Com a expansão de volumes de soja, milho e algodão na safra 2025/2026, a SLC Agrícola tende a apresentar resultados melhores neste segundo trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado.
Mas a perspectiva de que a alavancagem cresça ao longo deste ano, em função da recente aquisição de 8,9 mil hectares agricultáveis no Mato Grosso por R$ 669 milhões, fez com que o Citi resolvesse cortar mais uma vez o preço-alvo, passando de R$ 15 para R$ 14,50.
As informações constam em relatório assinado pelo analista Gabriel Barra e divulgado a clientes na noite de quinta-feira, dia 23 de julho.
“Reduzimos nosso preço-alvo para R$ 14,5/ação (de R$ 15/ação) devido à maior alavancagem futura relacionada à aquisição de terras do Bloco Mato Grosso - como comentamos aqui - parcialmente compensada por uma previsão de câmbio mais alta”, escreveu Barra.
No início de junho, o Citi já tinha cortado o preço-alvo da SLC de R$ 19,50 para R$ 15. Mas, naquele momento, o motivo do corte foi outro: após incorporar os resultados do primeiro trimestre da empresa, os impactos de preços mais altos de fertilizantes e de um efeito El Niño possivelmente forte, com pressão de 5% na produtividade da safra 2026/2027 em relação a anterior.
Apesar do novo corte de preço-alvo, a avaliação do Citi para a ação segue a mesma: posição neutra, ou seja, não recomenda para os investidores nem a compra nem a venda do papel.
O nível de alavancagem, salienta o banco, pode ser parcialmente compensado pela expectativa de câmbio mais alto à frente.
"Observamos que o câmbio pode se valorizar nas próximas semanas/meses, dada a proximidade das eleições presidenciais no país, e os produtos agrícolas podem se valorizar nos mercados internacionais, uma vez que a oferta global pode diminuir, dependendo do impacto real do El Niño, ambos representando um risco positivo interessante para a tese", avalia o Citi.
O banco também apresentou números diferentes para outras projeções de resultados da SLC no ano.
A SLC agora espera uma receita maior em 2026, de R$ 9,5 bilhões, ante R$ 9,3 bilhões na estimativa anterior, e manteve a projeção de Ebitda ajustado em R$ 2,8 bilhões. A expectativa para o lucro líquido no ano, no entanto, foi reduzida de R$ 719 milhões para R$ 684 milhões.
O banco também fez mudanças em suas projeções para os resultados da SLC em 2027: elevou a projeção de receita, de R$ 9,7 bilhões para R$ 9,9 bilhões, e manteve a estimativa de Ebitda em R$ 2,6 bilhões, mas reduziu a margem Ebitda de 27,7% para 26,9% e cortou a previsão de lucro líquido de R$ 675 milhões para R$ 599 milhões.
Do ponto de vista qualitativo, o Citi avalia que a SLC pode ter avançado no período recente no processo de aquisição de ureia, uma vez que os preços internacionais caíram significativamente, com a normalização da oferta mundial e a redução do conflito no Oriente Médio.
Dessa forma, o banco entende que, tendo comprado mais ureia, os custos para a safra 2026/27 podem não aumentar tanto.
O Citi também contemplou, em seu cenário, o impacto do El Niño na operação da companhia.
Diante de um “provável cenário” de um El Niño forte, que afetaria a produtividade das terras agrícolas da companhia de forma relevante, o banco avalia que a SLC poderá adotar uma postura “cautelosa” frente aos impactos do fenômeno climático.
Em um cenário de necessidade de cautela e controles de custos, o banco acredita que a SLC poderia ser capaz até mesmo de reduzir ligeiramente a aplicação de fertilizantes ou aplicar um pacote tecnológico de pesticidas mais simples, ao mesmo tempo em que se esforça para reduzir seus investimentos de capital a fim de proteger as margens e o balanço patrimonial.
Ainda assim, de maneira geral, o banco avalia também que a SLC deve ser menos impactada pelo El Niño que seus pares na região, "dados seus esforços tecnológicos para manter a produtividade acima da média brasileira e sua diversificação geográfica."
Segundo trimestre
O Citi também trouxe suas projeções para os resultados da SLC no segundo trimestre deste ano, que serão divulgados no próximo dia 12 de agosto.
Há perspectiva de aumento de alavancagem da companhia já no próximo trimestre, segundo o Citi, devido à sazonalidade do consumo nas linhas de working capital no primeiro semestre do ano, combinada com o pagamento da fusão e aquisição da Sierentz, comprada pela SLC por US$ 135 milhões no início de 2025.
Ainda assim, a perspectiva do banco para os números a serem apresentados pela SLC no trimestre é positiva, uma vez que prevê que a empresa da família Logemann apresente resultados melhores do que os registrados no mesmo período do ano passado.
O banco projeta que a receita líquida chegue a R$ 2,2 bilhões, número que, se confirmado, seria aproximadamente 22% superior aos R$ 1,8 bilhão do mesmo período do ano passado.
"Esperamos que a SLC apresente resultados superiores em comparação com o mesmo período do ano anterior, principalmente devido aos maiores volumes de soja, milho e algodão, em função dos volumes maiores desta safra em relação à anterior", disse o Citi.
O Citi projeta ainda que o Ebitda ajustado da companhia some R$ 675 milhões no segundo trimestre, resultado superior aos R$ 556 milhões registrados no mesmo intervalo do ano passado.
"Prevemos uma melhora no EBITDA ajustado devido a uma maior participação das vendas de algodão e melhores margens na soja, visto que a SLC deve ter vendido soja de fazendas menos afetadas pelas chuvas durante o período inicial da colheita", diz.
O Citi prevê ainda um lucro líquido de R$ 248 milhões para a companhia no trimestre, montante 77,4% superior aos R$ 139,8 bilhões do mesmo intervalo de 2025.
No começo da tarde desta sexta-feira, dia 24 de julho, as ações da SLC operavam no sinal negativo, com recuo de 0,29%, cotadas a R$ 13,73 cada. No ano, os papéis da empresa acumulam queda de 7,17%.
Resumo
- Citi reduz preço-alvo da SLC de R$ 15 para R$ 14,50 por maior alavancagem após compra de terras, mas mantém recomendação neutra
- Banco estima receita de R$ 2,2 bilhões, Ebitda de R$ 675 milhões e lucro de R$ 248 milhões para SLC no 2º trimestre deste ano
- Relatório aponta queda nos preços da ureia e diversificação da SLC como fatores que podem amenizar impactos de um possível El Niño forte