A tão falada "plataforma multiproteína" da JBS até ajuda a vender mais, mas quando um de seus principais mercados está em baixa, estar em todo o mundo não é suficiente para impedir um lucro em queda.

Em síntese, essa é a foto do primeiro trimestre da empresa, que divulgou seus resultados ao mercado na noite desta terça-feira, 12 de maio.

Mesmo com o forte desempenho da Seara no Brasil, a companhia viu a pressão histórica no ciclo pecuário norte-americano continuar corroendo margens na sua maior divisão de bovinos.

No balanço, a companhia reportou receita líquida de US$ 21,6 bilhões no primeiro trimestre (cerca de R$ 106 bilhões pela cotação atual), alta de 10,8% frente ao mesmo período do ano passado. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado somou US$ 1,13 bilhão, queda de 25,8% na comparação anual.

Já o lucro líquido ficou em US$ 241,6 milhões, recuo de 56,6% frente aos US$ 556,3 milhões registrados no primeiro trimestre de 2025.

“Entendemos o ambiente em que operamos e os ciclos naturais de cada proteína e gerimos o negócio com disciplina e responsabilidade. Por isso, adotamos uma abordagem de austeridade para reforçar a geração de caixa e garantir que extraiamos o valor máximo de nossos ativos e investimentos”, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS, em nota.

O trimestre foi particularmente pressionado pela operação de carne bovina da companhia nos Estados Unidos.

A unidade JBS Beef North America registrou Ebitda ajustado negativo de US$ 229,9 milhões no trimestre, piorando frente ao resultado também negativo de US$ 112,9 milhões um ano antes. A margem veio negativa em 3,7%.

A operação registrou receita de US$ 7,167 bilhões no período, uma alta de pouco mais de 11%, refletindo o repasse de preços ao consumidor.

De acordo com a empresa, o negócio enfrentou uma "tempestade perfeita": menor disponibilidade de gado em meio a uma das fases mais agudas do ciclo pecuário, o que aumentou ainda mais os custos de aquisição de gado para processamento.

Outro negócio da empresa nos EUA também nao trouxe boas notícias. A Pilgrim’s Pride, subsidiária de aves da JBS nos Estados Unidos e Europa, registrou Ebitda ajustado positivo de US$ 450 milhões no trimestre, queda de 31,9% frente aos US$ 660 milhões registrados um ano antes. A receita da operação ficou estável em US$ 4,5 bilhões.

No balanço, a JBS cita que realizou algumas obras em unidades da empresa na missão de aprimorar eficiência operacional.

Contudo, vê que 0 tempo de inatividade junto de uma "fragilidade dos fundamentos das commodities e interrupções causadas por eventos climáticos", contribuíram para a redução da lucratividade em comparação com o ano passado. A margem da unidade ficou em 9,9%.

Enquanto isso, outras operações ajudaram a compensar parte da deterioração do beef americano.

No Brasil, a Seara seguiu como uma das operações mais rentáveis da companhia, com margem de 15,5%. Uma queda em um ano, é verdade, mas a maior rentabilidade entre todas as operações da JBS.

A receita líquida atingiu US$ 2,3 bilhões, alta de 10% em um ano. Segundo a companhia, reflexo de um crescimento nas vendas tanto do mercado interno quanto externo.

"Mesmo em meio a um ambiente operacional mais desafiador em mercados-chave resultante do conflito no Irã, a companhia manteve seu ritmo de crescimento", diz a JBS.

Já a divisão de bovinos no Brasil apresentou melhora operacional relevante. As vendas saltaram 19,5% e atingiram US$ 3,78 bilhões. O Ebitda da operação cresceu 27% e chegou em US$ 168 milhões.

"O crescimento da receita reflete principalmente os preços mais altos", justifica a empresa.

Na divisão de suínos dos Estados Unidos, o resultado também veio melhor, com a margem subindo um ponto percentual e chegando a 13,5%.

O Ebitda ajustado somou US$ 274 milhões entre janeiro e março, alta de 10% frente aos US$ 247 milhões registrados um ano antes. Segundo a companhia, a operação continuou beneficiada pela forte demanda doméstica e internacional. A receita veio em linha, em US$ 2 bilhões.

A operação australiana também veio pressionada. O Ebitda ajustado da unidade atingiu US$ 133 milhões, queda de 17,2% frente aos US$ 160 milhões registrados no primeiro trimestre do ano passado.

Por lá, a receita subiu 32,3% e bateu US$ 2,14 bilhões, mas a JBS pontuou que a desvalorização do dólar americano em relação ao dólar australiano impactou os resultados. A margem caiu e ficou em 6,2%.

A dívida líquida da JBS encerrou março em US$ 17,86 bilhões, alta de 21,1% frente aos US$ 14,75 bilhões registrados um ano antes. A alavancagem subiu de 1,99 vez para 2,77 vezes dívida líquida sobre Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, patamar considerado equilibrado pela empresa e dentro do intervalo da meta de longo prazo.

A queima de caixa foi de US$ 1,5 bilhão no trimestre, segundo a empresa. A JBS cita que o consumo do fluxo de caixa é normal para o período, pois é quando concentra os pagamentos aos fornecedores. A empresa ainda aumentou em 20% seu Capex no trimestre, chegando a US$ 2,4 bilhões.

A companhia encerrou o trimestre com US$ 3,29 bilhões em caixa e equivalentes, sem contar linhas rotativas de crédito de US$ 2,9 bilhões nos Estados Unidos e outros US$ 500 milhões no Brasil.

“Estendemos o prazo médio de nossa dívida para 15,6 anos, com um custo médio atrativo de 5,7% ao ano e sem vencimentos significativos previstos até 2031”, afirmou Guilherme Cavalcanti, CFO da JBS, também em nota.

Resumo

  • Receita líquida da JBS cresceu 10,8% no trimestre e alcançou US$ 21,6 bilhões, enquanto o lucro líquido caiu 56,6%, para US$ 241,6 milhões
  • Divisão de bovinos nos Estados Unidos teve Ebitda e margens negativas em meio à escassez histórica de gado por lá
  • Seara manteve a maior rentabilidade da companhia, com margem Ebitda de 15,5%. Operação de bovinos também cresceu no Brasil