Depois de faturar R$ 100 milhões no ano passado, a fabricante de fertilizantes especiais e insumos biológicos Satis planeja reforçar sua atuação na região Centro-Sul do Brasil para impulsionar suas receitas ao longo de 2026.

Com sede em Araxá (MG), a companhia projeta crescer cerca de 10% neste ano, elevando o faturamento para R$ 110 milhões.

Em 2025, a Satis chegou a estabelecer como meta atingir R$ 120 milhões em receita bruta, mas acabou ficando abaixo do objetivo diante das dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais ao longo do período.

Ainda assim, o saldo final do ano passado, de acordo com Jair Unfried, diretor de negócios da empresa, foi bastante positivo. "Mesmo com todos os desafios, conseguimos fazer um ano excepcional", conta ele em entrevista ao AgFeed.

De acordo com o executivo, a estratégia da empresa foi focar menos na meta de faturamento e mais em eficiência operacional e inovação. A Satis investiu em melhorias industriais, controle de custos e desenvolvimento de novos produtos, especialmente no segmento de biológicos.

"Isso nos ajudou a manter um faturamento super saudável. Não ficamos preocupados com a meta dos R$ 120 milhões, mas sim ocupados em sermos uma empresa financeiramente saudável", diz Unfried.

O executivo conta que, ao longo de 2025, a Satis expandiu seu portfólio de produtos biológicos e lançou um bionematicida chamado Nemavex, com foco na cultura de soja, mas que também pode ser utilizado em outras lavouras dependendo da recomendação técnica.

A empresa diz que, ao proteger e estimular o desenvolvimento da raiz e fortalecer o vegetal contra o estresse biológico, o biodefensivo auxilia no combate aos nematóides.

A companhia também registrou avanço na linha Vita, composta por produtos de menor valor agregado, o que caiu como luva em um momento no qual os produtores que buscam reduzir custos em momentos mais desafiadores.

Segundo Unfried, essa linha cresceu cerca de 20% no ano passado. "São produtos mais simples, com menos nutrientes, entretanto, atendem o agricultor num ano no qual o produto está buscando investimentos, às vezes, um pouco menos robustos", diz o executivo.

Outro segmento que apresentou forte expansão foi o de tecnologias de aplicação, que inclui soluções para pulverização aérea, com aviões e drones, além de equipamentos terrestres, linha que teve crescimento próximo de 30% no último ano, segundo o diretor de negócios da Satis.

Geograficamente, Unfried diz que a empresa consolidou, ao longo de 2025, sua atuação em regiões onde já tinha presença relevante, como nos Estados de Minas Gerais e Goiás.

Além disso, a Satis inaugurou novos centros de distribuição nos municípios de Balsas (MA), Dourados (MS) e Querência (MT). A empresa já tinha outras sete unidades distribuídoras localizadas nos Estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Pará e Rio Grande do Sul.

Com as novas estruturas, o executivo conta que a companhia ampliou operações no Nordeste, onde tem força especialmente no Vale do São Francisco, importante pólo de fruticultura, e reforçou equipes em Mato Grosso, onde consolidou suas operações.

"Foi um ano de consolidação de portfólio, crescimento de regiões, principalmente em termos de market share e expansão de região em Mato Grosso", diz Unfried.

Para 2026, a Satis pretende trabalhar principalmente na expansão e consolidação em regiões onde já tem atuação, como Cerrado e no Nordeste e de uma entrada mais forte no Centro-Sul do país, que abrange os estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina.

A empresa tem como objetivo levar seus produtos às cooperativas agropecuárias da região, diz Unfried, de olho na força que as organizações têm. A ideia é alcançar esse universo já no segundo semestre de 2026. "As cooperativas representam 35% de toda a produção agrícola do Brasil. Trata-se de um mercado superpotente e é por isso que queremos entrar nelas”, diz.

Em paralelo, a cooperativa pretende também reforçar sua atuação comercial em São Paulo, onde já atua no mercado de hortaliças e frutas e, agora, quer explorar mais o mercado de cana-de-açúcar do interior paulista.

A Satis mantém a previsão de construir uma biofábrica no ano que vem, com investimentos previstos entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões para a implantação da unidade industrial.

Embora Araxá seja o principal local considerado para a unidade, Unfried diz que a empresa também avalia outras regiões para futuras operações, com o objetivo de aproximar a produção dos mercados consumidores.

"Pode ser Araxá, mas alguma outra região que possa ser importante para nós, desde que traga custo-benefício", afirma o executivo.

Resumo

  • A Satis faturou R$ 100 milhões em 2025 e projeta crescer cerca de 10% em 2026, chegando a R$ 110 milhões, com foco em expansão no Centro-Sul do Brasil e maior presença em cooperativas agrícolas
  • Mesmo sem atingir a meta de R$ 120 milhões no ano passado, a empresa priorizou eficiência operacional, controle de custos e inovação, ampliando o portfólio de biológicos
  • A companhia também expandiu sua presença geográfica com novos centros de distribuição em estados como Bahia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul