No balanço que abre o último ano da Corteva que conhecemos - a empresa vai se dividir em duas até o final do ano - um resultado em alta.

A empresa surfou um ambiente mais favorável no primeiro trimestre de 2026 e entregou crescimento tanto em receita quanto em lucro, na contramão de parte do setor.

A companhia registrou vendas de US$ 4,9 bilhões (R$ 24 bilhões pela cotação atual), alta de 11% na comparação anual. O resultado foi impulsionado por uma alta de 12% no negócio de sementes, com um preço subindo 3% em todas as regiões. As vendas do segmento de proteção de cultivos cresceram 10%, mesmo com um preço 2% menor.

A Corteva cita, nesse último caso, uma "dinâmica competitiva do mercado na América Latina". "O volume melhorou 6%, com ganhos em todas as regiões, impulsionado pela demanda por novos produtos", prossegue a companhia em seu balanço.

O resultado operacional acompanhou esse movimento. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) subiu 21%, chegando a US$ 1,44 bilhão, com expansão de margem impulsionada justamente pela combinação de maior volume e preços mais firmes. Na última linha, o lucro líquido avançou 10%, para US$ 723 milhões.

Por região, as vendas somaram US$ 2,43 bilhões na América do Norte, US$ 1,6 bi no EMEA (sigla para Europa, Oriente Médio e África), US$ 506 milhões na América Latina e US$ 305 milhões na região da Ásia e Pacífico. A maior alta percentual se deu justamente na América Latina, com alta de 14% em um ano.

Dividindo por área de negócio, o segmento de sementes (que no novo arranjo da Corteva se chamará Vylor), somou US$ 3,02 bilhões em vendas líquidas no primeiro trimestre de 2026, alta de 12% em um ano.

"O aumento nas vendas foi impulsionado por um aumento de 6% no volume, 3% no preço/mix e 3% de impacto cambial favorável. Os aumentos de volume na América do Norte e EMEA devem-se a mudanças de cronograma e condições climáticas favoráveis ​​no hemisfério norte, e os impactos cambiais favoráveis foram liderados pelo Euro", pontuou a empresa

Na América Latina, onde o Brasil é um dos seus principais mercados, a receita foi de US$ 224 milhões, alta de 21%.

Já no segmento de proteção de cultivos (futuramente New Corteva), as vendas somaram US$ 1,88 bilhão no primeiro trimestre, 10% superior ao mesmo período do ano passado.

O aumento nas vendas, segundo a empresa, é resultado de um volume 6% maior e de um impacto cambial favorável também de 6%. Os números foram ainda parcialmente compensado por uma queda de 2% nos preços.

"A melhoria no volume foi impulsionada pela demanda por novos produtos e espinosinas, juntamente com mudanças de cronograma na América do Norte e EMEA. As quedas de preço, principalmente na América Latina e APAC, devem-se à dinâmica competitiva contínua do mercado nessas regiões", diz a Corteva.

Já os impactos cambiais favoráveis ​​foram liderados pelo Euro e pelo Real brasileiro. No continente latino-americano, a receita de Crop Protection foi de US$ 282, alta de 10% em um ano.

Projetando o restante do ano, o foco da empresa será a separação de negócios. A Corteva cita no balanço que projeta que a formalização do processo ocorra nos segundo semestre. Até junho, entretanto, espera conseguir o rating de agências de classificação de risco para as duas empresas.

A Corteva projeta um custo com a separação dos negócios próximo de US$ 350 milhões, além de uma perda de US$ 100 milhões em "dissinergias", sendo metade disso já "na conta" para 2026.

O guidance divulgado pela Corteva (ainda uma só), projeta um Ebitda entre US$ 4 bilhões e US$ 4,2 bilhões, crescimento de 7% na média, com um lucro por ação entre US$ 3,45 e US$ 3,70, crescimento de mesma magnitude em relação a 2025.

A empresa cita que os fundamentos agrícolas permanecem mistos. De um lado, uma demanda resiliente nos dois negócios, e do outro, uma aperto na dinâmica da oferta e demanda com menos exportações de matérias-primas vindas da China.

Tanto nas sementes quanto na área de proteção de cultivos, a Corteva projeta um bom resultado ancorado em lançamentos.

"As condições no nível das fazendas permanecem incertas, visto que os produtores continuam a gerenciar os custos de insumos com cuidado, mas o investimento em tecnologias que aumentam a produtividade continua sendo uma prioridade clara", cita a multinacional.

Resumo

  • Receita da Corteva subiu 11% no primeiro trimestre, a US$ 4,9 bi, com sementes e defensivos crescendo 2 dígitos
  • Ebitda cresceu 21%, a US$ 1,44 bi, e lucro líquido avançou 10%, a US$ 723 milhões
  • Separação dos negócios vira prioridade e deve marcar o segundo semestre