Depois de atravessar 2025 ajustando preços para recuperar competitividade frente aos fretes rodoviário (o que trouxe resultados mistos no acumulado do ano - alta no volume e queda na receita), a Rumo começou 2026 com números apontando para o mesmo lado.
A maior operadora ferroviária do agronegócio brasileiro aumentou volumes, recuperou participação de mercado nos principais corredores do país e ampliou lucro e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) no primeiro trimestre de 2026.
No balanço divulgado na noite desta quinta-feira, 7 de maio, a companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 266 milhões entre janeiro e março, alta de 41% frente ao mesmo período do ano passado. Sem os ajustes relacionados a um impairment da Malha Sul, o lucro líquido contábil ficou em R$ 98 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 97 milhões registrado um ano antes.
O desempenho veio acompanhado de um crescimento relevante na operação.
A Rumo transportou 20,2 bilhões de TKU (tonelada por quilômetro útil) no trimestre, avanço de 25% e recorde histórico para um primeiro trimestre. Segundo a companhia, o resultado refletiu a “normalização do market share tanto nas origens do interior quanto nos principais portos”, após um ciclo de reposicionamento competitivo iniciado em 2025.
A receita líquida da companhia somou R$ 3,28 bilhões de janeiro a março, crescimento de 10,6% na comparação anual. Já o Ebitda ajustado atingiu R$ 1,74 bilhão, alta de 6,7%.
O principal motor do trimestre veio da Operação Norte - principal corredor da companhia e responsável pelas ligações ferroviárias do Centro-Oeste aos portos.
Por lá, o volume transportado saltou 27%, para 16,6 bilhões de TKU, puxado principalmente pelas cargas do agronegócio. O transporte de produtos agrícolas avançou 31%, para 13,8 bilhões de TKU.
O maior crescimento veio da soja, cujo volume aumentou 33%, para 8,63 bilhões de TKU. A alta foi impulsionada por uma normalização no calendário frente ao visto em 2025, que vivia uma safra atrasada. A empresa ainda transportou 8,6 bilhões de TKU de farelo de soja.
O milho praticamente explodiu na comparação anual, saltando de apenas 6 milhões para 468 milhões de TKU. A empresa tem notado uma mudança importante no ritmo do transporte em seus terminais.
O movimento, que antes obedecia um calendário previsível - soja de janeiro a junho, milho de julho a dezembro, agora é contínuo. Produtores com mais estruturas de armazenagem, como silos e silo-bags, seguram os grãos por mais tempo, escolhendo o melhor momento de venda.
O transporte de açúcar também avançou forte, com crescimento de 66% para 398 milhões de TKU, enquanto fertilizantes cresceram 26% e chegaram a 1,4 bilhão de TKU, reforçando uma melhor ocupação da malha ferroviária nos fluxos de retorno.
Nos produtos industriais, o volume cresceu 10%, puxado principalmente por combustíveis, celulose e bauxita. Na Operação Norte, a receita líquida cresceu 12%, para R$ 2,67 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 6%, para R$ 1,56 bilhão.
A Operação Sul também apresentou recuperação, mesmo com uma receita praticamente em linha - cresceu 1,3% e atingiu R$ 411 milhões, com um Ebitda ajustado de 141 milhões, crescimento de 10%.
Por lá, o volume transportado cresceu 21%, para 2,5 bilhões de TKU, com destaque para soja, que cresceu 52% para 1,1 bilhão de TKU, enquanto o milho mais que dobrou e chegou a 375 milhões de TKU. Os fertilizantes registraram alta de 96%, em 101 milhões de TKU. Já o açúcar, por outro lado, caiu 44% no período para 245 milhões de TKU.
Segundo a companhia, o trimestre marcou o encerramento de um ciclo iniciado em 2025, quando a Rumo reduziu preços para recuperar competitividade frente a outras alternativas logísticas. Os efeitos apareceram principalmente em market share.
No Porto de Santos, principal destino da companhia, a participação da Rumo no transporte ferroviário de soja, milho e farelo saltou de 45% para 57% em um ano. Em Mato Grosso, principal estado produtor do país, a participação subiu de 36% para 38%. Já em Goiás, o avanço foi ainda maior: de 24% para 33%.
A companhia afirma que a estratégia permitiu recuperar volumes e diluir custos fixos, compensando parcialmente a redução das tarifas ferroviárias após o reposicionamento comercial.
Considerando a operação nas duas malhas, a receita de transporte aumentou 15%, refletindo principalmente o maior volume transportado. Por outro lado, as tarifas ferroviárias recuaram cerca de 10%, efeito do ajuste competitivo iniciado no ano passado.
Mesmo assim, a companhia conseguiu ampliar margens operacionais com ganhos de produtividade. Os custos variáveis cresceram (31% na operação Norte e 3% na Sul), acompanhando o aumento de volume, mas a empresa afirma que ganhos de eficiência energética e redução do custo unitário de combustível ajudaram a compensar parte da pressão operacional.
A Rumo também informou que segue investindo pesado na expansão logística.
Os investimentos totalizaram R$ 1,77 bilhão no trimestre, praticamente estáveis em relação ao ano passado. A maior parte do desembolso segue concentrada na Operação Norte e na Ferrovia do Mato Grosso, principal projeto de expansão da companhia.
Somente na Ferrovia do Mato Grosso, os investimentos somaram R$ 329 milhões entre janeiro e março. Segundo a empresa, o avanço físico das obras segue dentro do cronograma, com previsão de início das operações no novo terminal no terceiro trimestre deste ano.
Mesmo com o forte ritmo de investimentos, a empresa encerrou o trimestre com alavancagem de 2,1 vezes dívida líquida sobre Ebitda ajustado, patamar considerado confortável pela companhia.
A dívida líquida da Rumo terminou março em R$ 16,9 bilhões, alta de 35% em um ano, refletindo principalmente o ciclo de expansão da companhia e a redução de caixa após os desembolsos realizados no trimestre.
Resumo
- Lucro ajustado da Rumo sobe 41%, para R$ 266 milhões, com receita de R$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre
- Volume transportado cresce 25% e bate recorde de 20,2 bi de TKU de janeiro a março, com impulso da soja e farelo
- Market share em Santos, Goiás e Mato Grosso saltam após ajuste tarifário em 2025