A safra de soja 2025/2026 deve bater novo recorde, isso já é quase unanimidade, entre as principais consultorias de mercado do País.
O que ainda gera dúvidas é o tamanho exato da produção, já que somente 40% das lavouras foram colhidas até o momento. No Rio Grande do Sul, por exemplo, estado que tem enfrentando clima bastante irregular, os trabalhos estão apenas começando.
Os números mostram uma certa variação entre as expectativas de diferentes analistas. Nesta quinta-feira, 5 de março, a Agroconsult, consultoria que promove a expedição técnica Rally da Safra, anunciou que está revisando para cima sua estimativa para a safra 2025/2026.
A expectativa da Agroconsult agora é de uma produção de 183,1 milhões de toneladas, o que representa umacréscimo de 850 mil toneladas em relação à projeção inicial de janeiro.
Se o número for confirmado, representará um acréscimo de 6,4% na produção em relação ao volume da última safra de soja. A revisão inclui um aumento na estimativa de produtividade para o País, que passou a ser de 62,5 sacas por hectare, ante 62,3 sacas por hectare na projeção inicial.
A área plantada permanece estimada em 48,8 milhões de hectares, crescimento de 2,1% em relação à temporada anterior.
Na avaliação da Agroconsult, um grupo de nove estados apresenta ótimo potencial produtivo, acima de 62 sacas por hectare: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Rondônia e Bahia.
Também apresentam bom potencial produtivo os estados de Tocantins, com estimativa de 59,5 sacas por hectares, e Maranhão, Piauí e Pará, com produtividade estimada em 60 sacas por hectare.
O Paraná deve registrar novo recorde de produtividade, avalia a Agroconsult, com média de 67 sacas por hectare. Na maioria das regiões, de acordo com a consultoria, as chuvas ocorreram em volumes adequados, e o manejo de pragas e doenças foi eficaz, mesmo com o aumento da ferrugem nesta safra.
Ainda assim, a consultoria avalia que os problemas climáticos no Rio Grande do Sul e no Centro-Oeste – com chuva irregular e menos intensa no Sul do Brasil e em excesso em estados como Mato Grosso e Goiás – vem limitando os resultados da safra.
"A safra poderia ser ainda maior se houvesse mais chuvas no Rio Grande do Sul e se não tivesse ocorrido excesso de chuvas em janeiro e fevereiro que provocou perda de produtividade e qualidade da soja no Mato Grosso, em Goiás e Minas Gerais, frustrando produtores que estavam com a safra praticamente pronta”, explica André Debastiani, coordenador geral do Rally da Safra, expedição técnica feita pela consultoria Agroconsult.
O Rio Grande do Sul é o único estado com perdas consolidadas de produção nesta safra, estimadas pela consultoria em 2 milhões de toneladas.
A Agroconsult diz que a irregularidade das chuvas entre janeiro e fevereiro, especialmente no Sul do estado e na região das Missões, no Noroeste, comprometeu o potencial produtivo da soja gaúcha.
O estado será o último a receber as equipes do Rally da Safra, ainda em março, na etapa considerada decisiva para a consolidação dos números finais.
Já em Mato Grosso, aconteceu o contrário: o excesso de chuvas, especialmente no início de fevereiro, limitou parte do potencial das áreas.
“Há preocupação dos produtores com o peso e a qualidade dos grãos, por isso o monitoramento do peso é importante nessa reta final”, alerta Debastiani.
Ainda assim, a produtividade média no estado está estimada em 66 sacas por hectare, em linha com o recorde de 66,5 sacas por hectare que foi registrado na temporada passada.
Situação parecida ocorre entre os produtores de Goiás, que estão sendo desafiados pelo atraso da safra. De acordo com a Agroconsult, 60% da soja ainda precisa ser colhida no campo e os produtores aguardam uma trégua para intensificar suas operações.
Ainda assim, segundo a consultoria, a produtividade da soja no Estado é estimada em 67 sacas por hectare, pouco abaixo do recorde de 68 sacas por hectare, na safra passada.
Divergências em relação à produtividade
Ao contrário da Agroconsult, no entanto, algumas consultorias de mercado fizeram recentemente revisões para baixo em suas estimativas e projetam uma safra de soja abaixo de 180 milhões de toneladas.
Na consultoria Safras & Mercado, os problemas de produtividade ocasionados pelo excesso de chuvas em Mato Grosso e pelo estresse climático no Sul do Brasil foram suficientes para que a empresa reduzisse sua estimativa para a soja.
A consultoria previa uma produção de 179,28 milhões de toneladas em 16 de janeiro e, agora, espera que sejam produzidas 177,72 milhões de toneladas. A estimativa de produtividade média também passou por revisão baixista. Antes prevista em 3.728 quilos por hectare, agora passou para 3.696 quilos por hectare.
"De maneira geral, a safra brasileira segue como recorde. No entanto, houve ajustes pontuais de produtividade, especialmente no estado do Rio Grande do Sul, em função do estresse climático", aponta o analista de soja da equipe de inteligência de mercado da consultoria, Rafael Silveira.
A Safras previa que a produção da safra de soja gaúcha girasse entre 22 milhões de toneladas e 23 milhões de toneladas, e reduziu a previsão para cerca de 20,9 milhões. Ainda há possibilidade de novas revisões. A produtividade média no estado está projetada em 51 sacas por hectare.
No Centro-Oeste, também houve um ajuste levemente baixista na projeção da consultoria para a produção de Mato Grosso.
Antes, a Safras esperava uma produção de 49,7 milhões de toneladas no estado e, agora, espera produção de 49,27 milhões de toneladas, sob impacto negativo do excesso de chuvas.
O interessante é que, se em algumas regiões a chuva atrapalha, em outras, contribui para melhores resultados. É o que ocorre no Nordeste, segundo a Safras, onde o clima tem sido mais chuvoso e contribuído para melhorar o rendimento das lavouras. "A região do Mapito apresenta, até o momento, boas condições para produtividade", afirma Silveira.
A Safras & Mercado espera um aumento de 1,5% na área plantada nesta safra, estimada em 48,33 milhões de hectares.
Também influenciada pelo clima, a StoneX reduziu sua estimativa de produção de soja para esta safra.
Neste mês, a projeção passou para 177,8 milhões de toneladas, recuo de 2,1% em relação aos 181,6 milhões previstos no levantamento anterior, de fevereiro. A StoneX também diminuiu sua estimativa de produtividade, que passou de 3,73 toneladas por hectare para 3,65 toneladas por hectare entre fevereiro e março.
A revisão baixista na projeção está relacionada aos impactos climáticos negativos na produção do Sul do Brasil, diz a consultoria.
Houve redução nas projeções de produção de soja no Paraná, passando de 23,7 milhões de toneladas na projeção anterior para 23 milhões de toneladas na atual estimativa, queda de 3%, e também na projeção para a produção do Rio Grande do Sul, que diminuiu de 22,8 milhões de toneladas para 20,1 milhões de toneladas, queda de 11,8%.
“Apesar de ainda ser uma safra recorde, questões climáticas trouxeram algum prejuízo para as lavouras, especialmente no Rio Grande do Sul, onde as chuvas chegaram tarde e de forma bastante irregular”, diz a especialista de inteligência de mercado da StoneX, Ana Luiza Lodi.
Já em Mato Grosso, a estimativa foi mantida em 49 milhões de toneladas, sem alterações em relação à projeção anterior.
A expectativa da StoneX é de um rendimento médio de produção abaixo de 3 toneladas por hectare no Rio Grande do Sul. Mas, como o ciclo da soja gaúcha é mais tardio, o avanço da colheita nas próximas semanas ainda pode trazer novas revisões, conclui a consultoria.
Resumo
- A Agroconsult elevou sua estimativa para a safra brasileira de soja 2025/26 para 183,1 milhões de toneladas, alta de 850 mil toneladas em relação à projeção de janeiro e 6,4% acima da temporada passada, mesmo com problemas climáticos pontuais no país.
- Segundo a consultoria, a produtividade tem reagido bem em várias regiões, ainda que falta de chuvas no Rio Grande do Sul e excesso no Centro-Oeste limitaram parte do potencial produtivo
- Outras consultorias divergem: Safras & Mercado e StoneX revisaram suas projeções para baixo, para cerca de 177,7 milhões e 177,8 milhões de toneladas, citando impactos climáticos no Sul como motivo