Uma empresa fundada como exportadora de grãos, que construiu seu próprio terminal portuário, e que foi vendida para uma grande companhia multinacional. Esse é um resumo dos 10 anos de existência da AgriBrasil.
A empresa vai continuar sua história, com recursos para expandir seus negócios. Já o fundador, Frederico Humberg, vai seguir outro caminho. Ele passa a ser investidor, especialmente em empresas e projetos voltados para o agronegócio.
Em conversa com o AgFeed, Humberg afirma que está em início de férias, após anunciar, no início da semana, a conclusão da venda do controle da companhia para a trading Solaris, controlada pelo Fundo Soberano de Omã. “Mas já tenho projetos na mesa para estudar e avaliar se entro como investidor”, conta.
Por ter se tornado um nome de referência no agronegócio, a grande maioria das propostas que chegam até ele vêm do setor.
“Eu tenho um termo de não competição com a AgriBrasil. Então eu não posso atuar nas áreas de exportação de soja e milho e de portos”, diz. “Mas chegaram projetos de cana, trigo, outros segmentos nos quais eu posso investir”.
Além de fundador, Humberg era CEO da AgriBrasil. Ele deixou o cargo depois que a venda foi anunciada, em julho do ano passado. Agora, atua como conselheiro da empresa.
“Não serei presidente do conselho e não terei qualquer função na tomada de decisões da AgriBrasil, exceto como conselheiro. Acharam por bem me manter nessa função pela experiência que adquiri com o mercado brasileiro”, conta o agora investidor.
Sobre a venda, Humberg conta que a AgriBrasil precisava de um aporte de aproximadamente R$ 800 milhões para viabilizar uma nova fase de crescimento da empresa, especialmente do Terminal Portuário Santa Catarina (TESC), localizado no porto de São Francisco do Sul.
“Ficamos quatro anos e meio, desde a listagem na Bolsa, esperando por uma janela para abrir o capital. Ela não veio e nós fomos buscar alternativas”.
Ele revela que a intenção era buscar um investidor para ter participação minoritária, mas a Solaris, empresa sediada em Dubai, exigiu o controle para fechar negócio.
“Pensando na empresa, não tínhamos como declinar a oferta. A Solaris é uma das maiores exportadoras de grãos do mundo, movimenta cerca de 15 milhões de toneladas por ano”.
Com o negócio, a Solaris Commodities inicia suas atividades na América Latina. Atualmente, a empresa atua em mercados no Oriente Médio, inclusive Turquia, Sudeste Asiático, em países como Coreia do Sul e Vietnã, e todo o continente africano.
A companhia tem uma receita líquida anual de aproximadamente US$ 3,5 bilhões, valor atingido em 2024. Em 2025, a estimativa é ter atingido algo próximo de US$ 3,2 bilhões.
No último balanço apresentado, a AgriBrasil apresentou lucro líquido de quase R$ 19 milhões no primeiro semestre de 2025 e somente a participação de 51% na TESC rendeu mais de R$ 9 milhões. No mesmo período de 2024, a empresa havia registrado prejuízo pouco superior a R$ 1 milhão.
Resumo
- Frederico Humberg conclui a venda do controle da AgriBrasil para a Solaris e passa a atuar como investidor
- Fundador permanece como conselheiro e acionista minoritário na companhia, que comercializa grãos e controla o TESC
- Venda viabiliza expansão da empresa e abre espaço para novos investimentos de Humberg no agro