A agricultura empresarial tomou R$ 477,2 bilhões em crédito rural na safra 2025/2026 do crédito rural, segundo dados Boletim de Crédito Rural divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base no Sistema de Operações de Crédito Rural (Sicor) do Banco Central.
O volume de recursos fica aquém dos R$ 516,2 bilhões anunciados pelo governo federal para o ciclo. A diferença de R$ 39 bilhões representa uma execução de 92,4% do previsto, resultado que expõe o descompasso entre a oferta programada e a demanda efetiva por financiamento no campo.
O relatório, divulgado na sexta-feira, 10 de julho, traz números provisórios da safra fechada de julho de 2025 a junho de 2026, mas não compara com períodos anteriores por conta do período de defeso eleitoral.
O AgFeed consultou, no entanto, dados do Banco Central e do Ministério da Agricultura referentes ao ano safra 2024/2025. E eles apontam uma trajetória de desaceleração na demanda por crédito nos meses finais da temporada.
Nos primeiros nove meses da safra (julho de 2025 a março de 2026), as contratações somaram R$ 404 bilhões, um crescimento de 10% sobre os R$ 368 bilhões registrados no mesmo período de 2024/2025. Até ali, o desempenho era considerado positivo, impulsionado principalmente pelo avanço das CPRs e pela industrialização.
A virada veio nos dois meses seguintes. Entre abril e maio, o ritmo de contratações desabou, e o acumulado em 11 meses passou a ser 5,5% inferior ao ciclo anterior: R$ 433 bilhões em 2025/2026 contra R$ 458,1 bilhões em 2024/2025.
O desempenho na safra 2025/2026 é influenciado, em grande parte, pela fraca execução dos recursos equalizados — aqueles em que o Tesouro Nacional subsidia parte dos juros. Do total de R$ 91,4 bilhões programados para essas linhas, apenas R$ 53,6 bilhões foram efetivamente contratados na safra, uma execução de apenas 58,6%. O saldo não contratado chega a R$ 37,8 bilhões.
O documento do Mapa atribui o comportamento à maior seletividade das instituições financeiras e ao cumprimento das exigibilidades dos depósitos à vista por cooperativas de crédito e bancos cooperativos, que direcionaram parte expressiva de suas contratações para essas fontes, "em detrimento das fontes equalizáveis".
Por programa de investimento, o PCA (Programa para Construção e Ampliação de Armazéns) apresenta o maior saldo relativo a contratar: 62% da programação de R$ 8,4 bilhões ficou sem execução. O Prodecoop (Programa de Desenvolvimento Cooperativo) registra 74% de saldo, e o Proirriga (Programa de Incentivo à Irrigação e à Armazenagem), 63%. O Moderfrota, que financia a renovação de frotas de máquinas, também apresenta desempenho fraco: dos R$ 8,7 bilhões programados, apenas 49% foram contratados.
No Pronamp, programa voltado aos médios produtores, o volume total de concessões atingiu R$ 61,5 bilhões, com R$ 56,3 bilhões direcionados ao custeio e R$ 5,2 bilhões a investimentos equalizados. O programa teve execução de 69% nos investimentos equalizáveis, ficando com um saldo de 31% — abaixo da média histórica, mas melhor que os demais programas específicos.
CPR domina o financiamento
Os dados também confirmam, na safra 2025/2026, a afirmação de um fenômeno que tem sido a marca dos últimos anos, na contramão da redução dos recursos oficiais: a consolidação da Cédula de Produto Rural (CPR) como principal instrumento de financiamento do setor. As CPRs somaram R$ 205,2 bilhões, o equivalente a 43% do total concedido, com 161.968 contratos registrados.
O instrumento privado de captação, que não depende de recursos equalizados pelo Tesouro, tornou-se a principal via de financiamento do custeio agrícola, superando o crédito rural tradicional.
A soma de Custeio convencional (R$ 150,3 bilhões) com CPR resulta em R$ 355,5 bilhões destinados ao financiamento da produção, ou 74,5% do total.
Os recursos para industrialização, que inclui crédito para cooperativas de produção agropecuária e agroindústrias, também chamam a atenção: foram R$ 33,3 bilhões em concessões. O montante sinaliza o papel crescente do processamento e da agregação de valor dentro da estrutura de crédito rural.
Entre as fontes controladas, os Recursos Obrigatórios lideram com R$ 53,9 bilhões (40% do total controlado), seguidos pela LCA Controlada (R$ 30,6 bilhões) e pelos Fundos Constitucionais (R$ 20,7 bilhões). No lado das fontes não controladas, a LCA Livre (R$ 67,1 bilhões) e a Poupança Rural Livre (R$ 63,2 bilhões) são as principais fontes privadas.
Regionalmente, o Sul concentra a maior participação em valor (R$ 81,2 bilhões) e em número de contratos (146.956), seguido de perto pelo Sudeste (R$ 75,9 bilhões) e pelo Centro-Oeste (R$ 75,8 bilhões). O Centro-Oeste, no entanto, apresenta o maior tíquete médio por operação (R$ 1,19 milhão), o que reflete a maior escala das propriedades na região.
Resumo
- Crédito rural empresarial somou R$ 477,2 bi no ano safra 2025/2026, abaixo dos R$ 516,2 bi previstos pelo governo
- Concessão das linhas com recursos subsidiados ficou em R$ 53 bilhões, tendo sido executados apenas 58,6% da programação.
- CPR consolidou tendência de liderança no fincnaamento do agro, respondendo por 43% do total