a carteira de 400 para 1.200 clientes até o fim de 2026
  • Consultoria mira pequenas transportadoras e prevê alcançar R$ 5 bilhões em performance fiscal