Depois de compras anteriores mais modestas, a Microsoft deu um passo ousado no mercado de créditos de carbono. A empresa irá adquirir 2,85 milhões de créditos de carbono gerados pelo programa da agtech americana Indigo Ag, inclusive no Brasil.
O movimento mostra um avanço claro frente às aquisições mais recentes na parceria - 40 mil toneladas de créditos comprados em 2024 e 60 mil toneladas em 2025.
O contrato é de 12 anos, e os créditos da Indigo são gerados através de agricultura regenerativa. A transação não teve valores monetários divulgados, mas está em linha com a estratégia da companhia fundada por Bill Gates de se tornar carbono negativa até 2030.
A Indigo não é a única fornecedora de créditos de carbono da big tech, que em 2024, anunciou que desembolsaria US$ 1 bilhão para comprar 8 milhões de créditos de carbono que serão investidos na estratégia de reflorestamento e restauração do Timberland Investment Group (TIG), do BTG Pactual, que tem a Conservation International como parceira.
A diferença dos programas está na estratégia. Enquanto o TIG tem uma estratégia de reflorestamento nos EUA e na América Latina, a Indigo aposta nos agricultores, também americanos e latinos, para gerar os créditos.
Em release divulgado à imprensa, a Indigo citou que trabalha com agricultores que atuam em 3,24 milhões de hectares globalmente e que já pagou cerca de US$ 40 milhões (cerca de R$ 215 milhões) aos participantes dos programas.
"Em um momento em que muitos agricultores enfrentam desafios econômicos e ambientais crescentes, o contrato fornece incentivos financeiros significativos para a adoção e expansão de práticas regenerativas. Isso melhora a resiliência das fazendas e cria novas fontes de receita para os produtores rurais", diz a Indigo na nota.
“A Microsoft está satisfeita com a abordagem da Indigo para a agricultura regenerativa, que entrega resultados mensuráveis através de créditos verificados e pagamentos aos produtores, enquanto avança na ciência do carbono do solo com modelagem avançada e parcerias acadêmicas”, acrescentou Phillip Goodman, Diretor de Remoção de Carbono da Microsoft, no mesmo documento.
A Indigo calcula que práticas de agricultura regenerativa tenham o potencial de capturar mais de 3,5 gigatoneladas de dióxido de carbono (CO₂) equivalente por ano, para além dos benefícios agrícolas que os produtores ganham com um solo mais saudável.
A empresa trouxe para o Brasil seu programa de carbono no ano passado, conforme revelou Cristiano Pinchetti, executivo brasileiro que atua como head internacional e CEO para a América Latina e Europa da Indigo Ag, em uma entrevista dada ao AgFeed em maio do ano passado.
Resumo
- O acordo envolve 2,85 milhões de créditos gerados por produtores rurais, um volume muito superior às aquisições feitas em 2024 e 2025, quando a Microsoft comprou 40 mil e 60 mil toneladas, respectivamente
- Diferente de iniciativas baseadas em reflorestamento, como a parceria com o TIG do BTG, o modelo da Indigo remunera agricultores por práticas regenerativas, já presentes em mais de 3,2 milhões de hectares