A Coamo, maior cooperativa agroindustrial do País, continua atenta às oportunidades de expansão oferecidas pelas dificuldades financeiras de outros grupos agrícolas.

A organização, sediada em Campo Mourão, no Paraná, anunciou nesta sexta-feira, 24 de julho, a aquisição e locação de unidades agrícolas nas regiões Norte, Norte Pioneiro e Centro-Sul do estado, abrangendo os municípios de Imbituva, Sertanópolis, Ibiporã, Primeiro de Maio e Irerê (Londrina).

Em comunicado publicado nas redes sociais, a cooperativa afirmou que a iniciativa faz parte de "sua estratégia de crescimento sustentável, fortalecimento operacional e atendimento aos produtores rurais".

A postagem não traz detalhes sobre valores ou mesmo sobre quem é a outra parte nas transações de locação e venda. O AgFeed apurou que elas pertencem à Belagrícola, que busca desmobilizar ativos para equacionar um passivo bilionário dentro de um processo de recuperação extrajudicial.

Desde o início do ano, a Coamo vem aproveitando o processo de reestruturação da rede de distribuição de insumos sediada em Londrina (PR) para ampliar sua presença em regiões onde ainda não tinha atuação consolidada.

Em janeiro, a cooperativa pagou R$ 136 milhões ao fundo Patria Investimentos pela compra de quatro instalações de armazenagem no Norte do Paraná que até então eram arrendadas pela Belagrícola — em Cambé, Sabáudia, Assaí e Bela Vista do Paraíso, cidade onde a distribuidora foi fundada por João Colofatti.

"A Coamo sempre cresceu se expandindo por incorporações, em sua grande maioria das vezes, de empresas e cooperativas. Esse é o modelo que adotamos também há cerca de 20 anos no Mato Grosso do Sul", disse ao AgFeed, poucos dias depois, o presidente da cooperativa, Airton Galinari.

E manteve o apetite. Um mês e meio depois, a Coamo assinou um contrato de prestação de serviços para operar outras dez unidades que estavam sob gestão da Belagrícola. Em março, a cooperativa avançou mais um passo ao adquirir a unidade de beneficiamento de sementes de Tamarana (PR), também da Belagrícola — negócio antecipado pelo AgFeed ainda em fevereiro.

A unidade de Tamarana, que beneficia sementes de soja e trigo, estava entre as dez que já haviam sido objeto do contrato de prestação de serviços, indicando uma tendência de que os acordos evoluam para a venda definitiva dos ativos — movimento que, na época, o presidente da Belagrícola, Eron Martins, admitiu em entrevista ao AgFeed.

O AgFeed apurou que também esse modelo de primeiro arrendar e depois seguir com a aquisição deve se repetir no caso das unidades locadas nessa nova transação, após a regularização da documentação dos ativos.

A Belagrícola vem se desfazendo de ativos enquanto tenta viabilizar um plano de recuperação extrajudicial para reestruturar uma dívida estimada em R$ 2,2 bilhões.

Além dos negócios com a Coamo, a companhia também firmou contratos de arrendamento com a Lar Cooperativa e com a Cocamar, sinalizando uma reconfiguração regional do setor de distribuição de insumos e armazenagem no Paraná.

Procurada para comentar a negociação, a Belagrícola informou que não se manifestaria. A Coamo também foi contatada pelo AgFeed, mas não retornou até a publicação da reportagem, que será atualizada caso a cooperativa se posicione.

Expansão com apoio do BNDES

A expansão da Coamo não se limita à absorção de ativos da Belagrícola. A cooperativa também anunciou, na semana passada, um investimento de R$ 64,2 milhões para ampliar sua capacidade de armazenagem de grãos, com R$ 60,5 milhões financiados pelo BNDES por meio de programas vinculados ao Plano Safra.

Os recursos serão aplicados em duas frentes. Em Campo Mourão (PR), a cooperativa construirá cinco novos silos com capacidade total de 32,7 mil toneladas de milho, destinados ao abastecimento da indústria de etanol de milho da companhia.

Em Rio Ivaí (PR), serão instalados dois silos de 10 mil toneladas cada, além de melhorias nos sistemas de secagem e movimentação de grãos, ampliando a capacidade estática da unidade de 663 mil para 997 mil sacas.

Com mais de 32 mil cooperados e 125 unidades de atendimento, a Coamo atua nos estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Seu fatiramento atingiu R$ 28,7 bilhões em 2025, com uma sobra líquida de pouco mais de R$ 2 bilhões. O resultado ficou estável em relação ao ano anterior, apesar da alta de 19,7% no recebimento de grãos, que atingiu 9,6 milhões de toneladas.

Resumo

  • Coamo anunciou que adquiriu e arrendou unidades da Belagrícola em cinco municípios do Paraná para ampliar sua atuação
  • Negócio reforça a estratégia de expansão da cooperativa, aproveitando a reestruturação da Belagrícola
  • Cooperativa também investe R$ 64,2 milhões em novos silos, com apoio do BNDES, para ampliar a armazenagem de grãos