O ciclo internacional da celulose voltou a jogar a favor das principais papeleiras brasileiras em 2025. Depois de um período de preços mais pressionados e maior volatilidade cambial, Suzano e Klabin encerraram o ano com crescimento de receita, melhora operacional e avanço na desalavancagem.
Esse conjunto pode ser claramente visto na Bolsa: na tarde do pregão desta quarta-feira, 11 de fevereiro, as ações da Suzano e as units da Klabin disparavam 10% e 6%, respectivamente, refletindo a percepção de que o setor pode estar entrando em uma fase mais construtiva.
A Suzano registrou receita líquida de R$ 50,1 bilhões em 2025, alta de 6% em relação ao ano anterior. O crescimento foi sustentado principalmente pelo avanço de 15% no volume de vendas, que alcançou 14,2 milhões de toneladas no consolidado do ano (alta de 15%), com destaque para a celulose, responsável por 12,4 milhões de toneladas desse total. O restante ficou com as vendas de papel.
Ainda que os preços médios em dólar tenham permanecido 8% abaixo na média frente a 2024, a companhia conseguiu compensar parte dessa pressão com maior volume embarcado e menos custos.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado foi de R$ 21,7 bilhões, queda de 9% em relação aos R$ 23,8 bilhões de 2024, com a margem recuando de 50% para 43%.
A principal pressão veio dos preços da celulose no mercado internacional. O preço médio realizado da celulose caiu de aproximadamente US$ 605 por tonelada em 2024 para cerca de US$ 560 por tonelada em 2025, uma retração próxima de 7% em dólar.
Até houve uma melhora nos preços no quarto trimestre, que fecharam o ano em US$ 537 por tonelada na celulose, uma alta de 2% em relação ao terceiro tri, mas ainda abaixo do visto em 2024.
Na avaliação do Santander, o desempenho surpreendeu positivamente. Em relatório, o analista Yuri Pereira destacou que o Ebitda ajustado ficou 11% acima das estimativas do banco e 10% acima do consenso.
“A principal diferença em relação às nossas estimativas foi um desempenho melhor do que o esperado no segmento de celulose”, escreveu.
No caso da Klabin, a trajetória foi semelhante em termos de crescimento anual, ainda que com dinâmica operacional distinta.
A empresa encerrou 2025 com receita líquida de R$ 20,7 bilhões, alta de 5% frente a 2024. O Ebitda ajustado somou R$ 7,8 bilhões, avanço de 7% na comparação anual. Diferentemente da Suzano, cuja exposição à celulose é predominante, a Klabin contou com seu portfólio mais diversificado, e com produtos de maior valor agregado: papéis e embalagens.
Enquanto o Ebitda da divisão de celulose caiu 8% no ano, com preços menores, as vendas de papel cresceram cerca de 4% no ano, para aproximadamente 1,4 milhão de toneladas, enquanto embalagens tiveram alta próxima de 2%, para algo em torno de 1,1 milhão de toneladas.
Para o Santander, o resultado da Klabin veio em linha com as estimativas do banco. No relatório, Yuri Pereira destacou que o Ebitda do último trimestre ficou praticamente estável na comparação anual, mas com pressão relevante na divisão de celulose.
Pereira ainda destacou os preços mais baixos com o dólar mais fraco, mas ressaltou que a alavancagem em dólar melhorou para 3,3 vezes. No ano passado, estava em 4,5 vezes.
Resumo
- Suzano tem receita de R$ 50,1 bi (+6%), volume recorde de 14,2 mi t (+15%) e Ebitda acima do esperado
- Klabin reporta receita de R$ 20,7 bi (+5%) e Ebitda de R$ 7,8 bi (+7%), com suporte de papéis e embalagens; alavancagem caiu de 4,5x para 3,3x.
- Ações reagiram forte na Bolsa (Suzano +10%, Klabin +6%), refletindo expectativa de ciclo mais favorável para o setor em 2025.