A Rumo, empresa de logística do Grupo Cosan, reportou desempenho misto no quarto trimestre de 2025, na avaliação das principais casas do mercado.

Mas os primeiros números do desempenho da empresa neste ano indicam certa recuperação, fazendo com que grandes instituições financeiras tenham mais otimismo em relação ao andar da companhia neste ano.

Entre outubro e dezembro do ano passado, a companhia teve um lucro líquido de R$ 213 milhões, ante prejuízo de R$ 259 milhões registrado no mesmo período de 2024.

Houve também aumento nos volumes totais transportados no quarto trimestre, passando de 19,8 bilhões de TKUs (toneladas por quilômetro-útil) no fim de 2024 para 22,8 bilhões de TKUs no mesmo período de 2025.

O balanço mostra ainda um incremento de 16,1% no transporte de produtos agrícolas, somando 18,5 bilhões de TKUs no período, com destaque para elevação nos transportes de soja, que cresceram mais de 100%, atingindo 3 bilhões de TKUs e açúcar, com alta de 18,1%, somando 1,6 bilhão de TKUs.

Já a receita operacional líquida da companhia recuou 3,3% no período, passando de R$ 3,4 bilhões para R$ 3,3 bilhões.

A receita de transporte apresentou ligeiro crescimento, com alta de 2%, totalizando R$ 3 bilhões, com o aumento no volume transportado compensando os menores yields no período, afirma a Rumo.

Por outro lado, as receitas com solução logística e outras receitas foram menores no trimestre, recuando a R$ 141 milhões e R$ 131 milhões, quedas de 31,7% e 45,1% respectivamente.

O resultado pode ser explicado, em parte, por nova queda nas tarifas médias da companhia no quarto trimestre, que passaram de R$ 151,8 para R$ 134,7 na comparação interanual, um recuo de 11,2%.

No terceiro trimestre, a Rumo já tinha registrado queda de 6,3% nas tarifas. Na prática, isso quer dizer que a companhia está fazendo mais transporte de produtos, mas recebendo menos por tonelada.

Na Operação Norte, o recuo foi de 12,8%, de R$ 148,5 para R$ 129,5 por mil TKU. Na Operação Sul, a contração foi de R$ 159,5 para R$ 146,3, recuo de 8,3%. Já nos contêineres, houve avanço de 3,1% nos preços, passando de R$ 182,6 para R$ 188,3.

A Rumo encerrou o quarto trimestre com uma dívida líquida de R$ 15,5 bilhões, alta de 4% em relação aos R$ 14,9 bilhões. A alavancagem segue de 1,9 vezes o Ebitda.

No ano, a companhia encerrou 2025 com 84,1 bilhões de TKUs transportados, volume 5,4% superior aos 79,8 bilhões de TKUs. Trata-se de novo recorde histórico, segundo a empresa, mas que acaba limitado pela queda das tarifas.

Assim, a receita operacional líquida teve uma pequena queda de 0,6%, atingindo R$ 13,8 bilhões. O Ebitda ajustado foi de R$ 8,0 bilhões, alta de 4% frente aos R$ 7,7 bilhões de 2024. A companhia teve lucro líquido de R$ 865 milhões, recuperando o prejuízo de R$ 949,9 milhões registrado no ano anterior.

Para o Itaú BBA, os resultados da Rumo no quarto trimestre de 2025 vieram fracos, mas até melhores do que o previsto pelo banco de investimentos.

Por um lado, o relatório assinado por Daniel Gasparete e Gabriel Rezende, destaca o forte crescimento de volume transportado que foi mais do que compensado por tarifas mais baixas e receitas mais fracas com soluções logísticas.

Mas, por outro lado, os analistas lembram que ganhos extraordinários com créditos fiscais compensaram a alavancagem operacional pior do que o esperado - o Ebitda trimestral teria ficado 5% abaixo das estimativas do banco se ajustado pelos créditos fiscais. A queda das tarifas médias na comparação anual também foi um ponto mencionado pela instituição.

Ainda assim, o Itaú BBA avalia que a tormenta vivida pela companhia parece ter arrefecido.

"O pior parece finalmente ter passado para a Rumo", diz o banco, que leva em consideração para essa análise a previsão para os volumes de fevereiro feita pela companhia.

O Itaú BBA lembra que a Rumo divulgou seus volumes para fevereiro, com números consolidados apresentando um aumento de 17% em relação ao ano anterior, chegando a 6,9 bilhões de TKUs. Na Operação Norte houve um crescimento de 16% em relação ao ano anterior, enquanto no Sul o aumento foi de 27%.

Analisando a distribuição por produto, o Itaú BBA destaca que, em termos consolidados, os produtos agrícolas cresceram 18%, impulsionados pelo sólido desempenho da soja, alta de 19% em relação ao ano anterior.

A movimentação prevista para fevereiro pode, na avaliação do Itaú BBA, "pela primeira vez em muito tempo, sugerir um risco de alta em relação às nossas estimativas (pelo menos para o primeiro trimestre de 2026)", diz.

"Embora não esperemos que as ações reajam positivamente aos resultados, prevemos que o pessimismo continuará a diminuir gradualmente à medida que os lucros melhorarem no primeiro semestre de 2026, embora reconheçamos que possa haver crescentes incertezas em relação ao milho no segundo semestre de 2026."

O Itaú BBA tem preço alvo para a ação de R$ 19 e recomendação outperform, que é equivalente a uma recomendação de compra.

No BTG Pactual, a avaliação também é de que a Rumo apresentou resultados mistos. Em relatório assinado por Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, o banco avalia que os números vieram ligeiramente negativos por margens mais fracas que o esperado, ainda que a produtividade tenha sido melhor do que o previsto. A receita ficou acima das estimativas dos analistas e as tarifas não vieram tão fracas quanto o previsto.

Para o BTG, a companhia atravessa um momento de transição, período marcado por um reajuste da estratégia de preços e pela reavaliação das prioridades de investimento (capex).

"O quarto trimestre pode ter representado a parte mais difícil desse processo. Acreditamos que, ao final dessa travessia, a empresa tende a emergir mais competitiva e disciplinada, embora o mercado ainda deva levar algum tempo para reconhecer essa mudança", dizem os analistas do banco.

Os analistas do BTG avaliam que os principais pontos de atenção para a Rumo ao longo de 2026 serão a evolução da produtividade nas operações, o ritmo de comercialização das safras de milho e soja, o nível de investimentos e a execução dos projetos, além de eventuais mudanças regulatórias envolvendo as concessões ferroviárias da Malha Oeste e da Malha Sul.

Mesmo diante das pressões recentes, o banco mantém recomendação de compra para as ações da companhia, avaliando que a maior parte das fraquezas operacionais já está refletida nos preços dos papéis. O preço alvo do BTG é de R$ 23 para a ação da companhia.

Às 16h desta sexta-feira, dia 6 de março, as ações da Rumo recuavam 0,19%, cotadas a R$ 15,59. Em 12 meses, apresentam queda de 13,20%.

Resumo

  • A Rumo, do grupo Cosan, teve resultados mistos no 4º trimestre de 2025: voltou ao lucro (R$ 213 milhões), mas a receita líquida caiu 3,3%
  • A pressão veio de tarifas menores, ou seja, a companhia está fazendo mais transporte de produtos, mas recebendo menos por tonelada
  • Apesar da fraqueza no trimestre, bancos como Itaú BBA e BTG Pactual veem sinais de melhora em 2026 com volumes mais fortes