Depois de captar R$ 1,2 bilhão em abril deste ano, a BRF voltou ao mercado de capitais em uma nova emissão. A companhia, dona das marcas Sadia e Perdigão, está em busca de R$ 825 milhões de reais em CRAs, numa oferta que pode chegar a R$ 1,03 bilhão caso haja demanda pelo lote adicional de 25% da oferta inicial.

De acordo com o aviso publicado ao mercado, a emissão será dividida em quatro séries. A primeira, com vencimento em quatro anos e meio, terá uma remuneração atrelada à variação do CDI e limitada a um retorno de 101,5% ao ano.

Na segunda série, o vencimento se dará em sete anos, e os investidores terão como retorno ou à porcentagem do contrato futuro de juros DI com vencimento em janeiro de 2031 acrescida de um spread de 0,25% ao ano ou uma remuneração pré-determinada de 14,8% ao ano - o que for maior.

A terceira série vence em 10 anos, e o retorno estará atrelado à inflação (tesouro IPCA com vencimento em maio de 2035) mais um spread de 0,35% ao ano ou uma taxa pré-determinada de 8,4% ao ano - o que for maior.

A última série vence em 30 anos, ou seja, em 2056, e a remuneração estará atrelada à inflação (tesouro IPCA com vencimento em maio de 2055) acrescida de um spread de 1,1% ao ano ou uma taxa pré-determinada de 8,7% ao ano - novamente, o que for maior.

A operação é a famosa "CRAbênture", onde a companhia emite a debenture em nome de uma securitizadora, que nesse caso é a Ecoagro, que por sua vez, distribui em forma de CRAs para agentes de mercado.

Na lâmina da oferta, a BRF informou que utilizará os recursos no "curso ordinário dos seus negócios rurais", como investimentos em toda a cadeia de produção, comprando grãos e também exploração dos animais.

A companhia cita desde despesas para manutenção, aquisição de matrizes, insumos e até "serviços de armazenagem, pesquisa, e reflorestamento".

Para uma empresa que faturou R$ 16 bilhões só no segundo trimestre deste ano, esse tipo de emissão é corriqueira para manter a operação rodando.

Na prática, a empresa se aproveita do seu porte e reputação no mercado para se financiar com recursos de investidores. Tanto que, em 2025, a própria BRF emitiu cerca de R$ 5,6 bilhões em emissões do tipo.

Quando divulgou o último balanço, há algumas semanas, a MBRF reconheceu que sua dívida é um ponto de atenção. A dívida líquida da empresa mais que dobrou em um ano, passando de R$ 4,7 bilhões para R$ 9,6 bilhões.

Segundo o CFO e Vice-Presidente de Relações com Investidores, José Ignácio Rey, houve uma maior necessidade de capital de giro, sobretudo para a aquisição de gado para abate nas plantas da empresa, o que explica esse salto nas dívidas.

Resumo

  • BRF busca captar até R$ 1,03 bilhão em CRAs, em nova emissão dividida em quatro séries com prazos de até 30 anos
  • Oferta terá quatro séries, com prazos de 4,5 a 30 anos e remunerações atreladas ao CDI, juros ou inflação
  • Recursos devem financiar a operação agroindustrial, incluindo compra de grãos, animais, matrizes, insumos e outros investimentos