Celebração e oportunidade. As duas palavras, combinadas, resumem a perspectiva de Fernando Degobbi, presidente da Coopercitrus, sobre o momento da cooperativa paulista.

A partir da próxima segunda-feira, 27 de julho, ele comanda uma edição especial da Coopercitrus Expo, a tradicional feira que a organização promove há 27 anos em Bebedouro, onde fica sua sede.

Ela será marcada pela comemoração dos 50 anos da cooperativa, a maior do País em número de associados. Paralelamente à festa, que deve movimentar mais de 25 mil pessoas e levar ao município dirigentes de algumas das maiores empresas do agro brasileiro, o evento deve confirmar uma tendência de “destravamento” de negócios por parte dos seus mais de 42 mil cooperados com vistas á safra 2026/2027.

A perspectiva é de que a Expo – que normalmente responde por cerca de 20% das receitas anuais da Coopercitrus – movimente mais de R$ 2 bilhões em vendas dentro das sua diversificada gama de negócios, que inclui fertilizantes, defensivos e sementes até máquinas agrícolas, irrigação, crédito rural, seguros, barter, agricultura digital e soluções voltadas à gestão das propriedades.

Com isso, ficaria registrado um novo recorde para a feira, que tem uma característica diferente da maior parte dos eventos desse tipo: embora tenha cerca de 200 empresas expositoras, toda a comercialização (assim como a organização) é responsabilidade da própria cooperativa. Ou seja, a receita é contabilizada nos seus balanços.

“Estamos muito animados com o que estamos vendo já antes da abertura dos portões”, afirmou Degobbi ao AgFeed. O termômetro que ele tem em mãos é o movimento de operações realizadas na semana anterior ao evento físico, que é o ápice de uma campanha de comercialização que dura três semanas, com condições especiais sendo oferecidas aos produtores até uma semana depois da realização da Expo, já que, segundo ele, não é possível atender a toda a demanda apenas durante a feira.

Na manhã da sexta-feira, 24 de julho, quando conversou com o AgFeed, o presidente da cooperativa já havia recebido um reporte indicando cerca de R$ 800 milhões em transações já fechadas. “Quando a gente compara com o momento do ano anterior, nós estamos com uma evolução de negócios de 46%”, registrou.

Se uma parte desse resultado indica crescimento, outra importante aponta para recuperação de um período de vendas em um ritmo travado, com os produtores adiando suas compras à espera de condições melhores de preços e de crédito.

Degobbi lembrou que, na região Sudeste, o mercado de insumos está “bastante atrasado, principalmente o de fertilizantes, mas também de defensivos”. Na campanha de vendas realizada pela cooperativa no início de maio, durante a Agrishow, por exemplo, a Coopercitrus não atingiu sua meta para fertilizantes, com o resultado mostrando uma queda de 30%.

“O produtor não quis tomar a decisão ali. A gente estava no início do embróglio da guerra no Irã e os preços subiram muito”, pontuou. “Então, de lá para cá, os preços começaram a cair e a janela de uso dos insumos começou a ficar mais estreita, porque a gente está falando de plantio de safra de verão e ele precisa agora realmente tomar decisão, até por uma questão de logística”.

Oportunidades e negócios

É aqui que Degobbi destacou o termo “oportunidade” como uma das marcas da Expo em 2026. Ele inclui no cenário mais positivo fatores como a melhoria de preço de algumas commodities, até pela presença do fenómeno climático El Niño, que, por exemplo, pode resultar na melhora dos preços do açúcar em função de previsões de quebra na safra de cana na Índia. Ou o aumento da mistura de etanol na gasolina.

“A gente percebe aqui na nossa área de atuação um aumento de 10% do milho, pensando na cultura de verão. E isso tem a ver também com o aumento para silagem, com o crescimento da pecuária de corte”, citou.

Também falou do aumento das exportações de café, cultura em expansão entre os seus cooperados, e até no maior volume de comercialização de diesel, outra área de atuação da Coopercitrus. “Nesse momento a gente cresce 17% da venda de diesel para produtores”.

“Quando você olha o significado da palavra oportunidade, é isso, uma situação favorável. E é realmente esse momento que ela está acontecendo, tem essa janela de oportunidades”.

É justamente esse contexto que ajuda a explicar o foco da Expo deste ano. A cooperativa afirma ter antecipado negociações com fornecedores para oferecer condições comerciais durante a feira e reunir, em um único ambiente, ferramentas financeiras, assistência técnica e soluções para diferentes perfis de produtores.

A proposta é transformar a feira em um ambiente onde o produtor consiga concentrar praticamente todas as decisões que antecedem o início da nova safra. Os números da cooperativa ilustram o potencial de mercado que esses negócios podem trazer: 42 mil cooperados, atuação em mais de 70 municípios nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso e mais de 180 unidades de negócios.

Além do tradicional pavilhão onde são negociados insumos, a programação contempla áreas dedicadas à comercialização de grãos e café, máquinas e implementos, irrigação, agricultura de precisão, drones, crédito rural, seguros, consórcios e operações de barter.

A tecnologia também ganha espaço em demonstrações práticas de agricultura digital, monitoramento por imagens e ferramentas voltadas ao gerenciamento das propriedades, reforçando uma tendência cada vez mais presente nas decisões dentro da porteira.

Entre as empresas confirmadas estão fabricantes de máquinas como Valtra, Massey Ferguson, New Holland, JCB, Jacto e Fendt, além de companhias de insumos como UPL, Ihara, Syngenta, Bayer, Corteva, ICL, Mosaic e Stoller.

Somado a isso, a área também abrigará estandes de companhias de segmentos como irrigação, agricultura de precisão e instituições financeiras.

Jubileu de ouro

A feira acontece em um momento importante também para a própria cooperativa. Fundada em 1976, a Coopercitrus chega ao aniversário de 50 anos encerrando um ciclo de expansão recente que incluiu a incorporação da Cooparaíso, o fortalecimento da atuação no café, novos investimentos industriais e a ampliação do portfólio de serviços oferecidos aos cooperados.

No ano passado, a cooperativa registrou receita de R$ 9,3 bilhões, avanço de cerca de 10% sobre o ano anterior, e projeta repetir um crescimento semelhante em 2026 – o que levaria a receita para a casa dos R$ 10 bilhões.

Parte dessa estratégia passa justamente pela diversificação dos negócios. Nos últimos meses, a cooperativa concluiu a primeira fase de investimentos na Tello, empresa de fertilizantes criada em parceria com grupos como Amaggi e Agropastoril Campanelli.

A unidade, instalada em Altair (SP), e que terá sua inauguração oficial acontecendo na Coopercitrus Expo, recebeu cerca de R$ 180 milhões em investimentos e passa a operar com capacidade para produzir até 120 mil toneladas anuais de fertilizantes granulados.

Segundo Degobbi afirmou ao AgFeed em maio, a conclusão dessa etapa abre espaço para um novo ciclo de investimentos, estimado em cerca de R$ 200 milhões, voltado à construção de uma segunda fábrica no Mato Grosso.

“A Coopercitrus já era relevante, porque ela nasceu para atender um grupo de citricultores aqui da região e foi expandindo, foi para outras atividades, para outras geografias, outras culturas”, disse agora, na conversa mais recente.

“Quando você olha para o mercado, para o varejo, para outros segmentos, é muito difícil você quem são as empresas que já tinham esse papel há 30 anos”.

Para além dos negócios, as comemorações dos 50 anos também estarão presentes durante a Expo. A cooperativa preparou uma programação voltada às famílias dos associados, com espaços infantis, encontros sobre sucessão familiar e debates direcionados aos filhos dos cooperados, além de ações conduzidas pela Fundação Coopercitrus Credicitrus Coperfam ligadas à sustentabilidade, recuperação ambiental e capacitação técnica.

Ao mesmo tempo, áreas dedicadas à agricultura digital e demonstrações com drones procuram mostrar como tecnologias que antes eram vistas como inovação começam a fazer parte da rotina das propriedades rurais.

Resumo

  • Coopercitrus Expo celebra os 50 anos da cooperativa com expectativa de recorde superior a R$ 2 bilhões em negócios
  • Alta de commodities e queda dos fertilizantes destravam compras, impulsionando insumos, máquinas, crédito e barter
  • Feira reunirá cerca de 200 expositores e mais de 25 mil visitantes, reforçando o papel da cooperativa no agro