Nos últimos anos executivos globais da indiana UPL, fabricante de defensivos agrícolas, repetiram algumas vezes a meta de ter 50% das vendas no mundo relacionadas ao que chamam de “produtos sustentáveis”.
Nesta categoria, contam não apenas os defensivos biológicos, mas também os químicos mais modernos, que combinam moléculas capazes de incentivar um uso mais racional destes insumos.
Durante encontro com jornalistas nesta segunda-feira, 5 de outubro, em São Paulo, a UPL informou que no Brasil espera aumentar para quase 70% a participação dos “diferenciados e dos sustentáveis, até 2030”.
Robison Serafim, diretor de marketing da UPL no Brasil, disse ao AgFeed que hoje eles representam “pouco mais de 50%”, ou seja, metade do negócio por enquanto ainda está relacionada à venda de defensivos pós-patente ou genéricos, como são conhecidos no mercado.
“Diferenciados são aquelas combinações de ativos com inovação, somados aos biológicos. Eles devem chegar a 69%. É o retrato desenhado para 2030”, ressaltou Serafim.
Pra chegar lá, a companhia pretende acelerar o lançamento de novos produtos, como revelou recentemente ao AgFeed, o CEO da UPL, Cristiano Figueiredo.
No evento de hoje o destaque foi o lançamento de um novo inseticida químico, com nome comercial de “Sucessor”, combinando os ingredientes fenil pirazol e piretróide. O produto é indicado para a soja, milho e algodão, combatendo pragas como o percevejo, a cigarrinha e o bicudo. A ação prometida é chamada de “choque extremo”, quando se garante matar 100% dos insetos em poucos minutos.
Na apresentação os executivos destacaram que os mercados de soja e milho seguem crescendo. O avanço em área tratada seria de 46,52% na soja, nas últimas 5 safras, o que justifica o apetite da empresa em seguir investindo em novos produtos para a cultura.
O diretor de marketing revelou ao AgFeed que os inseticidas representam 36% da receita da companhia no segmento de “diferenciados”. O novo produto já está sendo vendido para uso na safra 2026/2027 e deve impulsionar o resultado da empresa já a partir deste ano, mas ele não revela detalhes sobre qual seria o potencial de crescimento.
Hoje a América Latina representa 37% dos negócios da UPL, que em 2025 atingiu uma receita global de US$ 5,9 bilhões.
Serafim disse que os resultados no Brasil este ano estão “em linha com o planejado” e também não revelou detalhes.
O último balanço divulgado pela empresa, referente ao trimestre de maio a junho deste ano, reporta um crescimento de 10,5% na receita global da companhia e de 8% no faturamento da América Latina, que estaria em torno de US$ 300 milhões.
Resumo
- Fabricante de defensivos UPL prevê que fatia de defensivos pós-patente caia dos atuais 50% para 30% até 2030
- Empresa aposta no desenvolvimento de químicos com inovação e em soluções biológicas, que devem responder por 69% do negócio no prazo de quatro anos
- UPL acaba de lançar um novo inseticida, para combater pragas no algodão, soja e milho, com perspectiva de impacto positivo na receita já em 2026