A cisão da Corteva ganhou mais um passo importante nesta segunda-feira, 4 de maio: um nome. A unidade de negócios que envolve o portfólio de sementes e genética se chamara Vylor, informou a empresa em comunicado oficial.
Anteriormente chamado, provisoriamente, de SpinCo, o negócio nasce com um portfólio de mais de 4 mil patentes de germoplasma e mais de 2 mil patentes de biotecnologia. A "outra parte" da empresa se chamará New Corteva, ou Nova Corteva, e engloba a operação de defensivos agrícolas, químicos e biológicos.
"O motor de inovação da Vylor estará ancorado no germoplasma de elite e na biotecnologia transformadora do setor, incluindo um portfólio de produtos que abrange inovações como o trigo híbrido patenteado, liderança em edição genética, milho resistente a múltiplas doenças e biocombustíveis de última geração", diz a nota publicada pela Corteva.
De acordo com o comunicado, o nome deriva da palavra "valor". De um lado, a empresa pontua que o nome "honra a bravura das gerações de funcionários e agricultores cujo trabalho árduo ajudou a alimentar o mundo". Do outro, menciona que diz respeito à mentalidade da nova empresa de "buscar todas as oportunidades".
“A Vylor tem suas raízes há um século, em uma única ideia: a de que a inovação poderia transformar a agricultura e, com ela, o mundo. Essa crença – no poder da ciência para impulsionar a agricultura e ajudar os agricultores a alimentar e abastecer uma população crescente – continua sendo nossa bússola”, disse o futuro CEO da Vylor, Chuck Magro, na nota publicada.
Magro é atualmente CEO global da Corteva e assumirá o posto da nova empresa assim que o negócio sair do papel. A New Corteva será presidida por Luther Kissam, executivo que chegará na empresa em julho assumindo, num primeiro momento, a presidência da divisão de proteção de cultivos.
O logo da empresa possui a letra "L" estilizada como se fosse um cromossomo, algo que reforça o papel da genética na agricultura, diz a empresa. Já o uso das cores verde, vinho e azul em sua paleta ampliada faz referência à herança das marcas Pioneer, Brevant, Hogemeyer e Corteva.
O curioso é que a Corteva foi justamente "formada" há quase 10 anos pela junção da Dow Chemical - dona de um portfólio de defensivos agrícolas - e da DuPont (que, além dos defensivos, já havia se juntado há algumas décadas com a Pioneer, focada em sementes).
Depois das duas formarem a DowDuPont, resolveram cindir o negócio agrícola de outras verticais de químicos industriais.
O que na última década era uma junção de forças hoje é uma estratégia de adaptação frente a um mercado complexo para as empresas de tecnologia agrícola.
Os rumores da cisão começaram em setembro do ano passado, quanto o The Wall Street Journal noticiou que a Corteva - avaliada em US$ 50 bilhões - estudava separar os negócios para mitigar os riscos da operação de sementes.
A ideia era evitar o caminho da concorrente Bayer, que desde que adquiriu a Monsanto, em 2018, comprando tanto a parte de sementes quanto a de defensivos, acabou também herdando várias disputas judiciais envolvendo o uso do herbicida RoundUp, que fazia parte do portfólio da Monsanto e que é acusado por agricultores americanos de ter causado câncer.
Dessa forma, a Vylor não será afetada por eventuais eventuais responsabilidades futuras envolvendo os produtos químicos para controle de pragas e ervas daninhas comercializados pela companhia.
O movimento da Corteva também lembra uma estratégia semelhante de outra concorrente, a Basf. Em 2024, a empresa anunciou que faria o IPO de sua divisão agrícola responsável pela fabricação de insumos como herbicidas e fungicidas, avaliada em aproximadamente 16,5 bilhões de euros.
A ideia é dar mais visibilidade para essa área da companhia. Apesar de responder por cerca de 15% do faturamento total, a divisão teria suas perspectivas de lucro subestimadas pelos investidores, avalia a direção da Basf. O IPO deve ser parcial e deve ocorrer só em 2027.
A intenção de separar os negócios foi confirmada pela Corteva em outubro do ano passado, já informando o destino de Chuck Magro. A New Corteva representa 44% das vendas totais e a Vylor, cerca de 56% da atual empresa.
Trazendo em números, a unidade de defensivos foi responsável por uma receita superior aos de US$ 7 bilhões em 2025. Já a área que se tornará a Vylor trouxe vendas de US$ 9,8 bilhões.
Na época que confirmou a cisão, a Corteva disse que os mercados de sementes e defensivos agrícolas passaram por mudanças estruturais e oferecem oportunidades de crescimento.
"Essa separação permitirá que ambas as empresas maximizem a criação de valor a longo prazo, concentrando-se em suas próprias prioridades. Vemos essa cisão como o próximo passo lógico em nossa trajetória de crescimento", disse Chuck Magro na ocasião.
"Construímos uma companhia sólida e líder de mercado nos últimos seis anos. Agora, o objetivo é posicionar cada negócio de forma independente para que continuem entregando soluções diferenciadas aos agricultores e retornos consistentes aos investidores", acrescentou o executivo.
Resumo
- Nova empresa ganha nome de Vylor e nasce com mais de 4 mil patentes de germoplasma e 2 mil em biotecnologia
- Negócio de sementes gerou US$ 9,8 bilhões de receita em 2025, enquanto que os defensivos trouxeram US$ 7 bilhões
- Cisão mira destravar valor e reduzir exposição a riscos legais de químicos