Aurélio Pavinato, o CEO da SLC Agrícola, teve vários motivos para sorrir ao longo de 2025. Isso porque a maior operadora de terras agrícolas do Brasil encerrou o ano passado com números para comemorar.
O crescimento de áreas produtivas da companhia em cerca de 100 mil hectares veio acompanhado de uma alta produtividade nas principais culturas que a empresa atua, levando a um crescimento expressivo de receita e geração operacional robusta.
A expectativa da companhia gaúcha é de que o bom momento siga em 2026, mesmo com dúvidas em relação ao clima, do plantio à colheita, que podem afetar a produtividade da soja e do milho de segunda safra.
O lucro líquido da SLC no período somou R$ 565,2 milhões, avanço de 17,3% em relação aos R$ 481,7 milhões registrados em 2024.
O Ebitda ajustado (sigla para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 2,6 bilhões, 30,8% superior ao volume de 2024, quando havia totalizado R$ 2,036 bilhões. A margem do Ebtida ajustado foi de 31,2%.
A receita líquida totalizou R$ 8,5 bilhões, 23,7% a mais que no ano passado. Trata-se de um montante recorde na história da companhia, segundo a SLC Agrícola.
Para a companhia, o resultado reflete a melhor produtividade da safra 2024/2025 frente à safra 2023/2024, especialmente para soja e milho.
“Nossa receita ficou muito acima do ano anterior e é consequência da maior produtividade e é da expansão da área, são os dois fatores que geraram essa receita adicional”, avaliou Aurélio Pavinato, CEO da SLC, que comentou os resultados em entrevista a jornalistas.
A companhia vendeu R$ 2,74 bilhões de grãos de soja, salto de 48,7% frente ao R$ 1,85 bilhão obtido em 2024. No milho de segunda safra, a companhia obteve R$ 1,0 bilhão, alta de 97,6%. No algodão em pluma, em contrapartida, as receitas recuaram a R$ 3,4 bilhões, queda de 6,3%, devido à queda dos preços da commodity.
Ao todo, a companhia comercializou 3,5 milhões de toneladas de commodities em 2025, alta de 42,3% em relação às 2,5 milhões de toneladas de 2024. A comercialização também foi recorde, de acordo com a SLC.
Houve avanços nas três principais culturas: soja, milho e algodão. Na soja, a SLC comercializou 1,4 milhão de toneladas da oleaginosa - uma alta de 46,4% em relação a 2024. No milho, foram comercializadas 1,2 milhão de toneladas do cereal - 84% a mais que no ano anterior. No algodão em pluma, a alta foi mais tímida, de 1,4%, somando 369,3 mil toneladas comercializadas..
As produtividades também responderam bem. Na soja, a produtividade média foi de 3.961 quilos (ou 66 sacas) por hectare, 21,4% superior à safra anterior.
No milho de segunda safra, a empresa registrou um dos destaques operacionais do período. A colheita foi concluída com produtividade recorde de 8.304 quilos por hectare, resultado 10,1% superior ao projetado e 17,1% acima da safra de 2023/2024.
Segundo a companhia, o rendimento ficou 27,8% acima da média nacional, favorecido por boas condições climáticas em parte do ciclo produtivo.
Já no algodão, outro pilar do portfólio agrícola da companhia, o desempenho foi mais heterogêneo. Enquanto o algodão de segunda safra se beneficiou de produtividade maior, totalizando 2.011 quilos por hectare, 10,1% superior à do ciclo anterior, o algodão de primeira safra teve produtividade 7,7% inferior na comparação, totalizando 1.841 quilos por hectare.
A área plantada saltou de 735,9 mil hectares na safra 2024/2025 para 835,7 mil hectares na safra 2025/2026, em função especialmente das terras que pertenciam à Sierentz Agro, da compra da participação da Mitsui na SLC-MIT, e da associação com FIPs sob gestão do banco BTG Pactual, que visa acelerar a implementação de área irrigada na Bahia em 21.033 hectares nas fazendas Piratini e Paladino.
Na Fazenda Piratini, o projeto já se encontra em andamento e, até 2026, está prevista a execução adicional de 6.303 hectares, totalizando 13.204 hectares. Já para trazer irrigação à Fazenda Paladino, a SLC ainda aguarda autorizações de licença de captação de água e perfuração de poços, além de fornecimento de energia. A ideia da companhia é implementar esse projeto na propriedade entre 2028 e 2030.
Em função dos investimentos e aquisições feitas, a dívida líquida da companhia passou de R$ 3,6 bilhões no fim de 2024 para R$ 5,2 bilhões no fim de 2025. A alavancagem passou de 1,80 vezes o Ebitda no fim de 2024 para 1,97 vezes o Ebitda no fim de 2025.
Pavinato salienta que a companhia conseguiu cumprir a meta de manter a alavancagem abaixo de 2 vezes – seguindo orientação do Conselho de Administração – e ponderou que o aumento da dívida líquida está puramente relacionado à expansão da empresa.
“Crescimento demanda caixa, demanda Opex e Capex. Nosso ciclo financeiro é longo e demanda recursos para ambas as linhas”, disse Pavinato, ressaltando ainda que a SLC conseguiu alongar sua dívida.
Agora, 78% dos débitos são de longo prazo, ante 69% no fim de 2024. “Estamos com uma condição de dívida bem confortável para sustentar nosso crescimento e essas fases turbulentas do mercado.”.
Clima atrapalha, mas não assusta em 2026
Apesar da falta de chuva no início da safra 2025/2026, que afetou o plantio da soja, e do excesso nas últimas três semanas, especialmente em Mato Grosso, que impactou negativamente a colheita da oleaginosa, Aurélio Pavinato mantém o otimismo para a atual temporada.
“Nas nossas fazendas, Mato Grosso já está finalizando a colheita de soja, Mato Grosso do Sul também, Bahia começando e Maranhão indo para metade. Estamos com dois terços colhidos”, afirma Pavinato.
O presidente da SLC relata que 75% da safra de soja 2025/2026 já foi vendida e também hedgeada, com câmbio a R$ 5,77. “E estamos com o câmbio inclusive melhor no caso da soja, conseguimos fazer fixações de preços em patamares adequados”, diz Pavinato.
No algodão, 80% já foram vendidos, também com hedge favorável, de R$ 6,10. No milho, 61,9% foram vendidos, com hedge de R$ 5,72.
Em relação às produtividades, o excesso de chuvas afetou as propriedades da SLC especialmente em Mato Grosso e na Bahia, mas, na média, a tendência é de que a produtividade siga de 67,3 sacas por hectares na soja nesta safra, diz Pavinato. “Estamos confiantes de que vamos atingir e até ultrapassar essa meta”, projeta.
Ainda assim, Pavinato relata que as intempéries climáticas afetaram a produção da SLC. “Teve um excesso de chuva no último mês, especialmente nas últimas semanas que pegou mais intensivamente o Mato Grosso”, afirma.
“A chuva foi forte também na Bahia e no Maranhão. Na Bahia, eles estão começando a colher e foi até bom. A Bahia está com safra espetacular, vai ser uma supersafra por lá. Já o Maranhão estava colhendo, mas não perdeu produção, a soja não ardeu na lavoura”, complementa.
Para o milho de segunda safra, a dúvida reside em relação à quantidade de chuvas especialmente a partir do mês de abril, diz Pavinato. No ano passado, a SLC foi favorecida por chuvas fortes entre abril e maio, que ajudaram a companhia na produção do cereal.
“Mas estamos ainda na expectativa de cumprir nosso projeto de milho”, diz. A SLC projeta produtividade de 7.738 quilos por hectare para o cereal de segunda safra, alta de 2,6% em relação ao ciclo anterior.
E mesmo assim, em caso de recuo na produtividade do milho, Pavinato avalia que a companhia também pode se beneficiar em função de um aumento nos preços que a situação hipotética de menor oferta do cereal poderia trazer.
“Podemos perder um pouco de produtividade desse milho se não chover o suficiente, mas toda a região afetada produzirá menos, gerando preços mais altos”, avalia.
O CEO da SLC também comentou sobre as perspectivas da companhia para o conflito no Oriente Médio, que tende afetar principalmente as compras de fertilizantes.
Pavinato diz que a companhia já comprou “praticamente 100%” dos fertilizantes fosfatados – que correspondem à metade de todo o portfólio de adubos da SLC – ao perceber que os preços do enxofre estavam em alta.
Já a compra de fertilizantes nitrogenados e de cloreto de potássio ainda não aconteceu. “Não compramos ainda e vamos aguardar os desdobramentos”, disse Pavinato, sem conseguir trazer mais detalhes por ora.
Resumo
- A SLC Agrícola encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 565,2 milhões, 17,3% a mais que em 2024 receita recorde de R$ 8,5 bilhões, com alta de 23,7%
- A companhia comercializou 3,5 milhões de toneladas de commodities no período (+42,3%), com destaque para soja (+46,4%) e milho de segunda safra (+84%)
- Para 2026, a empresa mantém otimismo apesar dos riscos climáticos, com grande parte da safra já vendida e hedgeada, enquanto monitora impactos do clima na produtividade