A montadora americana John Deere anunciou nesta quinta-feira, 23 de julho, a decisão de produzir no Brasil componentes eletrônicos para suas máquinas agrícolas e de construção. Para isso, vai investir R$ 75 milhões na ampliação de sua operação industrial em Canoas (RS), com a implantação de uma área dedicada a essa nova linha, que deve começar a operar em julho de 2027, com foco exclusivo no mercado brasileiro.

É o segundo anúncio de investimentos destinados à mesma planta, inaugurada em janeiro deste ano com investimento de R$ 42 milhões para produzir o pulverizador 1025E. Com esse novo aporte, a unidade vai produzir, segundo a companhia, módulos inteligentes de controle (o "cérebro eletrônico" das máquinas), receptores de sinal GPS de alta precisão como o StarFire™, monitores e guias de orientação de última geração.

O movimento segue em direção contrária a outras medidas adotadas pela John Deere em outras fábricas. Em setembro do ano passado, por exemplo, a empresa demitiu 150 funcionários da fábrica de Horizontina (RS), unidade focada na produção de colheitadeiras. Em março deste ano, recorreu a férias coletivas e layoff para cerca de 800 trabalhadores na mesma unidade, como forma de ajustar a produção à demanda enfraquecida.

Dados da Abimaq mostravam que, após dois anos de queda, o faturamento do setor de máquinas até ensaiou recuperação em 2025 (+7,4%), mas o início de 2026 voltou a pressionar os números, com recuo expressivo nas vendas.

O movimento em Canoas representa uma aposta de longo prazo que contrasta com a realidade de curto prazo vivida em Horizontina.

Enquanto ajusta a produção de máquinas à retração das vendas, a companhia acelera a verticalização de componentes eletrônicos — sinal de que, mesmo em um ciclo de aperto, a estratégia passa por ampliar o conteúdo tecnológico produzido no Brasil.

"Estamos avançando de forma consistente no fortalecimento da nossa presença industrial e tecnológica no país, com uma visão de longo prazo e o compromisso de oferecer soluções que contribuam para operações mais produtivas e eficientes", afirmou Joaquin Fernandez, vice-presidente de Manufatura da John Deere para a América do Sul, em nota.

"Essa mudança amplia ainda mais nossa capacidade de integrar sistemas eletrônicos essenciais aos equipamentos com agilidade, reforçando nossa constante agenda de inovação e o desenvolvimento de recursos cada vez mais conectados às necessidades dos clientes brasileiros. "

A decisão de produzir localmente componentes que historicamente são importados reflete uma estratégia de otimização da cadeia de suprimentos global da companhia, aproveitando a capacidade técnica e os talentos de tecnologia disponíveis na unidade gaúcha.

Assim, ao integrar a montagem de sistemas eletrônicos à mesma planta que já produz o pulverizador, a John Deere reduz dependência logística externa e ganha agilidade na entrega de máquinas equipadas com tecnologia de ponta — o que pode representar um diferencial competitivo em um mercado onde o produtor rural está mais seletivo na hora de comprar.

Resumo

  • John Deere investirá R$ 75 milhões em Canoas para produzir módulos eletrônicos, GPS e monitores agrícolas
  • Segundo a emrpesa, projeto fortalece a produção nacional, reduz dependência de importações e amplia a verticalização tecnológica
  • Investimento contrasta com cortes recentes em outras plantas para se adequar à baixa demanda por máquinas