Nos trilhos da Rumo, a operação e a performance das ações negociadas na Bolsa seguiram caminhos distintos em 2025. Enquanto os volumes atingiram 84 bilhões de TKU (toneladas por quilômetro-útil), uma alta de 5% em um ano e acima das expectativas do mercado, o papel RAIL3 acumulou baixa de 14%.

No último mês do ano, a companhia do grupo Cosan reportou o maior volume mensal de sua história, com 7,3 bilhões de TKU, alta de 29% na comparação anual e impulsionada principalmente pelo desempenho do transporte de produtos agrícolas, que trouxe 5,8 bilhões de TKU no último mês do ano. Nos doze meses de 2025, o transporte no agro somou 67,1 bilhões de TKU, quase 80% do total.

O número consolidado do ano veio levemente acima das expectativas do BTG Pactual, que giravam em torno de 83 bilhões de TKU, e segundo um relatório do banco, os números apresentados abrem espaço para boas notícias à frente.

O documento, assinado pelos analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, cita que o resultado registrado ao final de 2025 abre espaço para um crescimento nos números do último balanço do ano, referente ao quarto trimestre, mesmo diante de um ambiente desafiador do ponto de vista de preços.

O BTG cita que o ano foi atípico na Rumo em 2025, com volumes do segundo semestre mais fortes somados a "ajustes comerciais" ajudando a sustentar a operação.

“Vemos o desempenho operacional da empresa como um destaque positivo, já que as margens conseguiram compensar parcialmente os menores rendimentos”, escreveram os analistas.

Mas então, se a performance melhorou, por que as ações não reagiram positivamente? O BTG aponta que a desvalorização de 14% dos papéis em 2025 reflete um ambiente de ceticismo elevado por parte dos investidores, em meio a mudanças estruturais no setor de logística de grãos.

Os analistas citam uma maior aversão ao risco por parte de produtores e tradings pressionando os preços dos contratos, enquanto o aumento da capacidade de armazenagem no interior do País e o avanço das indústrias de etanol de milho alteraram a sazonalidade tradicional da demanda logística.

Esses aspectos macro foram notados nos balanços mais fracos publicados ao longo do ano. Após divulgar os números do terceiro trimestre 2025 - quando a Rumo viu seu lucro cair mais de 7% em um ano por conta do frete mais barato - o papel da companhia despencou na B3.

Para 2026, a leitura do banco é mais construtiva para o BTG, que recomenda compra da ação prevendo uma valorização de quase 60%, com um preço-alvo de R$ 23.

A expectativa é que a companhia mantenha uma postura comercial defensiva, com ajustes adicionais de preços para preservar competitividade, ao mesmo tempo em que começa a capturar os efeitos de novos investimentos em capacidade.

Entre os principais vetores citados no relatório estão a joint venture com a Cofco no Porto de Santos, além da conclusão da primeira fase do projeto das ferrovias no Mato Grosso, além de outros aportes em terminais.

"Esperamos uma mudança positiva na Rumo este ano, especialmente nas áreas que ela controla, como a execução de investimentos (que esperamos que mostre mais disciplina) e a alavancagem operacional (com margens demonstrando estabilidade, mesmo com preços baixos)", diz o relatório.

O banco ainda cita uma perspectiva de safra mais fraca no Mato Grosso, com quedas de 5% na produção de soja e de 2% no milho, com o segundo ainda afetado pela dinâmica das usinas de etanol, que tiram parte do cereal da exportação e, consequentemente, dos trilhos da empresa. Apesar disso, projeta que os volumes da Rumo alcancem cerca de 89 bilhões de TKU ao final de 2026.

O BTG destaca ainda que o posicionamento atual do mercado em relação à Rumo é um dos mais negativos dos últimos anos. “Não nos lembramos de o mercado estar tão cético em relação à Rumo como está hoje”, escreveram os analistas, ao apontar que boa parte dos riscos operacionais e setoriais já está refletida no preço das ações. Na prática, depois de uma espécie de pico de pessimismo, a ação pode voltar a acelerar em 2026.

“A combinação de preços mais baixos, compensados por volumes mais fortes e expansão de margens, deve persistir nos próximos trimestres”, afirmam os analistas.

"Mas acreditamos que as ações da Rumo já se desvalorizaram em relação a outras empresas de infraestrutura. O desempenho combinado com a entrada de dois novos investidores estratégicos na base acionária da Cosan parece muito assimétrico para ser ignorado por investidores com um horizonte de longo prazo", concluiram.

Resumo

  • Rumo teve forte desempenho operacional em 2025, com volumes recordes puxados pelo transporte agrícola, mas as ações caíram 14% no ano
  • Queda do papel reflete ceticismo do mercado diante de mudanças estruturais na logística de grãos, pressão nos preços de frete e resultados financeiros mais fracos
  • Para 2026, o BTG vê cenário mais positivo, recomenda compra e projeta alta de quase 60% com apoio de novos investimentos, volumes maiores e melhora operacional