A fabricante de máquinas agrícolas AGCO, dona de marcas como Massey Ferguson, Valtra e Fendt, começou o ano de 2026 com o pé no acelerador na maior parte do mundo.

Com isso, globalmente, as vendas da companhia subiram 14,3% entre janeiro e março deste ano na comparação com o mesmo período de 2025, somando US$ 2,24 bilhões.

O lucro líquido da companhia saltou cinco vezes no primeiro trimestre de 2026, somando US$ 55 milhões, ante US$ 10,5 milhões registrados no começo de 2025.

“Superamos o mercado, principalmente em equipamentos de alta potência e agricultura de precisão”, comemorou o CEO da companhia, Eric Hansotia, na apresentação dos resultados.

O desempenho é resultado do crescimento nas vendas em praticamente todas as regiões onde a AGCO atua ao redor do mundo.

A maior alta foi registrada na região que engloba Ásia, Pacífico e África (APA), onde as vendas cresceram 31,2%, saltando de US$ 94,5 milhões no início de 2025 para US$ 124 milhões no mesmo período deste ano. Desconsiderando o efeito cambial, o avanço foi de 20,9%.

Na sequência, a região que abrange Europa e Oriente Médio (EME) também apresentou desempenho robusto, com crescimento de 20,3%, passando de US$ 1,3 bilhão para US$ 1,6 bilhão. Excluindo o efeito do câmbio, a alta foi de 9%.

Na América do Norte, a AGCO registrou aumento de 10% nas vendas, que avançaram de US$ 369,5 milhões para US$ 406,4 milhões. Excluindo o impacto cambial, o crescimento foi de 9%.

De acordo com a companhia, os resultados foram impulsionados principalmente pela maior comercialização de tratores de alta potência, implementos agrícolas e pulverizadores.

O destaque negativo veio justamente da América Latina, onde as vendas recuaram 17,3% no primeiro trimestre, de US$ 256 milhões para US$ 211,7 milhões. De acordo com a AGCO, a menor demanda afetou todas as categorias de produtos. Descontando o efeito cambial, a retração chega a 30,3%.

A partir deste ano, a companhia passou a incluir os resultados da operação no México na consolidação da América Latina.

Anteriormente, os dados do país eram reportados dentro dos resultados da América do Norte, enquanto a empresa divulgava apenas os números da América do Sul, região que tem o Brasil como principal mercado, sem utilizar a denominação América Latina. A AGCO informou que ajustou os dados para garantir a comparabilidade anual.

A empresa também trouxe estimativas de mercado. Nos Estados Unidos, as vendas de tratores no varejo recuaram 8%, com queda mais acentuada nos modelos de maior potência. Já as vendas de colheitadeiras caíram 7% na comparação com 2025.

A atual conjuntura econômica agrícola, a evolução da demanda por exportação de grãos e os elevados custos de insumos devem continuar pressionando a demanda do setor ao longo de 2026, principalmente de equipamentos de maior porte, projeta a AGCO.

No Brasil, o quadro também é negativo. As vendas de tratores recuaram 10% no início deste ano, de acordo com estimativas da AGCO, assim como a comercialização de colheitadeiras, que retraiu 38% no período.

No segmento de tratores, a empresa observa uma demanda mais fraca por equipamentos de grande porte, parcialmente compensada por modelos de pequeno e médio porte.

“O Brasil está colhendo safras próximas de recordes, mas a rentabilidade segue pressionada pelos altos custos de produção, especialmente com fertilizantes importados. A demanda por máquinas maiores ainda não apresentou recuperação consistente. Além disso, o crédito restrito, os custos elevados de financiamento e o ambiente político mais amplo devem continuar limitando o mercado”, afirmou a companhia.

Na Europa Ocidental, por outro lado, o cenário é mais positivo, com alta de 7% registradas nas vendas de tratores no primeiro trimestre de 2026. De acordo com a AGCO, a melhora na renda dos produtores, especialmente nos segmentos de leite e pecuária, somada à frota envelhecida, tem sustentado uma demanda “ligeiramente acima” à do ano passado.

Para 2026, a AGCO projeta receita entre US$ 10,5 bilhões e US$ 10,7 bilhões, com margens operacionais entre 7,5% e 8%, refletindo o foco contínuo em disciplina de preços, gestão de custos e eficiência operacional.

A estimativa representa um leve ajuste em relação à projeção divulgada no fim de 2025, quando a companhia previa vendas entre US$ 10,4 bilhões e US$ 10,7 bilhões.

Também houve mudanças na projeção de lucro por ação, que a AGCO estima que agora deve ficar em torno de US$ 6, acima, portanto, da faixa de US$ 5,50 a US$ 6 estimada anteriormente.

Resumo

  • Fabricante de máquinas agrícolas AGCO teve lucro líquido de US$ 55 milhões no primeiro trimestre de 2026
  • Dona das marcas Valtra, Massey Ferguson e Fendt registrou alta de 14,3% nas vendas no início deste ano
  • Projeção de lucro por ação subiu, assim como estimativas de receitas