Depois de passar os últimos meses em negociações exclusivas com investidores para vender parte de sua participação na Rumo, a Cosan informou ao mercado, no começo da noite desta terça-feira, dia 20 de outubro, que o período de tratativas se esgotou sem que a companhia tivesse chegado a um acordo.

Em fato relevante distribuído à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a holding do empresário Rubens Ometto disse que não conseguiu "qualquer acordo que fosse estrategicamente e comercialmente adequados para alienação de qualquer fração de sua participação".

Ainda assim, a Cosan informou também que continua "avaliando alternativas" em todos os ativos que possui "a fim de otimizar sua estrutura de capital", mas também comprometida com a criação de valor aos acionistas.

A companhia concluiu o documento informando que manterá os acionistas e o mercado informados sobre o tema.

Na semana passada, a Cosan publicizou ao mercado que seu conselho havia aprovado, no início de outubro, a transferência de 20,33% das ações da Rumo para o Maglev Fundo de Investimento em Participações (FIP), que terá gestão do BTG Pactual e tem como cotista único a própria holding de Ometto.

A estrutura pode facilitar uma futura negociação da participação, permitir a entrada de investidores no fundo ou viabilizar operações financeiras envolvendo as ações.

Em detrimento da negociação de sua fatia na Rumo, a Cosan agora estaria focada em vender 20% de sua empresa de gás, a Compass, para um investidor estrangeiro, de acordo com informações da colunista Mônica Scaramuzzo, do portal UOL. As negociações já estariam avançadas.

Quanto à negociação para a venda de sua fatia na Rumo, a Cosan já havia se manifestado ao mercado em duas outras oportunidades, em junho e agosto, sobre a negociação, na qual teria assessoria do BTG.

O grupo não informou – nem agora, nem anteriormente – com quais empresas ou grupos empresariais estava em negociação.

De acordo com informações do UOL, as tradings Bunge e Cofco chegaram a negociar com a holding de Ometto, que tentava vender 15% dos 20% que possui na Rumo.

Ainda segundo o UOL, as imposições trazidas pela Cosan e pelo BTG Pactual teriam travado a conversa e desanimado potenciais compradores.

O conglomerado de Rubens Ometto enfrenta dificuldades há alguns anos e tem se desfeito de ativos para reduzir seu nível de endividamento – no segundo trimestre de 2026, a dívida líquida expandida era de R$ 9,2 bilhões, mas já chegou a R$ 23,5 bilhões ao fim de 2024.

O movimento afetou as principais empresas de Ometto, como a Raízen, joia da coroa do grupo, que também já vinha de dificuldades financeiras.

Mesmo depois de vender várias usinas e de ter enxugado sua operação, a companhia do setor sucroenergético não viu outra saída que não fosse a via da recuperação extrajudicial, cujo plano foi homologado para a Justiça paulista em junho passado, para renegociar dívidas de R$ 61,4 bilhões.

Outros negócios de Ometto também diminuíram de tamanho para dar cabo ao plano de reestruturação da Cosan. É o caso da Radar, empresa de imóveis rurais que mantém em parceria com a gestora americana Nuveem, a holding de Ometto se desfez, em junho, de 12% de suas terras – 41.214 hectares em Mato Grosso – por R$ 1,85 bilhão, adquiridas por SLC Agrícola, Bom Futuro e pelo produtor Alexandre Jacques Bottan.

Apesar da situação ainda deteriorada do grupo, as ações da Cosan vêm reagindo nos últimos meses. Depois de terem atingido uma mínima de R$ 3,13 em agosto, terminaram esta terça-feira cotada a R$ 5,27 cada, por exemplo, alta de 3,13%. No ano, apresentam leve alta de 0,38%.

Resumo

  • Cosan encerra negociações exclusivas para vender participação na Rumo sem chegar a acordo com potenciais investidores
  • Com dívida líquida de R$ 9,2 bilhões, holding de Rubens Ometto segue avaliando a venda de ativos para melhorar sua estrutura de capital
  • Após fracasso das tratativas pela Rumo, Cosan estaria negociando a venda de 20% da Compass para um investidor estrangeiro